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A Cabala
"Com ordem e tempo, descobre-se,
o segredo de tudo fazer, e fazer bem".
Pitágoras
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Figura 1
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Nas palestras precedentes temos falado da “Árvore da Vida” e de “Cabala”, portanto temos que dar algumas informações sobre o que vem a ser Cabala. Nestas palestras falaremos muitas vezes sobre esse sistema, mas não é nossa intenção ensinar cabala, dar aulas especializadas sobre cabala, apenas iremos mostrar o que ela é, e como pode servir de meio de melhor se entender o Universo e da creação. Quando a creação se fez, no momento em que RA provocou a vibração de MA compondo o Mundo da Emanação surgiu o mundo das vibrações – mundo da creação – onde as coisas existentes começaram a surgir em obediência ao Princípio da Natureza Sétupla e cuja representação gráfica é a “Árvore da Vida” – esquema básico da Cabala.
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O termo Cabala (Kabbalah) significa "Tradição" e os conhecimentos que a compõem são de origem muito antiga envolvendo muitos mitos e lendas. Não se sabe precisamente quando, e nem por quem, aquela ciência primeiramente foi revelada, porém alguns autores dizem que ela foi ensinada aos humanos pelos "Anjos Caídos", razão pela qual foi considerada uma ciência maldita por algumas religiões.
Para os Judeus a Cabala é a "Tradição das Emanações Divinas", pois através dela é possível o entendimento da Gênese da Criação. Assim, podemos afirmar que a Cabala em sua forma oral constando de conhecimentos esparsos, desde remota antiguidade acompanhou o povo Hebreu. Foram ensinamentos transmitidos durante centenas de anos de geração para geração, como parte dos conhecimentos adicionais destinados aos "eleitos", pois a religião hebraica destinava ao povo uma forma de ensinamento esotérico reservada aos hebreus de inteligência privilegiada e de inteira confiança. Alguns estudiosos da antiguidade diziam que Abraão recebeu aqueles ensinamentos diretamente de uma das figuras mais elevadas dentre todas as citadas nos ensinamentos Arcanos – Melchisedec.
No período de Salomão muitos ensinamentos da Cabala já eram conhecidos e este Grande Rei codificou os conhecimentos, pelo que é conhecido como o Primeiro entre os Grandes Cabalistas. O templo de Jerusalém, por ele edificado, foi totalmente construído segundo relações cabalísticas, ali estava contido, em linguagem oculta de arquitetura, todo o simbolismo e ensinamentos místicos da parte esotérica da sabedoria hebraica.
Após a destruição do Templo de Jerusalém o povo hebreu se tornou escravo da Babilônia. No cativeiro, tanto a religião do povo quanto a sua mística mais elevada – a Cabala – sofreu perseguições e influências que quase determinaram o seu desaparecimento. Se não fosse a fidelidade à fé, tão peculiar naquele povo, por certo conhecimentos da Cabala, como tantos outros, teriam sido irremediavelmente perdidos. No período do cativeiro, a Cabala era ensinada de boca para ouvido, continuando assim a ser cultivada pelos eruditos rabinos a chamada “Ciência de Salomão”, “Ciência da Antigüidade”, ou "Ciência dos Deuses", ou como preferem chamar os inimigos do conhecimento humano, "Ciência Maldita" por ser tida como filha do pecado dos “anjos caídos”,
Aquele conceito de "ciência maldita" se baseia em uma citação do Antigo Testamento em Gênesis onde está escrito que nos primórdios da atual civilização "os filhos dos deuses viram que as filhas dos homens eram belas, tomaram-na então por esposas e tiveram filhos". Teriam, portanto, sido exatamente aqueles "filhos dos deuses" QUEM revelou os conhecimentos transcendentais aos humanos. Aqueles conhecimentos, depois, foram reunidos num corpo de doutrina e denominado Cabala. Segundo Zózimo, que viveu no inicio da Era Cristã, aqueles "filhos dos deuses" para agradar às filhas dos homens, suas esposas, ensinou-lhes como fabricar o ouro a partir de metais comuns, para que elas pudessem construir jóias para adorno pessoal. Disto nasceu a Alquimia e concomitantemente foram reveladas noções rudimentares sobre a Criação do Universo vindo então se constituir a Cabala.
A Cabala analisa muitos pontos de indagação dos pensadores e assim muitas incongruências aparentes são esclarecidas. São para esclarecer as mais elevadas indagações metafísicas sobre Deus, sobre a Criação, e sobre a natureza do Cosmos que a Cabala tenta dar respostas. São indagações como as seguintes que o cabalista tenta encontrar respostas: Como é possível se justificar um Deus infinitamente bom e Onipotente, mas que deixa o mal existir no mundo? Como ELE pode deixar o mal coexistir com a sua criação? - Como a diversidade de todas as coisas se originou da Unidade? Se Deus transcende a tudo aquilo que o homem pode conceber, como é possível esse homem conhecer a Deus? Como alguma coisa pode surgir do "nada"? Como a inexistência pode se tornar existência? - Assim como estas, uma infinidade de outras indagações semelhantes encontra explicação na Cabala.
