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O Gnosticismo
"Algumas pessoas, apesar de terem asas,
correm atrás do visível, o que demonstra
estarem longe da verdade".
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Monte Sinai - Ilustração do século 12
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"O "Gnosticismo", em seu sentido mais abrangente, significa a crença na Salvação pelo Conhecimento" (Joan O'Grady.).
Embora o pensamento gnóstico já existisse no seio da religião hebraica mesmo antes da vinda de JESUS, os ensinamentos dessa doutrina somente tomaram vulto a partir dos primeiros séculos do Cristianismo. No ano 325 a.D. por ocasião do I Concílio de Nicéia, as idéias gnósticas já exerciam forte influência no seio do Cristianismo.
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Irineu bispo de Lyon viveu de 130 a 202 d.C. atacava o gnosticismo afirmando haver sido criado por Simão o Mago, líder de uma seita samaritana que existiu na Síria, Frigia e Roma, do qual é citada em Atos dos Apóstolos 8 "Na mesma cidade, havia um homem chamado Simão, que desde algum tempo praticava a magia". Ele impressionava o povo da Samaria, fazendo-se passar como uma pessoa importante. Todos, pequenos e grandes, aderiam a Simão dizendo: "Esse homem é o poder de Deus, que é chamado Grande".
Os Gnósticos romperam com a Igreja principal entre os anos 80 e l50 a.D., mas não foi propriamente o gnosticismo o ponto básico das discussões do Concílio de Nicéia, mas as idéias de Ário que englobava muito dos pensamentos Gnósticos e que eram temas das polêmicas teológicas da época. No término do Concílio os Arianos (adeptos de Ario) foram afastados dos demais Cristãos por não aceitarem aquilo que a futura ala ortodoxa[1], que no futuro iria se tornar à ala católica pretendia impor como doutrina.
Os pensamentos gnósticos eram muito mais coerentes e fieis aos ensinamentos de Jesus, especialmente no que diz respeito à Sua natureza, do que os demais cristãos, mas que incorria no erro básico de admitir a matéria como sendo hostil ao bem. Isto tornou ainda mais sério o problema de como a perfeição poderia ter produzido a imperfeição, de como aquela poderia de qualquer modo estar veiculada com esta.
Os Gnósticos constituíram-se uma corrente filosófica forte nos primeiros séculos, embora sejam predecessores do próprio Cristianismo. Antes da vinda de Jesus havia uma corrente dentro da religião hebraica que adotava conhecimentos místicos com forte influência da Doutrina Pitagórica, do Platonismo, do Culto de Mitras (Mitraísmo) e até mesmo ensinamentos oriundos do Antigo Egito - Hermetismo - e da Mesopotâmia - Zoroastrismo e Mazdeísmo.
Os Gnósticos admitiam que o conhecimento, que denominavam de Gnosis, podia chegar ao homem por meio de transes - quando o espírito fica livre para circular pelas diversas esferas - assim como pelos sonhos, conforme muitas citações bíblicas dizem ser possível. "Conhece a verdade e ela te libertará". - Bíblia Sagrada.
Atualmente, graças à descoberta em 1945 de 53 textos oriundos do período inicial do Cristianismo, muitos ensinamentos Gnósticos vieram à luz, dos quais 40 deles já fossem grande parte conhecidos. Entre eles tem-se o Evangelho da Verdade, o Evangelho de Maria Madalena, o Apócrifo de Tiago e o Livro de Tomé o Atleta, e outros. Não são os textos descobertos em Quamrun, conhecidos como Os Manuscritos do Mar Morto, mas e sim outros encontrados em Nag Hammadi no Alto Egito no ano de 1945, totalizando 13 livros compostos de 53 textos dos Evangelhos Gnósticos.
Em 1945 Mohamed Ali es-Sammanm e seus irmãos, camponeses residentes na aldeia El-Kasr no Egito, encontraram uma urna com mais de l.000 papiros. Não sabendo da importância daquele acervo eles levaram para casa e alguns daqueles papiros foram usados para acender fogo. Só mais tarde o Museu Copta do Cairo adquiriu o que restara dando-lhe a devida atenção. Um dos livros de Nag Hammadi fora antes adquirido pelo Instituto Jung de Zurique na Suíça. Os documentos são redigidos em língua Copta, língua descendente da egípcia antiga. Estes escritos receberam o nome genérico de Nag Hammadi, por haverem tido aquelas região como origem.
Entre os documentos de Nag Hammadi constam vários evangelhos muitos deles referentes aos ensinamentos de Hermes (Thoth) especialmente aqueles relacionados com a alquimia. Por alguns documentos nota-se que os gnósticos acreditavam em ciclos de encarnações.
O catolicismo durante séculos desacreditou a doutrina gnóstica e, bem depois do I Concilio de Nicéia, excomungou muitos seguidores. A partir de então eliminaram tudo o que contivesse algo do pensamento hermético por razão que veremos em outras palestras. No seio do catolicismo o "terceiro interesse" tudo fez para denegrir, deformar os ensinamentos Gnósticos porque eles feriam diretamente o seu interesse.
