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O Tao e o Nada


"O Sábio pratica três virtudes:
Perfeito, por nada se aflige;
Prudente, não cai em erro;
Corajoso, nada tem a temer".
Confúcio.

pássaro

O Tao é a natureza
Via de regra ocorre um erro quando procuram simbolizar o TAO pelo desenho do Tei Gi. Na realidade o Tei Gi é uma representação da criação e não do Tao. O Tei Gi é uma figura composta por um circulo contendo duas polaridades. Sabe-se que polaridade é algo inerente à vibração, sendo assim não pode ser a representação do Tao pela própria definição deste. Na realidade o Tao não pode ser definido, pois ele corresponde a qualquer coisa, a tudo quanto existe. Quando algo pode ser definido por certo não é Tao.

Temos escrito em diversos temas sobre o NADA e tudo o que dissemos a respeito Dele enquadra-se "in totum" no conceito de Tao. O Tao é o Nada, é Brahmân. Na China esse NADA é chamado de Tao e representado pelo Wu Gi e cuja correspondência bramânica é Brahmân, em contraposição ao Tei Gi que representa a criação e que é chamado no Bramanismo por Brahma.
universo
Tei Gi
universo
Wu Gi
Na realidade o Tao é representado por um circulo vazio. É um círculo incolor e indefinido do Absoluto, onde coisa alguma que a concepção humana possa conceber pode constar no seu interior. Embora não seja um NADA ao nível do Poder Superior o é, porém, ao nível da mente humana.

Se um principio pode ser definido não é o Tao. Tao é um princípio, a criação, por outro lado, é um processo. Toda Criação é apenas um desdobramento segundo o Tao.
O Tei Gi representa a creação em pleno equilíbrio inicial. Nele estão configurados todos os princípios herméticos, desde a polaridade até o movimento. Na realidade no momento em que no Wu Gi estabeleceu-se a vibração surgiu então o Tei Gi. Na realidade essa figura mostra uma onda ( vibração) no interior daquilo que antes era o "vazio". A criação poderia continuar assim, em pleno equilíbrio, mas nesta condição coisa alguma aconteceria, não haveriam os desdobramentos na creação; a creação não tornar-se-ia criações.

Tao é aquilo que contém o universo e dar-lhe dimensão; o seu peso não pode ser medido e nem a sua profundidade determinada. Ele torna detectável o que antes era indetectável, visível o que antes era invisível. Fluindo como uma fonte sua energia penetra o vazio. Ele gera o espaço e preenche-o quando transforma-se do escuro caos na claridade de cristal.

Tao é aquilo que penetra o Universo e toca todas as suas partes. Ele não pode ser esgotado nem tornar-se exuberante, e nem decair. Não pode ser contraído e nem expandido, não é grande e nem pequeno, pois não detém dimensões.

"O insondável que se pode sondar não é o verdadeiro insondável".

Diz o Taoísmo: "Tao não é escuro e nem claro, contém o equilíbrio entre o escuro e a luz. Ele é tão tênue e tão sutil que impregna todas as coisas como a água embebe a terra. É devido ao Tao que as montanhas são altas e os abismos profundos, que ao animais andam e os pássaros voam, que o Sol e a Lua brilham, e as estrela movem-se em seus cursos. Todos os mistérios vem Dele e são resolvidos por Ele. É pelo Tao que as estrelas e a terra se movem, é o inicio e o fim da creação".

Tudo a respeito do Tao é mistério, coisa alguma se pode conceber a despeito Dele. Não tem energia, mas toda energia do Universo provém Dele, por isso a melhor palavra que podemos usar para citá-lo PODER.

Toda Criação desdobra-se segundo o Tao. A sucessão de porquê levam ao Tao, é o alfa e o ômega de tudo quanto há.

