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A Música de Cura
" A música é a única
língua universal ".
Samuel Rogers
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Bem dirigidos, os sons curam
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Nem todas as pessoas que têm especial interesse pela música dão-se conta do nível de cura que ela pode determinar. A maioria dos psicólogos e outros especialistas da área indica a música como uma terapia, mas tomando como base a distração pelo deleite auditivo. Na realidade, além desse efeito existe um outro muito mais significativo, aquele que resulta da ressonância das notas e dos acordes sobre as estruturas celulares quer corporais quer mentais.
A melodia, o ritmo, e o andamento de uma música estão associados ao Princípio do Movimento e ao Espaço. Coisa alguma está parado no Universo, se algumas vezes algo parece parado é em decorrência do limite sensorial de cada um.
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O movimento está relacionado diretamente com a percepção; algo quando parece parado é porque não se consegue perceber o seu movimento, mas na realidade ele não está parado. Muitas vezes isto é decorrência do espaço; por exemplo, uma estrela vista naturalmente por dias, meses e mesmo anos seguidos pode parecer parada, mas se trata de uma decorrência da distância - espaço - pois na verdade ela está se deslocando com grande velocidade o que pode ser calculado através de instrumentos específicos (interação entre dois Princípios, o movimento com o espaço ).
Qualquer movimento envolve som e, consequentemente, ritmo. Havendo movimento há som, assim tudo quanto há no Universo emite sons e tem o seu próprio ritmo. Vale analisar que nas coisas complexas, composta de miriades de substruturas em movimento, na realidade existe um enorme amontoado de sons resultando disto um ritmo muito complexo. Embora não se perceba em tudo existe sons e ritmos compostos por múltiplas camadas. A música é som com harmonia e ritmo, mas fisicamente trata-se de energia cinética, energia em movimento ligando cada nota em seqüência e formando a linha melódica. Essa energia cinética determina a ressonância fazendo com que outras coisas ressoem em uníssono, entre esta o organismo. A ressonância que ocorrer sobre a matéria orgânica faz com que os ritmos vitais naturais das células, dos tecidos e dos órgãos
sofram alterações, entrem em ritmos especiais e isto pode se refletir em algum tipo de desequilíbrio ou de equilíbrio que irão se refletir sob a forma de doenças ou como saúde.
Em certas circunstâncias a música pode conduzir a pessoa a um estado de atemporalidade e nesse nível a mente aquieta-se e assim bloqueios, contenções, repressões, e outros estados assim podem desaparecer através da catarse de depósitos negativos da mente. Então, há como que uma lavagem da mente, uma purificação mental pela música. Por isto é que ela pode servir de instrumento desbloqueios psíquicos, permitindo a pessoa ver a si mesmo, penetrar naquilo que se tem chamado de intermomentos.
Atualmente a música tem sido um veio abusivamente explorado por músicos, e por pessoas inescrupulosas que exercem atividades de musicoterapeutas. Embora existam muitos curandeiros de música, embora as gravadoras etiquetem inúmeras músicas como sendo de meditação e especialmente de cura, na verdade elas não preenchem as condições básicas para que possam ser assim consideradas. Muitas vezes vêem-se anúncios de terapeutas e mesmo de clinicas de tratamento pela música; na verdade tratam-se de propagandas enganosas cujo principal objetivo é a exploração comercial por parte de pessoas que se dizem "experts" nas diversas qualidades da música, mas que na verdade são inescrupulosas e leigas no assunto. Como leigas é fácil usar músicas inadequadas em determinados momentos e em determinados casos, e, como conseqüência, em vez de ocorrer a harmonização das pessoas ocorra o oposto.
As gravadoras etiquetam muitos álbuns como "música de meditação", "música de relax", e "música de cura" quando na realidades elas nada têm a ver com o que é anunciado. Não é só por ter uma linha melódica lenta, suave, que uma música pode se enquadrar num daqueles itens; a fim de atender tais finalidades ela deve obedecer a normas técnicas especializadas.
Um dos principais objetivos dos nossos escritos não é ensinar coisas novas, mas especialmente o de alertar as pessoas a respeito de muitos perigos que se escondem sob o manto da positividade. Por isso estamos alertando também sobre a música desde que ela está sujeita a servir não somente como campo de exploração por parte de inescrupulosos, mas especialmente como instrumento dos propósitos da negatividade. Na verdade só queremos alertar, e não ensinar sobre esse ramo da ciência dos sons.
Por não sermos "expert" na física da música e não termos ainda conhecimentos técnicos que possam servir de novidade no campo musical, nesta palestra visamos apenas mostrar que o uso da música como terapia não é tão simples quanto pode parecer à primeira vista. Assim vamos transcrever uma tabela referente às condições que uma música deve ter para ser útil a nível terapêutico. Por ela veremos que se certas normas não forem cumpridas uma determinada música na verdade não pode ser etiquetada de "música de cura". Não é qualquer uma que pode agir no equilibro da saúde, pois para isto é preciso atender a certas condições próprias e definidas.
