 |
 |
 |
A Música e a Descontinuidade
" O Homem sempre chega mais tarde
às verdades mais simples ".
L. Feuerbach
|

As vibrações tem assinaturas
|
O princípio mais diretamente ligado à constituição da música é o da vibração, na manifestação dessa vibração se faz sentir a descontinuidade. A primeira manifestação do Inefável que se faz sentir, em linguagem musical, é o OM e que na linguagem numérica corresponde ao Um e linguagem geométrica ao Ponto.
Nesta palestra vamos dar ênfase à creação e à unificação em termos de som. No plano da Transcendência a primeira manifestação a nível sonoro pode ser considerado o OM. Além do OM é o Inefável, que não tem som e nem atributo algum que possamos conceber. OM, o mais simples dos sons, o Som Único desdobrou-se em três sons explícitos no AUM. No panteão egípcio estão representados por Shu e Tefnut e Nut que geraram Geb completando o AUM [1]. Geb manifesta-se sob sete tons os quais desdobram-se sucessivamente.
|
![]() |
 |
Vemos, então que os sons correspondem à descontinuidade. Aquilo que é OM manifesta-se sob miriades de sons audíveis e não audíveis na medida em que vão surgindo as coisas. Cada unidade fragmentária corresponde á um som composto, e a um ritmo. Assim vê-se que os sons descem em vibração, percebe-se haver uma queda desde o nível da perfeição para o nível da imperfeição.
Tanto maior o nível da descontinuidade, quanto mais presente a fragmentação, o distanciamento da Unificação. Quanto maior a complexidade do som mais distância existe entre ele e o OM. Tanto maior o nível sonoro, mas distanciamento da Unificação. Quanto maior o nível de ruídos mais aquela manifestação está distanciada dos planos elevados da creação em geral e do Absoluto em particular. A descontinuidade é tanto maior quanto maior o nível e a complexidade dos sons.
Ao nível do OM o som é o mais próximo da pureza e do Inefável. Chegar no Absoluto é chegar no silêncio pleno. Não se pode falar isto no sentido do Inefável, pois nenhum conceito, mesmo o de som pode ser a Ele atribuído. Dizer que é o silêncio já é de alguma forma defini-lo e assim tira-lo da condição de Inefável.
Sendo o OM o Som Primordial de onde tudo deriva podemos dizer que toda força possível está contida do OM. Toda a energia universal e cósmica está inerente ao OM. O poder do OM, expresso numericamente como O Um, é praticamente infinito. O OM é o mais sutil, harmônico, suave e criativo dentre todos os sons, e podemos dizer que é quase equivalente ao silêncio absoluto.
Tal como todas as coisas, também os sons fragmentam-se em sucessões sétuplas. Temos dito que a descontinuidade em nenhum momento é plena, que não existe uma desconexão total na seqüência sétupla, que pelo menos um dos níveis permanece, pois do contrário haveria uma separação plena e isto eqüivaleria a ser retirado algo do Infinito o que matematicamente não pode ocorrer. Do infinito nada pode ser subtraído e nem acrescido, pois isto anularia a condição de infinitude. Infinito sem uma parte deixa de ser infinito e infinito ao qual for possível ser acrescentado algo, ele não era infinito exatamente por não conter aquela parte que lhe foi acrescido.
O mesmo pode-se dizer com relação ao OM, todos os sons permanecem ligado a ele. Assim pode ser considerado a base, a raiz, a matriz de todos os sons existentes. Assim nenhum som pode ser considerado independente do OM. Na realidade os sons são manifestações limitadas do OM. Todos os sons têm, portanto, como base o OM, a vibração primordial de MA.
Vale lembrar que a tendência é tudo voltar ao seu ponto de origem, isto corresponde à Unificação. Como em outras palestras dissemos, Unificação é uma força "elástica" que tende a trazer de volta tudo a origem primeva. O mesmo podemos dizer com referência ao som, existe uma força que atrai os sons no sentido da recomposição do OM, que no âmbito físico é a gravidade. Cada coisa tem um som, cada coisa é atraída pela outra visando a efetivação da reunificação. Assim pode-se dizer que o elo de união existente entre os sons complexos e OM age como uma "força elásticas" que responde pela tendência a todos os sons compostos tenderem a se unificarem no OM.