No Tei Gi vêem-se dois pontos, um escuro e outro. De uma forma lata é ensinado que eles mostram que uma polaridade contem a outra. Isto está certo, mas simplesmente não explica o porquê. Este assunto praticamente não é mencionado nos livros que versam sobre o assunto. Para entender vamos considerar um circulo representativo do NADA (Tao). Para que ocorresse a creação se fez prciso que o UNO se fragmentasse. No desenho está explícito o primeiro desdobramento do Unvo.Para que ocorresse a criação o Uno se desdobrou de uma forma que pode graficamente ser representada por uma senoide que, colocada dentro de um circulo limitativo, configura o Tei Gi.
universo

Pelo desenho vemos que a parte superior da senoide, que representa a polaridade positivava (+), decai progressivamente até se tornar negativa ( - ), após atingir um limite representado pela linha pontilhada. Ali o claro transforma-se em escuro e vice-versa. Mas, indagamos, quando é exatamente que o positivo se transforma em negativo? - Eis novamente o paradoxo de Zenão. Segundo já mostramos algumas vezes em que nos tivemos nos defrontando com esse paradoxo, tal condição somente ocorre no infinito; e se tanto o fim quanto o principio de cada polaridade estão no infinito, então, tem-se que admitir que uma polaridade indubitavelmente contém a outra.
Embora o uso do termo Tao seja absoluto no Oriente, por seu turno no Ocidente é mais usado o termo "Nada", até mesmo ao nível da ciência oficial, desde que a Física Quântica atualmente vem chamando-o de "Vazio Quântico".

O Tao não é uma coisa, pois, por mais profundamente que se penetre jamais se chega a algo que se possa chamar de Tao. Tao é um "princípio", o que mais a concepção humana pode conceber é ser um Poder Superior.

Todas as coisas existem pelo Tao, mas o Tao não existe pelas coisas, mas manifesta-se pelas coisas. É a lei de todas as coisas, de todos os eventos. O Tao é o único algo que não tem oposto, é o zero. A criação não é o oposto do Tao porque o Tao está nela, faz parte dela, portanto não é algo afastado para se constituir um pólo.

O zero ( 0 ) não tem valor, mas valoriza os números. O zero não é nada, o um sim, mas quando o zero é colocado à sua direita eles assume um outro valor, dez. Zero colocado entre números manifesta-se expressando valores diversos. Assim o zero não é nada, mas ao mesmo tempo é algo que manifesta-se através dos números. O mesmo se pode dizer do Tao, ele por si não é algo mais condiciona tudo aquilo em que se manifesta de alguma forma.

Todas as coisas se comportam segundo o Tao, mas o Tao não se comporta. Não há existência precedente ao Tao, Tao é eterno. Não está na eternidade, mas é a própria eternidade.

John Heider assim menciona o Tao: "Eis o que o Tao não é: Não é uma coisa. Não é um som nem qualquer outra vibração; Não é divisível em partes. Não muda. Não pode ser diminuído ou aumentado. Não tem companheiro e nem complemento". "Eis o que o Tao é: É Uno. Define todas as coisas. Precede todas as coisas. É a lei de todas as coisas. A palavra que mais ajuda na definição do Tao é a palavra como, pois o Tao é o principio de como tudo funciona".
Embora careça de forma e de qualidades, o Tao está em toda parte, a todo tempo, para sempre.

Imagine-se os quatro níveis: as Pessoas, a Terra, o Cosmo e o Tao. Os primeiros três estão sujeitos ao seguinte e maior. Os homens dependem da Terra. A terra depende do cosmo. O cosmo depende do Tao. Mas o Tao não depende de nada.

Disse Lao-Tse: " Nas profundezas do Insondável jaz o Ser. Antes que o céu e a terra existissem, Já era o Ser. Imóvel, sem forma. O Vácuo, o Nada, berço de todos os Possíveis. Para além de palavra e pensamento está o Tao, origem sem nome nem forma, a Grandeza, a Fonte eternamente borbulhante. O ciclo do Ser e do Existir.

TAO É O PRIMEIRO DOS PORQUÊS



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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 01 de Fevereiro de 2003
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