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Aspectos da Doutrina Pitagórica
" Feliz quem atravessou os mistérios
e conhece a origem e o fim da vida"
Píndaro
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Números
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Pitágoras viveu em Crotona por cerca de trinta anos. Em vinte anos lá ele já havia adquirido um prestígio tão grande que muitos co divinizavam e o seu prestígio estendia-se a muitas outras cidades e estados.
Aquele que procurava
Pitágoras para ser discípulo não era de imediato admitido,
mas também não era desencorajado. Depois de contatos repetidos
o noviço entrava no interior da morada do mestre e solenemente
era admitido no número dos seus discípulos. Dai surgiram
duas expressões "esotérico" (= os de dentro) para
os admitidos e exotérico(= os de fora) - para os
não admitidos. |
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A primeira revelação dos ensinamentos pitagóricos consistia em uma exposição completa e racional da doutrina oculta, desde o início até o término da evolução universal, incluindo e sentido e a finalidade suprema da psique. O discípulo era iniciado na ciência dos números. No Egito a ciência dos números era conhecida e ensinada nas Escolas de Mistérios, assim como era ensinada aos iniciados nos templos Ásia, sob nomes diferentes.
Os algarismos, as letras, as figuras geométricas, as figurações humanas, tinham o valor dos sinais da álgebra, mas também um sentido oculto que só era entendível pelos iniciados. Os mestres só revelavam aos adeptos certos símbolos, e especialmente o que significavam, depois de juramentos de silêncio que eram cobrados à risca.
SSobre a ciência dos números Pitágoras escreveu um livro intitulado " Hieros Logos" (A Palavra Sagrada). Esse livro foi perdido, mas muito do que nele estava escrito foi fornecido parcialmente pelos pitagóricos, entres estes Filolaus, Arquitask Hiérocles, nos diálogos de Platão, e nos tratados de Aristóteles, de Porfirio e de Jamblico. Nos trabalhos desses filósofos está contida a maior parte daquilo que Pitágoras legou à humanidade.
Pitágoras chamava
seus discípulos de matemáticos, porque seus
conhecimentos superiores começava pela doutrina dos
números. Era uma matemática sagrada, mais transcendente,
mais viva, do que a matemática profana reconhecida
dos sábios e filósofos de então. Na matemática sagrada
um número não se reduzia a quantidade abstrata. Era
uma virtude intrínseca e ativa do UNO SUPREMO, de
Deus, fonte da harmonia universal. Assim, a ciência
dos números eram forças vivas, faculdades Divinas
em ação no mundo, no homem, no macrocosmo, e no microcosmos.
Através dos números Pitágoras elaborava uma teogonia
ou teologia racional. Dizia Pitágoras: Pelos
números deus se mostra e mostra o encadeamento das
ciências da natureza.
Pitágoras denominava
UNO o primeiro composto de harmonia, o Fogo Gerador,
que atravessa tudo, o Espírito que se move
por si mesmo, o Indivisível, o Grande
Não Manifesto, cujo pensamento criador está manifesto
nos mundos efêmeros, o Único, o Eterno,
o imutável, oculto sob as coisas múltiplas
que passam e que mudam.
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Disse
o discípulo Filolaus, referindo-se aos ensinamentos
de Pitágoras a respeito do Uno: "A essência nela
mesma foge à percepção do homem. Este somente conhece
as coisas deste mundo, onde o finito combina-se com
o infinito. E como pode ele conhecê-las? Há entre
ele e as coisas uma harmonia, uma relação, um Principio
comum. Esse princípio lhe é dado pelo Uno, juntamente
com a sua essência e a sua inteligibilidade. É a medida
comum entre o objeto e o sujeito, a razão das coisas,
mediante a qual a alma participa da razão ultima das
coisas: O UM[1]. Mas como se
aproximar do Ser inapreensível? Alguém já viu
o senhor do tempo, a alma dos sois,
a fonte das inteligências? Não? Somente confundindo-se
com ele é que se penetra em sua essência. É semelhante
a um fogo invisível, no centro do universo, como uma
chama ágil a circular em todos os mundos e movendo
a circunferência". |
Mostrava o Mestre aos discípulos que a posse da verdade levava anos, não era conquistada num só dia como muitos pretensos discípulos pretendiam. Temos visto amiúde discípulos que quando não conseguem saciar a sua curiosidade de imediato logo se afastam, partem em busca de conhecimentos fáceis, acessíveis, mas que em grande parte são falsos.