Essa força que aparentemente parece ser inerente à matéria e que a ciência denomina de gravidade é o mesmo que, ao nível de som, é chamada de ressonância. A ciência fala, estuda os efeitos, mas não explica o mecanismo intimo da ressonância, assim como não explica também o que é a força de gravidade. Podemos dizer que a ressonância é o equivalente sonoro da gravidade. O que a gravidade é para a matéria a ressonância é para o som, ou seja, o princípio unificador em ação; uma força atrativa tendendo a fazer todas as coisas existentes voltarem ao UM e todos os sons OM.
O inverso da ação dessa força de recondução cósmica é a causa da desarmonia. A desarmonia sonora é uma força de separação em ação, enquanto que a harmonia é a recíproca, a força de união em ação. Um acorde é uma união de notas harmônicas. As coisas unem-se para a constituição das substâncias pela afinidade química. A ciência fala de afinidade química, diz que os elementos têm afinidades químicas. Podemos dizer que também os sons têm algo equivalente que se chama harmonia. A afinidade química gera as substâncias, unem aquilo que está separado em unidades mais compactas, e isto é uma tendência a voltar ao UM. O mesmo acontece com relação aos sons, os acordes soam como "substâncias conoras" . Por sua vez as substâncias formadas geram os corpos maiores, os grandes aglomerados. Ao nível físico denso a matéria vem se unindo, se unificando pela gravidade até chegar a formar aquilo que a ciência
chama de " buraco negro", nível em que ocorre a volta à origem, onde a matéria volta ao inespacial e atemporal. A compactação material é um dos caminhos de volta à origem. Também os sons, representados por notas compactam-se em acordes, estes em harmonias, e a seguir em unidades mais amplas que constituem a música.
Agora vejamos o seguinte; um som sempre resulta de alguma forma de atrito, que seja o atrito de um arco de violino sobre uma corda, ou o atrito provocado pelo ar ao passar sobre películas - palhetas - e assim por diante. "Assim é embaixo é também em cima", o som primordial AUM resulta do atrito dos primeiros níveis de fragmentação da criação.
A ciência oficial procura ainda nega a existência daquilo que a Escola Pitagórica denominou de Música das Esferas, e que consiste de um som inaudível correspondente ao deslocamento dos astros através do espaço. Durante muito tempo a ciência dizia que o espaço entre os astros era vazio, mas ela hoje já admite que todo aquele espaço é preenchido por neutrinos e que os neutrinos antes considerados partículas sem massa hoje já tem sido comprovado o inverso, eles têm massa. Também a astronomia fala da existência de algo no espaço interestelar e intergaláctico que denomina de "massa escura". Assim sendo os astros deslocam-se num meio em que existe algo e, sendo assim, tem que ser levado em conta a existência de um certo índice de atrito entre eles e o meio no qual deslocam-se. Ora, como qualquer tipo de atrito gera uma vibração e vibração é som logo se confirma que existe um som oriundo do
deslocamento dos astros, o que vem a corresponder àquilo que os pitagóricos denominaram de a " música das esferas".
|
![]() |
|
O mundo as coisas são como partículas dissolvidas num fluido e o deslocamento sempre acarreta um nível de atrito com esse meio. Esse atrito provoca sons, quer se trate de uma unidade mínima de matéria, quer de um planeta, de uma galáxia ou do próprio universo. Embora a ciência, baseada na uniformidade do ruído de fundo do Big Bang, não aceite que o universo gire na realidade ele gira, como explicaremos numa palestra futura. Queremos dizer que o giro do universo eqüivale a um deslocamento num meio básico constituído por algo mais sutil, pelo elo da seqüência sétupla preservado. Isto quer dizer que o deslocamento do universo no seio de MA. Isto é exatamente o som AUM.
O que dissemos, refere-se a um limiar de som muito distante do audível, mas que nem por isso deixa de ser um som. Mesmo que o ouvido e nem os instrumentos existentes o detecte, ainda assim ele pode ser percebido em determinadas condições, como na meditação ou por outros meios de ampliação dos limiares da consciência.
Finalizando esta palestra diremos que, na mesma em que as coisas tende à unificação assim também os sons tendem a voltar a reintegrar o OM em toda sua plenitude
********************
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
No esoterismo egípcio não está mencionado o temo OM e nem AUM. Estes termos aparecem nos Vedas. No panteão egípcio nesse sentido há apenas menção a Nu, Shu, Tefnut, Nut e Geb, e que a cada um deles é atribuído um som, exceto a Nu que não tem som, nem forma, nem movimento e nenhum outro atributo conhecido.
|
![]() |
|
|
 |
|
 |
|  |