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O Olho que Vê a Si Mesmo
Autor: Ney Dantas
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Por ESCALA da representação entendemos o grau de distanciamento do objeto. Por exemplo, pode-se ver uma paisagem natural ou apenas um pequeno fragmento desta paisagem.
Por PROJEÇÃO da representação entendemos o ponto de vista do observador. Este pode estar em cima embaixo, a esquerda ou a direita, etc. dependendo da posição o observador terá percepções completamente diferenciadas do objeto. Algumas de suas partes estarão no centro focal e outras na periferia.
Por SIMBOLIZAÇÃO entendemos o conjunto de informações que estão incluídas e excluídas da representação. É o que eu chamo de “sai daí menino” ou “aperta mais pra caber todo mundo” em uma fotografia de família. Cada elemento da representação (existente ou não) convfere um significado especial ao objeto representado.
Exposto estes mecanismos vamos iniciar a nossa viagem de desconstrução em três momentos: o primeiro trata do olho isolado, o segundo observa a relação dos dois olhos restituindo a face e, finalmente o terceiro abandona a representação egípcia e se concentra no olho como elemento simbólico de representação do todo.
1. O Olho de Horus
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Vê-se aqui o olho direito, relativo às coisas que são. A escala da representação é a da proximidade do objeto, do detalhe. Neste contexto o suporte, a face, não está, não interessa. A projeção é ortogonal e o observador está no infinito o que deixa todas as superfícies coladas a um plano bidimensional e estático. O eixo vertical passa pelo
centro do circulo definindo uma relação 60/40 enquanto o vertical coloca-se em um espaço vazio entre os diversos elementos numa relação 50/50. pode-se deduzir daí que o que está em cima é como o que é em baixo. Por outro lado o que está a esquerda não é igual ao que está a direita.
Usando o mecanismo da simbolização descobrem-se seis elementos isolados mais o sétimo que é formado pela união de todos. No eixo superior estão três elementos planos + uma linha e no inferior um plano e uma linha, estando o plano localizado a direita da composição. Estes são os seis sentidos utilizados pelo homem para interagir com o universo, são eles: razão, visão, audição, olfato, gustação
e tato. A partir destes seis presentes pode-se deduzir que os seis sentidos ausentes que formam o outro olho seriam:
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Olho
direito
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Olho
esquerdo
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Razão
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Intuição
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Visão
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Onipresença
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Audição
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Onisciência
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Olfato
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Discernimento ???
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Gustação
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Percepção ???
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Tato
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Sensação ???
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Assim completam-se os doze sentidos que nos permitiriam entender as coisas que são e as que não são.
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Os dois olhos aumentam significativamente a capacidade de compreensão do universo pois permitem a estereoscopia dos sentidos e, por este meio, a compreensão da totalidade. Esta análise abre as possibilidades para o entendimento dos sentidos enquanto elementos mediadores e do estudo aprofundado do papel de cada um deles em relação aos demais. Outro aspecto a ser desdobrado é a representação de cada um deles que ora aparece sob forma de plano, ora apresenta-se como linha.
Neste momento gostaríamos de seguir outro caminho que julgamos mais importante. Este é o caminho que argumenta que o olho enquanto elemento símbolo representa a totalidade e explica os processos da criação. Visualizemos o diagrama abaixo:
2. Olho, a percepção da criatura sob si mesma
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A ordem hermética coloca o olho como elemento principal de sua simbologia, ele é o principal portal, a interface através do qual a mente interage com o TODO, ele é composto de fogo de água e de luz. Seus elementos constituintes guardam em si uma representação dos modos de ser e fazer do universo, uma observação sobre o seu funcionamento pode nos levar a correspondências e conclusões interessantes. Vamos discuti-las:
Tomando o diagrama ocular acima como a representação do universo percebemos primeiramente, um movimento de adensamento - relaxamento – adensamento, as noites e os dias de Brahma. Apesar desta percepção de movimento não existe mudança do volume total, apenas uma concentração ou dispersão de matéria essencial.
Algumas questões começam a surgir a partir desta observação:
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Se o todo é indivisível o que causa este movimento de adensamento / expansão?
Parece-me que a relação entre as unidades fundamentais (amor)
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Quem criou as unidades fundamentais?
Elas não foram criadas, até certo ponto elas não existem de fato, passam apenas a existir sobre a perspectiva de uma lei, norma ou convenção que são entes abstratos. Para exemplificar isso tomemos uma fazenda. Primordialmente o que existe é o infinito de terra e água sem dono. Apenas quando se define uma escritura é que a fazenda passa a existir, mas ela só existe para os homens, não para as formigas, aves, cobras, plantas, etc.
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Então se as unidades não existem, o movimento também não existe?
Não, ele é apenas uma ilusão que foi criada por uma formalidade abstrata ao todo indivisível.
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Também não existe espaço nem tempo?
Espaço e tempo são apenas duas convenções
Algumas questões começam a surgir a partir desta observação:
O TODO é limitado pois sua natureza para nós ainda é dual.
Autor: Ney Dantas
email: ney.dantas@gmail.com
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