Uma música a fim de promover uma cura é preciso o que se pretende obter, o que se quer curar e isto envolve conhecimentos básicos. A música com esse fim não pode ser aleatoriamente indicada sem que sejam observados os devidos princípios técnicos, conforme constam na tabela. Cada estado orgânico requer um tipo adequado de música, na verdade deve ser dito que a musicoterapia constitui-se uma especialidade terapêutica e não uma prática tão simples como alguns podem acreditar. Esse veiculo de tratamento e cura merece atenção, nela estão envolvidos conhecimentos que não podem ser negligenciados, por isso se faz preciso uma criteriosa escolha, do contrário o efeito está sujeito até mesmo ser o oposto daquele que pretende obter.
Tabela proposta pelo musico-terapeuta Randall McClellan: [1]
CARACTERÍSTICAS DA MÚSICA DE TERAPIA.
Pulso ( quando presente)
Para acalmar e reduzir a tensão: igual ou inferior ao número de batimentos cardíacos (72 por minuto).
Para energizar: Ligeiramente superior aos batimentos cardíacos compreendido entre 72 e 92 batimentos por minuto.
Os compassos ternários devem tornar a respiração mais lenta e eficaz que os binários.
Ritmo: Suave e fluido o tempo todo para integrar os ritmos corporais internos aos fluxos de energia.
Drones[2]: Quando usados sem ostinatos, têm efeito calmante e meditativo. Notas para os drones: raiz e quinta, raiz, quarta e oitava; raiz, quinta, sétima maior, oitava; raiz, quinta, sétima menor, oitava; raiz, quarta, quinta, oitava.
Ostinatos[3]: Quando o pulso é baixo, harmonizam e integram os ritmos corporais internos, a respiração e os batimentos cardíacos. Quando rápidos, pode levar a um estado frenético.
Os ostinatos podem produzir estado de transe no ouvinte.
Melodias: Lentas e sustentadas para fins meditativos; seqüências tonais, sobretudo por passos; no mesmo andamento que os batimentos cardíacos ou ligeiramente superior para fins energizantes Notas extraídas dos modos de cinco, seis ou sete notas. Predominantemente diatônica e assimétrica. O excesso de andamentos diferentes deve ser evitado.
Dinâmica: De muito suave a moderadamente forte, dependendo da intenção do compositor; sem contrastes violentos entre suave e forte; as mudanças de nível dinâmico devem ser lentas e graduais, nunca repentinas.
Harmonia: Se for usada, que seja com moderação; deve ser modal e diatônica; deve restringir-se às terças e evitar as sétimas e novas, por serem demasiado pesadas; as mudanças no movimento de acordes deve ser extremamente lenta.
Duração: Um mínimo de l5 minutos de música constante; duração ideal de 20 a 45 minutos.
Textura: Um drone e um máximo de outras duas vozes para fins calmantes. As vozes devem estar bem espaçadas entre si. Quando forem usados ostinatos para fins energizantes, até quatro camadas deles podem ser usadas.
Qualidade Tonal: Em geral, os instrumentos de qualidade mais suave; o conjunto mais comum é flauta, corda e voz; outros tons puros de órgão (sem vibrato ), sintetizadores quando tocando ao modo de órgão e outros instrumentos acústicos de corda ou sopro.
Ressonância: O tempo deve ser sustentado de quatro a oito segundos, usando-se reverberação natural ou eletrónica para fins calmantes. Um mínimo de reverberação para os andamentos mais rápidos quando a intenção é energizar.
Estrutura frasal: Suave e fluida; uma frase dever durar pelo menos o tempo de uma expiração lenta, quando a intenção for acalmar.
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Na verdade essa tabela é clara para uma pessoa com boa formação musical, não para os leigos. Coloco-me entre estes, ainda, mas viso apenas mostrar a seriedade que envolve uma música com uma finalidade definida.
Ainda queremos salientar que o efeito da música sobre a saúde é cumulativo em longos períodos de tempo. Portanto, o tipo de música que ouvimos, a hora do dia em que a ouvimos, o ambiente que criamos para nós mesmos antes, durante e depois de ouvirmos e o que fazemos enquanto escutamos determina os benefícios que poderemos receber. Quando esses aspectos são observados ela equilibra as energias corporais; mentais; emocionais por meio da ressonância, pois é através da ressonância que a música pode impor padrões semelhantes ao campo eletromagnético pessoal, resultando disto maior quietude e equilíbrio
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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
The healing forces of music - Randall McClellan.
[2] -
Drones = zumbido, uma nota tocada ininterruptamente.
[3] -
Ostinatos = padrões melódicos e/ou rítmicos repetidos continuamente.
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