"Pensamentos
fáceis são fáceis areias que os ventos levam e trazem.
Fazei-os voar a altos fins e eles serão inatingíveis".
M\ Arthur
Veloso.
Não se distribui brilhantes indiscriminadamente; jóias são dadas a quem as merece receber. Não é pelo vão desejo movido pela curiosidade que pérolas de luz são derramadas sobre vãos buscadores. Só coisas sem valor são distribuídas de forma indiscriminada. O que tem valor é guardado com zelo e destinado aos escolhidos. Deus distribui tudo às pessoas, mas poucos são os que as recebem integralmente. O verdadeiro mestre mostra e fala daquilo que sabe, mas embora muitos vejam e ouçam são pouco os que escutam e enxergam e menos ainda os que entendem...
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Em seus ensinamentos
Pitágoras dizia: "A obra da iniciação está na
aproximação do grande Ser, assemelhando-se a ele,
tornando-se tão perfeito quanto possível, dominando
as coisas pela inteligência, tornando-se ativo como
Ele e não passivo como elas. Vosso próprio ser, vossa
alma não é um microcosmos, um pequeno universo? Mas
ela está cheia de tempestades, de discórdias. Assim,
pela iniciação trata de realizar a unidade na harmonia
dentro de vós. Então Deus descerá em vossa consciência,
então participareis do seu poder, fareis da vossa
vontade de ferro a pedra do lar, o altar de Hestia,
o trono de Júpiter! |
Assim o mestre mostrava o quanto é importante uma sincera iniciação, não uma iniciação simbólica, até mesmo teatral como hoje se pratica em algumas doutrinas, mas uma iniciação sincera visando a renovação da natureza individual.
Eis o primeiro
dos princípios ensinados pelo Mestre: "Deus, a
substância indivisível, tem por número a Unidade que
contém o infinito, e por nome o de Pai, Criador, ou
Eterno Masculino, e por signo o Fogo vivo, símbolo
do Espírito, essência do Todo"...
Segundo ensinava
Pitágoras: "As faculdades divinas no iniciado
manifestam-se como um ponto, que evolui como um lótus,
ou uma rosa que se desdobra em mil pétalas. A partir
de um ponto as coisas desabrocham
no universo".
Pitágoras mostrava
que tudo pode ser expresso por números, até mesmo
a natureza íntima das coisas, a Essência Divina. Dizia
que a Mônada age como a Díade Criadora, que Deus quando
se manifesta é duplo, essência indivisível e substancia
divisível, princípio masculino, ativo animador, e
principio feminino, passivo, matéria plástica animada.
A Díade representa, portanto a União
do Eterno Masculino e do Eterno Feminino em Deus.
Devemos entender a Mônada como sendo Deus, o UM inconscientizável, a Origem Primeira de tudo dentro da Creação, a Essência de Deus e a Díade, a Mônada polarizada, ou seja, o desdobramento do UM em DOIS e conscientizável como TRÊS.