À força inferior interessava colocar Jesus como uma pessoa comum, um visionário e, até mesmo como um rebelde. Sendo aquela força muito ardilosa ela deixava existir as formas de Cristianismo em que as pessoas aceitavam ser Jesus apenas um ser humano comum destituído, portanto, de qualquer divindade.
Diante disso torna-se compreensível que uma das formas de conduta do catolicismo haja sido a de desacreditar qualquer documento que dissesse respeito às escolas de pensamento que atribuíssem a Jesus grau de Divindade. Baseado nisto, inúmeras linhas de pensamento foi considerado e seus iniciadores e adeptos execrados, desterrados, perseguidos e eliminados implacavelmente.
O que acabamos de revelar responde por todas as dissensões, por todos os sistemas considerados heréticos, disto resultando todos os Concílios dos primeiros séculos.
Assim os gnósticos, e posteriormente aos Nestorianos, Coptas, e outras linhas de pensamento, afirmavam com convicção que JESUS não tivera natureza humana e nem sequer um corpo físico. Os que assim afirmavam baseavam-se em alguns evangelhos ditos canônicos onde existia grande número de citações que foram eliminadas dos escritos dos Apóstolos.
Somente com o descobrimento dos manuscritos de Nag Hammadi é que surgiram as provas de que os primeiros cristãos, em grande parte, sabiam que Jesus era um ser essencialmente espiritual. Nos primeiros séculos essa natureza de Jesus, como veremos com mais detalhes em outras palestras, era aceita plenamente no seio do Cristianismo, pois isto é claramente citado nos evangelhos encontrados em Nag Hammadi, especialmente num dos livros, "Atos de João".
A força negativa por não haver conseguido apagar a presença de Jesus na terra, tentou então colocá-lo como um ser humano comum, susceptível de erros e limitações e até mesmo paixões como se pode ver em alguns evangelhos antigos, mas de conteúdo falso como aquele atribuído a Felipe que descreve Madalena como sendo uma paixão de Jesus. Aquele Evangelho inspirou o escritor contemporâneo Kazantsakis a escrever um livro "A Última Tentação de Cristo" recentemente transformado em filme.
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Os Gnósticos foram massacrados e condenados como hereges, razão pela qual lentamente o Gnosticismo foi se transformando numa sociedade secreta, ao mesmo tempo em que a "conjura" e o "terceiro interesse" foram atuando e se infiltrando nela como em todos os outros grupos chegando ao cúmulo de no século atual se apresentar como uma doutrina diabólica.
Depois do primeiro I Concilio de Nicéia diversas escolas de pensamento, muitas delas de natureza gnóstica, ficaram à margem dos demais cristãos, mas sem grandes perseguições. Somente casos isolados ocorriam como aquela perseguição levada a cabo por um bispo de nome Atanásio. Aquele bispo criou muitas dificuldades para os dissidentes de Nicéia[2].
Depois do I Concilio de Nicéia os cristãos estavam separados em três grandes grupos. Um deles designaram-se canônicos, aqueles que assinaram o Credo do Concílio e os demais escritos com os quais foi composto o novo testamento atual. Desde então todos os escritos dos dissidentes passaram a ser considerados míticos ou romanescos especialmente naquilo que diz respeito à vida e natureza de JESUS. Muitos escritos que apresentavam informações de forma mais incisiva foram considerados heréticos e conseqüentemente queimados, pois ofereciam uma visão totalmente diferente daquela apresentada pelos documentos canônicos.
Neste grupo de documentos incluem-se os Evangelhos Gnósticos, dos quais oficialmente até a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi apenas eram conhecidos partes do Evangelho de Maria Madalena e Os Atos de João. Neste é apresentado Jesus em uma visão muito mais ampla, mística e verdadeira que nos evangelhos canônicos[3].
Em que mais divergiam os ensinamentos gnósticos dos canônicos? - O Concilio de Nicéia instituiu um credo em que dizia que todo aquele que confessar o credo e se batizar é cristão, tendo acesso à igreja. Os Gnósticos diziam que não era o batismo que fazia o cristão e sim a sua maturidade espiritual, aquilo que existia no seu sentimento é que conferia a iniciação ao cristianismo. Os canônicos diziam que não havia salvação fora da igreja católica. Os Gnósticos diziam que o homem tem o seu próprio caminho conforme o seu sentimento íntimo independentemente de estar ou não filiado a uma igreja, ou até mesmo de não ter ciência da existência de qualquer igreja.
