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Reflexões Sobre Mente e Consciência 3
"Das limitações de nossa mente, surgiu o universo como o conhecemos..."
Autor: Anne Marie Lucille
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Aprender a pensar, não é o mesmo que ter no que pensar...
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Há a possibilidade de haver algo no mundo psicológico, algo abstrato, alguma idéia original, que não seja produto do passado, seja inédito por nunca ter sido repetido, que não faça parte de nenhuma de nossas memórias, algo absolutamente fora da lógica que estabelece as regras do comportamento do homem, onde nada relacionado com o tempo estivesse presente?
O que a ciência sabe – talvez seja o que também sabemos - sobre energia, resume-se a definir e padronizar as fontes geradoras da mesma, a redirecioná-la para uso doméstico ou industrial, com o intuito de empregá-la em benefício do homem. Sabe enfim que ela existe, conhece algumas fontes das quais ela emana, consegue modificá-la para auxiliá-lo, mas não conhece sua origem, seu processo embrionário. Não conhece seu processo de geração espontânea, menos ainda suas muitas faces. Ainda não compreendeu que a energia é uma só, mas em veículos diferentes, obedecendo a um movimento, uma inteligência desconhecida, assume as formas específicas de cada um.
Sendo tudo na vida manifestações de energias, além da energia orgânica que mantém em atividade o homem, há de existir uma espécie de energia de cunho essencialmente psicológico que motiva o homem. Mas que energia seria essa, como é gerada e de que fonte emanaria? Ainda, se essa energia é responsável pela motivação do homem, ela surge antes ou depois da motivação ou seria ela a própria motivação? Sendo responsável pela motivação, teria que se manifestar antes, mas já saberia antecipadamente a razão que a motivaria, seria então apenas um simples desejo de satisfação sua origem. Mas, sendo apenas desejo de satisfação, já existiria ela no homem todo o tempo, não viria de fora e sim de dentro para fora.
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Isso explicaria porque ela logo se dissipa, e de mais motivação carece o homem para despertá-la. Seria esta energia, realmente energia de motivação ou apenas uma falsa motivação que na verdade é uma dissipadora de energia vital? Se assim for, haveria então uma energia capaz de nunca se dissipar o que daria ao homem uma motivação única, contínua em tudo que fizesse? Sendo assim, não poderia vir do mesmo centro que carece de motivações temporárias, pois esse é capaz apenas de agir dentro desse padrão repetitivo, é capaz apenas de gerar energia a partir da automotivação.
Diante de um fato, podemos vê-lo como a realidade que é, ou é um fato para nós apenas o resultado de nossas avaliações, uma interpretação pessoal com base em nossa vontade, temperamento e opiniões? Tendo diante de nós um fato, este certamente que representa a realidade da coisa, mas podemos ver esta realidade como ela é, sem distorções, sem tentativa alguma de nossa parte de modificá-la para que se adapte ao nosso modelo de interpretação das coisas, qualquer que seja?
O que para nós é um sonho, senão as muitas interpretações que nos dão a psiquiatria, a psicologia, os tratados científicos dos teóricos da psique humana, as interpretações que nos dão as doutrinas, que nos dá a tradição popular e milenar, que nos dão os místicos. As interpretações que chegaram até nós através dos mitos, através do tempo? O que somos afinal de contas como seres humanos? Somos parte fisiológica e parte mental ou psicológica, ou isso tudo é uma coisa só? O que abriga, o que guarda – como conteúdo - nosso cérebro? Serão informações, nossas memórias, ou algo diferente disso, ou as duas coisas? É curioso como tão pouco entendemos
sobre nós mesmos, pois sempre nos acostumamos apenas em olhar para o aspecto externo das coisas. Aprendemos apenas em nos ver como nos vemos num espelho, quando estamos nos arrumando para ir ao trabalho ou a uma festa. Aparentemente o que sabemos de nós é a mesma coisa que queremos que os outros pensem sobre nós, ou seja, uma representação para os outros que assume então papel de realidade, mesmo para nós.
Fomos divididos pela ciência da psique, em duas entidades; uma que opera em vigília, quando estamos acordados, e outra que opera independentemente quando estamos dormindo. Assim, a entidade que opera em vigília, vê as coisas do nosso dia a dia. É ela que vai ao trabalho, que casa, que cria os filhos, que se irrita, que é ambiciosa, que deseja satisfação o tempo todo, que fica frustrada por não conseguir satisfação sempre, que é violenta por isso mesmo. A outra, que supostamente desperta quando se dorme, viveria num mundo à parte, o mundo dos sonhos, e eventualmente informaria, através de lembranças, à parte que fica acordada aquilo que vivencia nesse outro mundo, o que explicaria lembrarmos em parte daquilo que sonhamos. Em ambos os casos surge uma questão curiosa; sendo entidades distintas, deveriam ter funcionamentos distintos, sem interação de espécie alguma, entre si.
Que somos seres fisiológicos disso não há a menor dúvida, é um fato. Mas quem opera nosso cérebro, nosso ser psicológico, é alguma entidade separada da parte fisiológica do ser? Seria o ser fisiológico um, e o ser psicológico outro? Como funciona então este modelo? Quem executa as ações que são criadas antes pelo pensamento? É uma força mental capaz de materializar estes pensamentos, ou o ser fisiológico? Sim, pois sendo assim, duas entidades separadas, teriam que ter ações próprias e exclusivas de cada uma, sem interconexões entre si. A psicológica apenas realizaria, o que quer que fosse, no mundo psicológico, ficaria restrita aos seus domínios, ou seja, os domínios do pensamento, o mundo imaterial da abstração; enquanto que a fisiológica apenas realizaria no mundo concreto, mas sob o jugo de quem não se sabe, uma vez que teria que ter seu próprio modelo de psique, a psique fisiológica.