Em decorrência
do exposto torna-se evidente que a imagem perfeita
de DEUS não é só o homem, mas o homem e a mulher,
do que resulta a invencível atração recíproca de um
pelo outro, fonte causa de amor, a busca do Eterno-Masculino
e do Eterno-Feminino unificação das polaridades em
UM único ser. Assim são bem significativas as palavras
do Mestre nos Números: "Honra à Mulher, que
nos faz compreender a grande Mulher, a Natureza. Que
ela seja a sua imagem santificada, que ela nos auxilie
a subir os degraus de escada que vai até a grande
Alma do Mundo, que concebe, conserva e renova, até
a divina Cibele, que conduz as almas em seu manto
luminoso".
Homem, mulher, aspectos polarizados do "Um", atingível apenas pela reversão da polaridade. Sendo assim o homem só chega a Deus pela mulher e esta pelo homem. Opostos de uma mesma natureza, amor, tendência à volta à Unidade.
Se na creação
o "Um" se desdobrou em "Dois" na unificação
este tem que voltar a ser "Um". Se o homem é
um dos pólos e a mulher o outro, pela união das duas
polaridades é que se recompõe a unidade. Não é aglutinando
num mesmo pólo que se chega à polaridade única. É
a reversão da polaridade que se chega à origem. Na
realidade no Uno as duas polaridades têm que desaparecer.
Tomemos como exemplo o comprimento de algo. Partindo
de algo com um metro de comprimento e se formos aumentando,
adicionando a um dos extremos, os pólos vão se afastando
entre si Não existe forma alguma que possa fazer o
tamanho voltar à medida inicial adicionando-se, acrescentando
a um dos extremos. Por mais que se junte, que se some
a um dos extremos o que se consegue não é a unificação,
a junção dos dois em um só e sim o afastamento, o
alongamento do bipólo. A fusão dos pólos ocorre não
pela adição, mas pela subtração. Só existe uma maneira
de regresso ao tamanho original que é exatamente pela
aproximação dos dois extremos o que permite a reversão
à origem.
Por mais que se adicione em uma das polaridades jamais se chega ao Um, jamais acrescentando tamanho a algo se chega ao Um.
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Conhecer o mistérios dos números é conhecer os próprios mistérios da natureza. A natureza se manifesta por leis e as leis são estabelecidas de uma foram que podem ser expressas pelos números.
Temos estudado os números segundo diversos sistemas místicos. Até mesmo, como veremos em outras palestras, até mesmo os ensinamentos de Salomão estão baseados em números e figuras geométricas. As doutrinas autênticas, mesmo que não mencionem os números diretamente, ainda assim os seus ensinamentos podem ser facilmente relacionados com os números.
Há doutrinas antigas como Cabala, e outras mais recentes como a Maçonaria, que usam os números como base de ensinamentos, mesmo que algumas não os mencionem diretamente. Até mesmo no catolicismo vamos encontrar menção aos números quando fala da Santíssima Trindade dizendo que existem três natureza divinas: Pai, Filho e Espírito Santo e que os três se continuem apenas um, três naturezas em uma só. Isto é exatamente o que disse Pitágoras e o que dizem ainda muitas outras doutrinas.
O UM representa Deus em si, a Causa Primeira, na qual todas as coisas, todos as idéias e todos os opostos se reconciliam. Como sendo um ponto de confluência, o UM é representado pelo ponto, o centro de tudo.
No DOIS está a dualidade, a bipolaridade de criação, o afastamento da perfeição.
Segundo Pitágoras, no Um, que é Deus, extinguem-se todas as polaridades. Segundo afirmava o número UM assim como todos os números impares são masculinos, ao passo que Dois e todos os pares são femininos.
No três é o Deus imanente, com princípio, meio e fim e no plano humano representa o casamento pai - mãe - filho.
Em nossas palestras temos estudado alguns dos aspectos dos números; nos baseamos nos ensinamentos da Ordem Pitagórica, de um dos autênticos ramos do hermetismo (V\O\H\) e de algumas outras ordens e confrarias iniciáticas.
