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Explorando os Limites da Nossa Compreensão 2
Nós fomos programados para ignorar a realidade...
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A compreensão é capaz de enriquecer o saber ...
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Ao ignorarmos fatos vitais dentre as causas que criam toda miséria e degradação do homem, não estamos de certa forma perpetuando tais problemas? Se não paramos para resolvê-los, sequer para investigá-los se são ou não dignos da nossa atenção, quem o fará por nós? Essa entidade salvadora, aquela que resolverá de forma mágica e para sempre todos os nossos problemas e conflitos, não será apenas um mito meticulosamente instituído em nosso inconsciente como uma forma de nos acomodarmos e esperar, esperar por algo que nunca virá, uma forma engenhosamente encontrada com o intuito de, sem sabermos propagarmos o mal e nos acostumarmos conviver dentro dele, com ele?
Estudar anos a fio, depois trabalhar o restante da vida, oito ou mais horas por dia, para comprar comida, ou um pouco mais para nos dar uma margem de segurança, parece ser o destino mais conhecido do homem. Será que existimos para brincar de sobrevivência e depois de constituir família, deixarmos nosso nome à posteridade através dos nossos herdeiros ou feitos? Não é o que todos buscam, a realização pessoal, que pode ser destaque na vida profissional ou acadêmica, ou no que quer que seja? Queremos nos destacar diante de quem, a não ser outros iguais a nós, que também desejam a mesma coisa? O que fazemos para isso, senão competir uns contra os outros? Há competição injusta ou justa, ou tudo é uma coisa só? Se todos buscamos com todas as nossas forças o sucesso pessoal, vencer sempre, contenta-nos o fracasso? Mas, não é exatamente
isso o que desejamos aos outros enquanto competimos para tirá-los do nosso caminho? Então assim sendo, vencermos nossos semelhantes, no que quer que seja, é o objetivo da vida. Precisamos provar que somos os melhores, mas, de onde vem essa necessidade, será uma motivação que apenas revela de outra forma toda nossa crueldade, maldade essa que passamos a vida a negar, a tentar ocultar sob a máscara da virtude, até mesmo de nós?
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Se de repente resolvermos parar um pouco e questionar, o porque de tanto sofrimento e angústia vida afora, o que teremos como resposta? Isso é coisa comum de todo homem, a humanidade é assim mesmo, todos estão fadados ao sofrimento, são as vicissitudes da vida, talvez sejam as respostas mais imediatas, e isso basta para nos aquietarmos conformados com a desgraça, como se o estar vivo, ao menos para alguns, fosse uma verdadeira peregrinação rumo ao sofrimento infinito. No entanto, existem os abastados, que vivem numa situação de aparente indiferença ante as agruras do mundo. Vivem literalmente em outro mundo, à margem da miséria da maioria. Estes logo justificam sua condição, se apoiando na vontade divina como causa para sua comodidade. Não se torna isso então uma forma instituída de calar a boca dos menos favorecidos? Quem mais se
beneficiaria da impassividade ante a miséria, senão aqueles que datem o poder e as riquezas? Mas, há também uma resposta finamente articulada para resolver tal disparate. Há uma corrente que induz aquele que nada possui, a permanecer quieto em sua miséria, como forma de conformação, uma condição essencial para que a divindade se compadeça da sua condição, e recompense-os da mesma forma que beneficiou um dia, aquela elite que ora é dominante.
Nossa mente é limitada sem dúvida, limitada porque desde muito cedo foi moldada para ser. Como podemos esperar resposta divina para nossas atribulações, se no final das contas, nosso destino está nas mãos dos seres humanos, na forma de políticos, de ideólogos, de doutrinadores, das orientações que as tradições insistem conter todas as respostas para acabar de vez com todo nosso sofrimento? Se ainda não se concretizou, o por que não, é um verdadeiro mistério, mas nem isso ousamos questionar. O não fazer é por falta de compreensão de nossa parte, por limitação de nossas faculdades mentais, da falta de desenvolvimento espiritual adequado? Todas estas causas também não devem ser questionadas? Quem as instituiu como prováveis causas da nossa falência em resolver nossas contendas, não foram os mesmos que criaram as divindades que viriam
solucionar nossos problemas? E se tívessemos a certeza que ninguém viria nos salvar, será que finalmente faríamos alguma coisa em nosso favor? Não será a espera outro argumento friamente calculado que foi delicadamente, aos poucos, por longos anos, dia após dia, inculcado em nosso inconsciente, como uma forma cruel de conformação, com o fato de que vamos finalmente morrer, depois de sofrermos sem direito à escolha, desde o nascimento? Qual afinal a razão de tudo isso?
