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O Estigma da Menstruação

“Muitas mulheres vêem o sangue menstrual
com as marcas que o patriarcado lhe colocou..."


Autor: José Laércio do Egito




Não faz muito tempo que a menstruação deixou de ser considerada sagrada; ela não só perdeu esse lugar como passou a ser considerada algo negativo, incômodo, imundo, e indesejável. Essa mudança começou a se efetivar desde que o machismo se tornou dominante.

O poder feminino estava ligado à menstruação nas sociedades primitivas e os Patriarcas machistas, inspirados por Jeová, sabendo do poder que a menstruação pode conferir, procuraram uma forma de evitar que as mulheres usassem esse poder, para torná-la meros objetos de reprodução e prazer. Para isso, a maneira mais simples que eles encontraram foi desacreditar, ridicularizar qualquer ritual inerente à menstruação, evitando que deixassem de ser feitas muitas formas de reconciliação da polaridade feminina com a natureza.

Para a consecução desse objetivo, todo ritual inerente à menstruação foi sendo taxado de tolice, e ensinado que a menstruação não tinha função alguma a não ser a de substituição do endométrio uterino. Não havia nela nenhuma fonte de poder, e isso foi tão ardilmente preparado que a menstruação passou a ser uma condição indesejável. Assim a mulher se desinteressou de fazer criar certos símbolos, certos objetos de poder, praticar rituais simples, mas de grande eficiência no sentido de elevar a sua auto-estima; os rituais, que no passado eram comuns, praticamente deixaram de ser realizados na sociedade atual. Para reforçar o intento machista, foi dito que o mênstruo era algo sujo, imundo e sem valor! Na verdade o mênstruo é impuro apenas energeticamente; na verdade ele não é impuro, mas é pode assim ser considerado por ser o veículo que leva para fora os resíduos energéticos indesejáveis. Como diz o velho ditado: “Não existe água impura, mas sim impureza na água”. Do mesmo modo é o mênstruo, ele não é impuro por sua própria natureza, mas sim pelo fator energético que conduz, por veicular elementos energéticos que precisam ser descartados.

O machismo conseguiu um formidável tento na sua pretensão de anular a mulher, ao conseguir que ela renegasse totalmente o que de mais precioso existe em sua natureza, repudiar uma colossal fonte de energia capaz de conceder-lhe supremacia. O que é interessante, o ardil foi tao bem preparado que hoje é a própria mulher quem mais repudia a menstruação.

A dissintonia que foi estabelecida entre a mulher e a menstruação acarretou um desequilíbrio energético muito grande em seu organismo; sem o poder de sua natureza, a mulher ficou muito indefesa em ralação ao homem e daí a condição de subalternidade e de baixa estima em que hoje se encontra.

Levantando-se contra a condição de submissão surgiu o movimento feminista. Isso é algo muito importante, mas sem qualquer valor prático desde que os meios utilizados por ele não garantem nenhum poder pessoal. Não é conquistando certos direitos na sociedade que a mulher conquistará os seus direitos, ela pode até conseguir direitos civis, mas não é isso que dita a pretensa superioridade masculina, mas sim o poder energético.

As leis civis de direitos da mulher estão sendo conseguidos, mas daí para o poder real há grande distância. Os princípios pregados pelas “feministas” jamais levarão à libertação da mulher. Nenhum luta civil, ou social fará com que o machismo seja derrotado. A mulher pode conseguir direitos, mas isso nada vale se ela não reconquistar o poder feminino. Não são as leis civis que vão dar-lhe um padrão de autoconfiança; Ela pode ocupar cargos elevados na sociedade, mas sempre dependerá do homem, isso somente porque inconscientemente ela sabe que não tem poder real.

Diante disso o fundamental é a mulher resgatar o seu poder real. Basicamente ela tem muito mais poder do que o homem; é ela a geradora da vida humana, tem em si a maior parte do poder de crear vida biológica. O Poder Divino se manifesta através as Mãe Natureza, aquele poder gerador, que tudo constrói, modela e governa.

Em nível de energia o poder dela é bem superior ao do homem. De igual para igual a mulher tem poder acentuadamente superior ao do homem. Se isso não acontece é porque ela perdeu esse poder, ou melhor, o deixou adormecido levados pelos ardis do machismo. Mesmo que ela ignore, ainda assim há como recupera-lo.

Mesmo que o homem não saiba disso, ele age como dominador não por ter mais energia do que a mulher, mas, sim, porque foi preparado pela sociedade para dominar, e a mulher para ser denominada. A mulher reclama dessa condição, protesta, mas submete-se, isso por desconhecer o potencial que tem dentro de si. Para que ela possa ocupar o seu lugar de direito é necessário que volte a fazer sentir o poder de sua natureza e isso fundamentalmente é algo da própria feminina. É preciso promover um resgate energético. Se as “feministas” soubessem disso não estariam fazendo protestos, discursos e coisas assim; elas gastariam o tempo em reativar o poder adormecido. Nenhum protesto em praça pública, nenhum desfile de rua, nenhum discurso em assembléias legislativas e Senado promoverá a supremacia da feminilidade.

A elevação do feminismo até um nível de equilíbrio com o machismo é fundamental que aconteça, mas isso só será possível mediante o incremento do poder feminino. O pior é que a mulher continua entrando no jogo do machismo, acreditando que o útero não tem outro valor a não ser gerar filhos, que a menstruação é uma coisa dispensável, que pode ser abolida, por isso se submetendo a mutilações prejudiciais, debilitantes do seu grande poder energético pessoal. São as mulheres as primeiras imporem isso a elas mesmas. Defendem a unhas e dentes a histerectomia, a supressão medicamentosa da menstruação, etc. Ignoram que tudo isso pode seria sanado se estabelecessem a harmonia rompida com suas condições femininas.

Isso pode ser feito facilmente, o difícil é convencer a mulher da pratica de certos exercícios. É muito difícil convencer a mulher de que existe esse poder roubado, e que é possível o resgate. Acontece assim porque muitos conceitos estão tão enraizados na formação feminina que ela mesma acha impossível elimina-los.

A civilização atual chegou a um ponto tao crítico que é preciso trazer de volta à mulher o seu poder, pois que só ela tem possibilidade de salvar determinados valores esquecidos, ou negligenciado pelo domínio machista. É preciso livrar a mulher do estigma da inferioridade. Ao homem isso é importante porque só há estabilidade através do equilíbrio dos opostos. Uma sociedade machista, em longo prazo, é inviável, do mesmo modo que uma feminista. O equilíbrio está no meio, portanto os extremos têm que ser evitados. Assim só pode haver harmonia com o machismo manter o seu poder paralelamente ao poder da mulher. A união de um par de pessoas não visa apenas à reprodução, há muito mais que isso.
A V\O\H\ fiel aos ensinamentos do Antigo Egito tem como um dos objetivos, contribuir para o resgate do feminino.

No Antigo Egito a mulher era tratada de igual para igual, e muitos conhecimentos eram dados nos templos dedicados à Deusa Hathor.

Somente com a união equilibrada é que a humanidade pode viver em melhores condições, e combinando esforço poder se libertar do domínio de inúmeras forças espúrias.





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br






   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 06 de Junho de 2006
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