Pelo conhecimento dos números se pode sentir como o universo está organizado, se pode partir do material e chegar ao espiritual; do limitado chegar ao absoluto. Pelas asas dos números a compreensão viaja rumo ao infinito; parte do relativo, e direciona-se ao infinito; parte do inferior, e ruma em direção ao Superior; do descontinuo para o continuo[2].
De uma maneira sucinta, pelo que temos mostrado, os três primeiros números dizem respeito à gênese do universo, à formação e à criação.
O "QUATRO" desde os tempos mais remotos, reforçado pela escola pitagórica, sempre foi relacionado com o que é material, com a matéria propriamente dita, e com fenômenos que interferem com a matéria. Quando se refere ao homem significa o mortal que vive na terra, come, ama, e dorme, e não à uma entidade espiritual. O homem no sentido espiritual não está relacionado com o quatro. Seja qual for a sua forma, o número quatro relaciona-se com o plano material ou terrestre em oposição ao número três, que se refere ao que é divino ou espiritual. Quatro é duas vezes dois, portanto uma intensificação do número dois, da separação, das descontinuidade. Intensificação das qualidades separativas do DOIS, portanto a matéria bruta.
No quatro cada elemento faz parte e de um dos pares de opostos. Assim é que qualquer um pode eliminar o outro. A água pode eliminar o fogo, o ar volátil pode levar a terra que é fixa.
Platão dizia que o número três diz respeito a idéia enquanto que o número quatro está ligado à realização da idéia.
Se analisarmos a Gênese Bíblica vemos que os três primeiros dias são dedicados a ordenação dos campos de potencialidade em que pode se apresentar a vida. As formas de vida, porém, só são concretizadas no quarto dia e nos seguintes. No primeiro dia fez a luz, no seguintes a separação dos oposto. A luz é separada das trevas (polarização). O céu separado da terra e a terra separada do mar e assim sucessivamente. No equilíbrio da criação, luz e trevas encontram-se absorvidas uma pela outra assim como a atividade pelo repouso, o som pelo silencio. O quatro diz da estruturação das coisas ao nível do mundo denso incluindo as pessoas; o Cinco, a maneira e meios como a criação interagem com criador, como o quatro percebe e interação com o UM, DOIS e TRÊS. É o número que rege todos os processos biológicos; o Seis como o ser crido pode se transformar (número da transformação) Por isso todos os ensinamos que visam a transformação dos seres, do caráter, baseiam-se no número seis. O sete diz respeito à natureza vibratória do universo, a base física da natureza que do mundo material quer do energético. O oito e a continuação do sete, pois diz respeito às oitavas vibratórias. O nove diz da interação de todos esses elementos estruturando a base daquilo que chamamos vida manifesta.
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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
Nas matemáticas transcendentais, demonstra-se, algebricamente, que zero multiplicado
pelo infinito é igual a UM. Na ordem das idéias absolutas, zero significa o ser
indeterminado. Para representar o infinito, o eterno, na linguagem esotérica, usa-se como
símbolo um circulo constituído por uma serpente a morder a cauda. ( É um símbolo denominado
Uroboro que encerra ensinamentos interessantes sobre a natureza da criação.
Na palestra "A Natureza Simétrica " dissertamos com mais detalhes a respeito deste
simbolismo.) Quando o Infinito se dinamiza produz todos os números a ele inerentes e
que ele governa em perfeita harmonia. Tal é o sentido transcendente do primeiro problema
da primeiro problema da TEOGONIA PITAGÓRICA, em que está explícita a razão pela qual a
grande Mônada contém manifestas e imanifestas todas pequenas. Todos os números saem
da unidade ao mesmo tempo em que cada número contém a unidade. Todos os números saem
da unidade em movimento. Um numero é conteúdo e continente ao mesmo tempo.
[2] -
Nossos escritos estão baseados no que ensinou a Cabala, no que ensinou Pitágoras, Salomão, Hermes e Apolônio de Tiana e alguns outros MESTRES cujos nomes declinamos de mencionar por razões particulares
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