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A mente toda é o centro dela mesmo
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O que somos como seres pensantes, se observarmos com atenção é o resultado direto de nossas ações, que por sua vez são apenas reflexos daquilo que pensamos, de nossas idéias, pelo menos as concretizáveis. Se diz a tradição filosófica, “Somos o que pensamos ser...”, certamente através de nossos atos, que tem origem, antes de se tornarem ações concretas, em nosso pensamento, isso bem que pode ser uma realidade, por relativa que seja. Sendo assim, se somos o que pensamos ser, o que somos bem que pode ser apenas um devaneio, uma criação do nosso pensamento, uma espécie de representação a uma fantasia do próprio pensar. Se assim for, isso explicaria porque podemos representar, assumir a identidade, de inúmeras personalidades, de acordo com o momento, ao longo de nossas vidas.
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Mas, surge uma questão, se assim for, essa criação atende aos anseios de quem, de qual entidade? Há uma entidade, algo que vê o que se pensou e depois diz que isso deve ser transformado em ação? Assim sendo, tal entidade é a que experimenta o resultado dos pensamentos. Primeiro ela pensa, depois transforma os pensamentos em ações, e depois reavalia o resultado dessas ações, e os trata interpretando depois como experiência. Se for desse modo, estamos com um problema formidável em mãos. Façamos uma reflexão.
Somos o que pensamos ser; diz a tradição milenar, ou deveria ser; Somos o que nosso pensamento quer que pensemos ou pareçamos ser. Mas, afinal de contas o que somos? Como seres pensantes, como o cidadão que sou, que trabalha um tanto de horas por dia, que tem uma profissão, que se relaciona com outras pessoas, que tem crenças, que tem filhos, que tem problemas, que sofre com suas angústias, que entidade é esta e qual a sua origem, fisiológica e psicológica?
Existe uma entidade que pensa e outra que age em seu nome, ou ambas são a mesma coisa? Se de um lado tenho um pensamento, uma idéia, é certo que esta ficaria restrita ao mundo da abstração a menos que se concretizasse através de uma ação, e se o agente dessa ação, fosse o próprio veículo que abriga estes pensamentos, seriam então entidades separadas? Óbvio que não são. A idéia, a coisa abstrata, só existe se o veículo fisiológico existir, assim, é óbvio que, tanto veículo fisiológico quanto o pensamento, são uma coisa só, apenas cada qual com sua função específica. É o pensamento conduzindo o veículo que o abriga, controlando-a à sua vontade e conveniência, vontade e conveniência essa que é a expressão do próprio indivíduo como ser atuante, manifesto, como nos apresentamos em nossas relações, aquele indivíduo que somos, que aparentamos ser, que desempenha seu papel peculiar na sociedade.
Mas, surge a questão; como o ser pensante nasceu, teve origem, uma vez que sabemos que o veículo físico surgiu primeiro, e as experiências que caracterizam o ser pensante, o próprio pensamento enfim, vieram com o passar do tempo? Sabemos também, que os caracteres do indivíduo, o condicionamento, não nasceram junto com o veículo físico, este indivíduo apenas continha desde o princípio, o recipiente preparado, programado, para receber o pensamento, existindo apenas um recipiente, com o potencial de abrigar o pensamento, que são as memórias vivenciadas, que viriam depois, à medida que o veículo, o indivíduo, se desenvolvesse.
No momento do nascimento, este recipiente assim como todo o corpo fisiológico guardava apenas as predisposições genéticas, com maior inclinação para as heranças familiares e mesmo ambientais do meio onde nasceu, mas sem determinação de caráter ou comportamento. Mas onde antes nada havia a não ser potenciais, que entidade assume a necessidade do ser de guardar os caracteres que o identificarão como indivíduo temperamental ao longo de sua vida? Que condição é essa que assume o papel do controlador desse recipiente, que é o cérebro, e determina quais predisposições aquele indivíduo desenvolverá vida afora, sua personalidade, seu modo peculiar de pensar, quais informações deverá armazenar como memórias, enquanto viver?
O que pensamos ser, ainda não existe quando somos muito jovens, esta entidade que nos diz o que devemos aparentar ser, como devemos nos relacionar com nosso mundo, surge depois, vai se formando com o tempo, à proporção que o pensamento passa a atuar como controlador, como gerenciador. Mas o que determina que o pensamento deve ser o controlador, se este não existe no momento do nascimento, se existe apenas como potencial, mas um potencial sem informações, sem memórias, pelo menos as memórias de tudo que conhecemos? Enfim, quem criou a entidade que controla e cria os pensamentos, e que entidade seria esta?
Como conclusão, Temos ao nascer um veículo capaz de armazenar memórias, que entretanto, nessa fase inicial, não possui informações além daquelas de caráter genético e as orientações básicas que é o próprio instinto do animal. Estas não incluem, gostos pessoais, conceitos de feio e belo, aversões e empatias, angústias e alegrias, motivações e objetivos de vida, ambição ou competitividade, capacidade de julgar, meios para enfrentar os perigos, conceituação para o medo, qualidades das satisfações que deseja obter, capacidade de formular idéias ou pensamentos de qualquer natureza. Há de haver então, uma condição inicial, que cria o centro de onde irão partir todas as decisões, que irão gerir a vida daquele ser, inclusive determinando como ele deve pensar, condição essa que cria o EU sou.
Autora: Anne Marie Lucille
email: annemarielucille@yahoo.com.br
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