Mas, o ponto mais crucial que levou os Gnósticos a serem banidos do seio do cristianismo primitivo diz respeito à natureza de Jesus. Os católicos diziam que Jesus nasceu parido embora Maria continuasse virgem, e que naturalmente teve um corpo físico, e morreu como uma pessoa comum. Os Gnósticos dizem o inverso, diziam que Ele não tinha forma e nem corpo definido; que era um ser espiritual que se adaptava às percepções humanas[4]. O gnosticismo não aceitava, portanto, a dupla natureza unida em CRISTO à natureza divina e a natureza humana simultaneamente., mas sim apenas a natureza divina.
Os Católicos dizem que JESUS sofreu fisicamente com a crucificação, o que legitimava o martírio dos cristãos, enquanto que os Gnósticos diziam que em decorrência da sua natureza divina Ele transcendeu ao sofrimento físico por não ser dotado de corpo físico algum.
Alguns outros pontos de discordância existem, mas basicamente os principais que motivaram o banimento da igreja foi a não aceitação do credo - ata do concílio - e a não aceitação da natureza humana de JESUS.
Até recentemente as afirmativas a respeito da natureza não densa do corpo de JESUS, tal como era afirmado pelos Gnósticos e por alguns outros movimentos do passado e Sociedades Secretas de vários períodos da história, como veremos depois, era tida como lendária, as citações eram negadas como se nunca houvessem existido tais informações, como se jamais houvessem existido tais polêmicas no início do Cristianismo. Sendo assim tudo não passava de invencionices das ordens secretas e de grupos religiosos heréticos. Mas, com o descobrimento de um grande número de pergaminhos, as teses sustentadas pelas igrejas cristãs da atualidade tornarem-se insustentáveis. Na realidade já nos primeiros séculos do cristianismo as teses e proposições gnósticas existiam e eram as mais aceitas pelos primeiros cristãos.
Atualmente não é mais possível negar que não existiram aqueles ensinamentos, pois que documentos datando dos primeiros anos do Cristianismo testificam que JESUS não tinha corpo físico e que isso era claramente afirmado pelos apóstolos. Muitos dos documentos encontrados, claramente afirmam que Jesus não tinha corpo físico como pretendem insinuar as igrejas cristãs atuais.
A força negativa evidentemente tinha que fazer crer às pessoas através das religiões que Jesus fora um ser humano comum e quando não um pecador como todas as pessoas. Não ter um corpo físico é o mesmo que endossar a Sua Divindade e isto não interessa de forma alguma à força negativa.
Não somente foram os Gnósticos que ensinavam isso, os que tiveram conhecimento dessa verdade sobre a natureza de Jesus. Também isto era ensinado pelo Monosofismo, Docetismo, e a Igreja Copta (forma de catolicismo que atualmente ainda existe em algumas regiões do Noroeste da África, que predomina como religião em algumas regiões do Egito e de outros países daquela região).
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Arcanjo Miguel - Ilustração do Século 12
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Na Idade Média vamos encontrar esse pensamento ativo entre os Cátaros. Essa é uma das teses dos Cátaros e uma das razões pela qual eles foram inexoravelmente massacrados pela Igreja Católica. Foi uma longa peleja culminando com o cerco do castelo de Mont Segur e a eliminação pública de todos os Cátaros.
Por ser a mais mística das facções dissidentes do cristianismo primitivo, os Gnósticos foram inexoravelmente perseguidos. Considerados como hereges pela igreja católica eles tiveram que sobreviver ocultamente, os seus escritos e evangelhos tiveram que ser zelosamente escondidos a fim de que não fossem todos destruídos.
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Há algumas décadas na América do Sul apareceu uma organização intitulando-se de movimento gnóstico, mas na realidade é uma organização um tanto distinta do Gnosticismo Cristão dos primeiros séculos. Trata-se de uma doutrina mais ligada à Magia Tântrica do que propriamente à Gnosis Cristã dos primeiros séculos.
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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] - Não diz respeito à Igreja Ortodoxa atual a qual só veio a surgir no segundo milênio.
[2] - Ainda hoje existe a expressão "atanazar" significando contrariar, criar dificuldades ou com se diz no nordeste do Brasil aperrear. Esta expressão tem origem na conduta do bispo Atanásio para com os dissidentes do I Concilio de Nicéia.
[3] - Não queremos dizer que os Evangelhos Canônicos sejam falsos. Se fossem totalmente falsos não teriam sido aceitos depois do I Concilio de Nicéia. Na realidade eles foram escolhidos entre muitos outros por trazerem menor volume de informações sobre pontos inerentes à natureza Divina de JESUS. Na realidade apenas foram feitas pequenas alterações e apagados partes. Recentemente nos E.E.U.U, usando-se tecnologia de ponta verificou-se que as cópias mis antigas dos evangelhos canônicos haviam sido manipulados e que do Evangelho de São João havia sido apagado cerca de 30%.
[4] - O gnosticismo não formavam uma igreja propriamente, haviam o que chamavam escolas gnósticas e muitas tinham pensamentos divergentes, mesmo a respeito da divindade de Cristo.
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