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O Som Cósmico


" A música é a voz harmoniosa
da criação "

Mazzini

música

Cordas
No atual Ciclo de Civilização - Raça Ariana - os mais antigos registros sobre o poder dos sons foram deixados pelos Vedas. Uma parte dos ensinamentos dos Vedas consta na obra Upanishad que no tocante aos sons diz: " A silaba OM, é o percebível Brahmâ, é o universo. O que quer que tenha existido, o que quer que exista, o que quer que venha a existir, é OM. E o que quer que transcenda o passado, o presente e o futuro também é OM ".
As religiões ocidentais basicamente estão ligadas ao Antigo Testamento que data de período mais recente que os Vedas. No Livro Gênese consta que o mundo foi criado pelo poder da palavra, onde é chamada de "O Verbo". Vale salientar que enquanto os Hindus não tinham dúvida haver sido o som OM o elemento formador de tudo quando há, por sua vez os cristãos não afirmavam o mesmo a respeito do Verbo. Somente a partir do século V d.C. foi que eles começaram a aceitar que o universo teve origem real a partir de uma vibração sagrada, o Verbo de Deus. Nos primeiros séculos, havia, portanto, uma divergência marcante entre os primitivos cristãos e os rabinos que interpretavam literalmente o Torah, desde que os cristãos aceitavam a origem do mundo a partir o Verbo Sagrado como uma forma de alegoria, em discordância, portanto, com o pensamento dos rabinos conhecedores da Tradição da Cabala que afirmavam ser o Verbo a vibração essencial originadora de tudo quanto foi criado[1].

Como afirmamos antes, a palavra OM provêm dos Vedas, portanto o OM antecede o termo VERBO mencionado no Antigo Testamento. Mas, não foram apenas os Vedas e o Antigo Testamento que têm termo próprio que identificam o som criador. Existem outros termos equivalentes de conformidade épocas e lugares distintos. Entre eles: Som Cósmico, Vibração Primária, Logos, Música das Esferas, Verbo, Sons Harmônicos Celestiais, Tom Único, Som Sem Som, Amen, e outras mais, que podem ser consideradas sinônimos desde que se referem ao som não audível da primeira vibração.

Todas vibrações manifestam-se como sons, mas nem sempre se tratam de sons audíveis por carência de sintonizadores biológicos, ou tecnológicos, adequados para detectá-lo.

Com o OM, que os egípcios denominavam AMEN, o G\A\D\U\ deu início à criação e tudo o mais que veio depois na realidade são desdobramentos sonoros do OM, pois nele já estavam implícitos todos os outros sons, e também, harmonia, ritmo e melodia.

Diziam os Vedas: " Através do poder vibratório do OM, Deus criou e sustenta o universo inteiro ". Este mesmo ensinamento traduzido em linguagem mais moderna pelos Hindus: "Descendo a vibração dos raios do puro espírito para arena do tempo e do espaço, o OM molda e organiza a matéria-energia primordial de maneira que provoca a coalescência dos átomos, revelando-se, dessa forma, a matéria física.".

Os Vedas já diziam há 4 mil anos passados que o som audível, a luz e o calor são uma mesma coisa, ou seja, a força vibrátil do OM manifestando-se em diferentes freqüências e combinações de freqüências, e a partir daí gerando tudo.

Lendo-se as escrituras védicas e as do cristianismo vê-se que existe uma identidade total entre o conceito do OM e do Verbo. No Gênese bíblico consta: "No Princípio era o verbo..." e os Vedas; "No principio era OM".

Os Vedas davam grande ênfase ao som audível, pois consideravam a manifestação do próprio Som Cósmico. No sânscrito - língua falada pelos Vedas - existem duas denominações para fazerem distinção entre o Som Audível e o Som Cósmico. Para designar o primeiro existe a palavra ahata e para denominar o segundo o vocábulo anahata. Ahata, o som audível, pode ser ouvido por todos por meio do ouvido, ao passo que anahata, só pode ser percebido pelo ser humano em elevado estado de contemplação. O som audível - ahata - na verdade é a manifestação do anahata, ou seja, manifestação do OM pelo que a música também tem um sentido sagrado para os Brâmanes por conter um certo poder oriundo da palavra de Deus.

