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Os Sons e a Água na Cosmologia do Egito Antigo
" Numerosas são as formas
daquilo que procede da minha boca "
Amen-Rá
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Todas as formas são sons
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Na palestra anterior falamos da relação entre os sons, os chacras, e os elementais; dissemos que as doutrinas baseadas nos Vedas valorizam mais o som da voz do que o som dos instrumentos isto porque a voz é passível de ser acrescida de ritmo, melodia, harmonia, pausas, intensidade, entonações e outros recursos que os instrumentos geralmente não oferecem. Também dissemos que os sons são desdobramentos do OM e que esta sílaba tem correspondência em diversos sistemas com o mesmo sentido. Falamos que os Vedas associavam o OM ao Princípio Creador, assim como nas religiões judaico-cristãs falam de "O VERBO".
Nesta palestra vamos falar um pouco da cosmologia egípcia na antigüidade e o que nela existe escrito sobre o som.
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O "Livro dos Mortos" do antigo Egito cita: " Numerosas são as formas daquilo que procede da minha boca". O deus Rá era também chamado de Amen-Ra, com o prefixo "Amen". O termo AMEN, ou AMN conforme entendiam os sacerdotes egípcios da antigüidade equipara-se ao OM dos hindus[1].
Praticamente todas as cosmogonias falam do som e da água no processo da criação; são dois elementos que quase sempre aparecem juntos.
Existe um papiro em que está escrito: " Ra falou no princípio da Criação e mandou que a Terra e os céus se erguessem da imensidão das águas ".
Segundo a cosmologia egípcia os deuses eram hábeis em pronunciar a palavra creadora. Com as "palavras de poder" a hierarquia dos deuses criavam e destruíam a forma, curavam os enfermos e davam vida aos mortos. Assim foi que o Deus RA pronunciou palavras criadoras a fim de dar existência a todos os "deuses menores" da hierarquia celeste. Ra também revelou o segredo de certas palavras de poder ao clero terreno; palavras mediante as os répteis podiam ser dominados, e diversas enfermidades e outros males podiam ser vencidos. Isto revela que o poder criador da fala não se limitava àquilo que muitos podem chamar de mito da criação do universo.
Segundo os escritos da antigüidade egípcia o poder criador e transformador não era apanágio apenas cos deuses; os mortais que soubessem manejar as palavras de poder também podiam invocar e dirigir as energias dos céus, de conformidade com o que um papiro que aparece a figura de Rá ordenando: " Ouvi-me agora! Minha ordem é que todos os meus filhos sejam trazidos para junto de mim afim de que possam pronunciar palavras de poder que serão sentidas na terra e nos céus."
Mesmo que tudo o que existe em alguns papiros, como o que mencionamos nesta palestra sejam considerados por muitos como simples mitos ainda assim mostra a existência de um paralelismo com relação ao valor que era dado aos sons entre sistemas religiosos afastados no espaço e no tempo.
A religião egípcia[2] afirmava que do mesmo modo como os deuses criavam - pela visualização e pela fala, também era possível ao homem operar mudanças no mundo físico. Considerava que a visualização combinada com certos mantras e invocações era uma chave vital no sucesso na maioria dos atos de magia que ocupava um lugar de destaque nas atividades dos sacerdotes. Indo mais adiante, afirmava que o homem, graças ao seu versátil aparelho vocal e à sua capacidade de construir instrumentos musicais, podia ser investido de um enorme poder desde que, conhecendo o som da nota tônica de um objeto e reproduzindo aquele som ele podia assimilar a energia daquele objeto, ou pessoa. Isto constituía a principal base da magia egípcia.
Tal como na China, também no antigo Egito era mencionado a existência de sete tons cósmicos, que eram chamados de "os sete tons principais do Amen". Existe um texto egípcio gnóstico de data e origem desconhecida que diz, talvez numa forma alegórica: " No princípio Deus riu sete vezes: Há - Há - Há - Há - Há - Há - Há. Deus riu e dos sete risos surgiram sete deuses que abarcaram todo o universo constituindo-se assim os primeiros deuses".
Vimos que a religião do antigo Egito de várias outras são concordes com a idéia da existência de seres que denominam de " os sete primeiros deuses" os quais na cosmologia das religiões védicas eram resultantes das sete primeiras diferenciações do Tom Único.
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Por sua vez os Hebreus chamavam a esses deuses Eloim. Em muitas passagens do gênese como consta na Bíblia, quando Deus decreta a Criação, a expressão "Senhor Deus" é, na realidade, uma simples tradução da palavra hebraica plural Eloim. Existe uma versão hebraica original que atribui ao Creador a denominação de "Deus dos sete Tons".
À cada um dos sete primeiros deuses emanados da Trindade é atribuído uma nota tônica da escala musical, e por isso os cabalistas colocam os sete deuses no lugar dos sete sephirot da "Árvore da Vida" onde também cada sephirah corresponde à uma das notas da oitava musical.
O mesmo é dito em referência aos ensinamentos hindus; mas no Hinduísmo faz-se uma distinção entre cinco e mais dois em referência aos cinco tons e os dois semitons. ( São considerados semitons duas das sete notas da escala diatônica ). Dizem os brâmanes: " Sete são os grandes Deuses abaixo do Trimûrti e só cinco deles trabalham Indras, Vayu, Agni, Varuna, Kshiti" e dois estão ocultos ".
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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
A palavra Amem é ainda hoje usada naturalmente como palavra final das orações do Catolicismo.
[2] -
Wellesz, Egon, Ancient and Oriental Music, vol. I da /The New Oxford History of Music, Oxford University Press, 1957
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