Já questionamos o sofrimento humano, suas razões e origem, o porque nos afeta, não o nosso particular, mas a condição à que está sujeita toda humanidade? Não parece estranho um problema de tal magnitude, ser tolerado a ponto de aprendermos a viver com ele, como algo normal, geração após geração? Por que aceitamos o fato de que o sofrimento é inevitável, é parte inseparável do ser humano, é um mal necessário ao nosso aperfeiçoamento? Podemos melhorar de alguma forma se passamos a vida inteira completamente absorvidos pelas vicissitudes, preocupados apenas em conseguir simplesmente viver? Diante de tal condição, que tempo ou disposição nos resta para uma reflexão, coisa que aliás nos desencorajam a fazer, para questionarmos valores não mundanos, se sequer sabemos diferenciar um do outro? Para nós, ético ou correto, passa a ser, ter
sucesso em nossas relações, ser bem sucedido no trabalho ou nos empreendimentos, e coisas dessa natureza; se existe outra coisa que devamos buscar, essa certamente que não chegará até nós, através da mesma instituição que cultua os valores acima citados.
Resta-nos o consolo de que um dia tudo terá um fim, ou que tudo será solucionado; ao menos essa é a idéia corrente. Assim sendo, a vida para nós teria como objetivo apenas o sofrimento, a miséria, e finalmente a morte. Teria sentido algo assim? Mas como há resposta para tudo, talvez a causa seja mais um daqueles mistérios que os ocultistas alegam ser a causa de todos os males do homem. Seria mais uma razão para nos conformamos com tudo, uma vez que não teríamos saída mesmo. Seria então uma grande mentira a espera pelo nosso salvador. E aqueles que ficam ricos extorquindo, traficando, roubando e espoliando os outros, ilícitamente ou não, eles não vivem em situação confortável? Não seria então tudo isso causado, simplesmente pela nossa inação, pelo nosso comodismo, uma acomodação que, como uma campanha publicitária que nos induz a
comprar um novo produto, foi desde a menor infância em nosso inconsciente habilmente, subiliminarmente, incutido, dia após dia, ano após ano, como uma verdade, uma condição fatalista da qual não haveria possibilidade de reversão, de libertação?
Mas se todos os grandes instrutores da humanidade, sempre fizeram questão de enfatizar a necessidade do desapêgo, como condição essencial para se compreender o sentido da vida, por que as próprias instituições que os usam como baluartes, fazem o caminho inverso? Podemos continuar esperando indefinidamente pelas respostas que certamente nunca virão até nós, ao menos não pelas mesmas vias que promovem o consumo e o culto à ambição, como razão do viver. Pode nossa mente encontrar as respostas necessárias à sua própria libertação, sem depender da máquina que a fez caminhar na direção contrária, que a fez se tornar prisioneira de si mesmo, que a colocou num beco escuro de onde não consegue sair? Precisamos refletir com seriedade, se esta mesma máquina que decretou sua limitação e criou os grilhões que a prendeu em torno de si mesmo, é
capaz ou tem a intenção de promover sua liberdade. Pode um causador de problemas ter disposição para resolver os problemas que cria, e ao fazer isso não estaria decretando seu fim? É capaz a uma célula defeituosa produzir outra saudável? Se uma máquina foi construída para semear o caos, é possível a esta mesma máquina semear aquilo que não conhece, a ordem? Evidentemente que não.
Se fomos programados para ser o que atualmente somos, e se o sofrimento faz parte disso que somos, resta questionar se devemos continuar a alimentar tal modelo, uma vez que claramente ele não tem a solução, nem a intenção, de resolver nossos conflitos. Um questionamento dessa natureza, que põe em dúvida nosso inteiro modo de viver, ocorre apenas quando nossa mente transcendeu a ignorância e desperta os primeiros passos em direção à inteligência. Só com inteligência podemos romper o círculo vicioso do sofrimento e miséria humana. É a verdadeira inteligência, aquela que se recusa a aceitar sem questionamentos, aquela que contesta a validade do sofrimento do homem, seja por que razão for, aquele sentimento de que, sem liberdade não existe vida. Ao despertar a inteligência, estamos finalmente dispostos a confrontar todas as verdades que
até então conduziam nossos passos. Finalmente, podemos descobrir se nossa mente é realmente dotada apenas de limitações como querem nos fazer crer, ou se existe algo além dessa mente, que possa fornecer as respostas que por milênios esperamos, e agora procuramos.
Autora: Ester Cartago
email: estercartago@yahoo.com.br
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
Notas:
[1]
A autora é psicopedagoga e pesquisadora de filosofia oriental.
Veja mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br
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