Os hindus, tanto quanto os chineses, consideram o som audível como algo capaz não só de influenciar a mente e as sensações do homem, mas também de moldar e alterar os efeitos físicos que têm lugar no mundo.

De todas as formas de som audível os dotados de maior capacidade de exercer efeitos são a voz por ter dupla capacidade. Uma diz respeito às propriedades do som em si, dele poder ser inteligentemente controlado, ser adequadamente modulado. A segunda é a capacidade de veiculação da mensagem inteligível. A par dessa capacidade o homem tem a capacidade de construir instrumentos sonoros que podem ser direcionados especificamente para muitas finalidades, conforme já comentamos.
"Os sons entoados faziam parte da complicada estrutura das oferendas e sacrifícios védicos. Isto era uma decorrência do poder dos sons. Palavras pronunciadas com a entoação correta determinam a eficiência dos ritos, por isso um engano pode destruir tudo, pois os sons sustentam a ordem da sociedade humana e mantém a estabilidade do universo. Segundo a doutrina védica, por meio de cerimônias e de cânticos bem dirigidas à pessoa pode ter sobre muitos deuses e esse poder transmite-se pela palavra".[2].

Existem vários mitos entre todos os povos a respeito do poder da música. Na verdade por detrás de um mito existe um fundo de verdade. Talvez o que vamos transcrever seguir pode tratar-se de lendas, mas também podem ser verdade histórica. Existe uma milenar estória na Índia: " Uma jovem cantora, cantando com perfeição uma certa raga impediu a eclosão de uma escorces de alimentos em Bengala, obrigando as nuvens a derramarem seus vapores condensados sobre as plantações ".

Outra tradição faz referência aos terríveis efeitos mágicos do Dipaka Raga, a qual, segundo se dizia, destruía pelo fogo quem quer que tentasse cantá-la. " De acordo com a historia, o Imperador Akbar ordenou a um famoso musico, Naik Gopaul, que cantasse aquela raga. O motivo de Akbar para fazê-lo era provar, sem sombra de dúvidas, que o raga possuía realmente aquele poder. Gopaul tentou eximir-se, mas Akbar insistiu em que ele lhe obedecesse. O cantor, portanto, pediu licença para voltar para casa a fim de despedir-se da família e dos amigos. A licença foi-lhe concedida; Gopaul voltou. Era inverno e as águas estavam próximas do congelamento, pois estava chegando o inverso. Assim, antes de dar início ao canto, Gopaul entrou no rio Humna, e deixou que a água lhe chegasse até à altura do pescoço. Esperava ele que o frio do rio o protegesse. Mas logo que entoou as primeira notas o rio se aqueceu. Gopaul continuou a cantar e o rio começou a ferver. Nesse ponto o cantor, agonizante, suplicou que o dispensassem do canto, mas Akbar não permitiu que parasse e assim Nalik Gopaul teve que prosseguir cantando e, em conseqüência disso, o seu corpo começou a desprender chamas violetas que acabaram por transformá-lo em cinzas!.[3][4].


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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Há uma estreita ligação entre o Verbo e a Água, como veremos na palestra seguinte.

[2] - Wellesz, Egon, Ancient and Oriental Music, vol. I da /The New Oxford History of Music, Oxford University Press, 1957

[3] - Ouseley, Sir W., Anedoctes of Indian Music", em The Oriental Collecion 1 e em Tagore, Sourindro Mohm, Hindu Music from various Authors, Calcuta, 1882,I, pag. 166.

[4] - Estórias assim, ligadas ao poder dos cânticos, não consta somente das antigas tradições. Na atualidade existem muitas doutrinas que têm estórias referentes a poderes pouco conhecidos dos cânticos. Na religião U.D.V. cita-se que o M. Gabriel em determinada ocasião fez uma "Chamada" - cântico - com a finalidade de libertar uma pessoa de uma força inferior. Depois eles disse que aquela chamada tinha o poder de retirar uma força obsessora e mantê-la em determinado lugar, mas, aquele que a fizesse indevidamente ficava estava sujeito a não conseguir voltar e também ficar espiritualmente preso naquele lugar.


   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 16 de Novembro de 2003
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