Pelo que vimos acima a Cabala não pode ser considerada uma religião porque ela não tem um corpo de doutrina. Ela, além de metafísica, no máximo pode ser aceita como uma Filosofia analítica.
Continuando com as referências antigas a respeito da origem da Cabala lembremos Tertuliano que disse: "Quando os Anjos da Bíblia se revoltaram e foram expulsos pelo Criador, eles eram conhecedores de muitos segredos divinos. Revoltados, ensinaram aos homens conhecimentos sagrados, entre eles a Alquimia, a Magia e a Cabala”. Por esta razão o conhecimento daquelas ciências deveria ser interditado aos homens, e o seu estudo catalogado como pecado pelas religiões. Seria, assim, em decorrência de sua origem, ciências do mal por haverem sido ensinadas pelos "anjos caídos" que, segundo a tradição bíblica, vieram a se construir demônios ao serem expulsos do céu. Por esta hipotética origem, tanto ou quanto fantástica e inverídica, a Cabala, juntamente com outras “ciências herméticas”, foi condenada por ser considerado fruto de uma traição de segredos de Deus.
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Fora este lado, talvez mítico, o que parece suficientemente registrado é que durante o período do cativeiro dos Judeus na Babilônia, um dos mais iluminados rabinos, Schimeon Ben Jochai expôs os altos ensinamentos da Cabala para um certo número de Judeus. As ordens Iniciáticas dizem que um certo dia aquele rabino reuniu todos os principais rabinos que tinham conhecimentos da Tradição Cabalística e disse-lhes: "Ai de mim se revelo os Grandes Mistérios! Ai de mim se os deixo ignorados!". Estavam presentes os rabinos Eliezar, Abba, Hehuda, Isaac, Thiskia, José e Jesa. Ante a exclamação de Schimeon o Rabi Abba disse-lhe: Mestre! não está escrito “Os segredos do Senhor pertencem aos que os temem? E todos nós não tememos ao Senhor e já não somos iniciados nos segredos menores do Templo? Assim, o rabi Shimeon decidiu iniciar a todos nos mistérios
superiores da Cabala e, segundo dizem, o próprio Profeta Elias por várias vezes voltou para instruir o rabi Schimeon naqueles elevados mistérios”. Então, Schimeon chamou o rabi Abba e mandou que ele sentasse ao seu lado, enquanto o seu filho, rabi Eleazar, sentasse diante deles dois formando assim um triângulo, e disse: Formamos um triângulo, representação de todas as coisas existentes. Nós estamos, assim, representados no Templo. O Templo foi desfeito quando nos tornamos escravos da Babilônia, mas nós estamos assim representando o seu portal com as duas colunas Boaz e “Jachim”. Assim reunidos Schimeon começou a fazer as revelações mais elevadas da Cabala, que, desde então, voltou a ser ensinada novamente aos eleitos pelos rabinos presentes mediante a iniciação cabalística.
A Tradição hebraica está explícita na Torá. Segundo consta a Torá data de dois mil anos da criação do mundo (Gênesis Rabi, VIII, 2 ,ed. Theodor, p.57) . A criação da Torá liga-se à essência oculta de Deus que se manifesta às criaturas através das "Sephirot" cuja representação gráfica é a "Árvore da Vida"..
O relativo não pode conhecer o Absoluto, a creatura não pode conceber o creador, mas pode ter ciência de alguns dos seus atributos, pois Deus projetou tudo segundo um esquema e permitiu que os estudiosos sinceros, através daquele esquema, tivessem acesso aos mistérios sagrados ligados à Gênese do Universo.
"Deus expande o Seu Ser Transcendente, ou ao menos aquela parte do Seu Ser que pode ser revelado às criaturas".
Por esta afirmação é que o buscador sincero pode ter a certeza de que lhe é dado o direito de conhecer seguidamente as “faces de Deus” e os Seus atributos são seguidamente revelados aos que merecem.
Na antiga Ágada a Torá era considerado um instrumento da Criação por meio do qual o mundo veio a “existir”.
Há uma grande quantidade de obras sobre a Cabala, sendo a principal delas o "Zohar" ou “O livro dos Esplendores" publicado pela primeira vez no Século XIII.
Também entre os mitos sobre a Cabala existe aquele que diz ser ela obra da serpente que tentou Eva no paraíso. Como dissemos antes, a origem da Cabala é desconhecida e se perde num emaranhado de mitos e lendas, entre estas a de que os segredos nela revelados foram dados ao conhecimento dos homens pela “serpente do Éden". Segundo aquele mito a “Árvore Proibida", a "Árvore do Conhecimento", ou "Árvore do Mal e do Bem" nada mais teria sido do que a "Árvore da Vida" que é um esquema gráfico capaz de expressar todo o conhecimento possível a respeito da gênese e do funcionamento de tudo aquilo que existe no Universo. Diz aquela lenda que a “serpente” apresentou-se diante de Eva e ensinou-lhe a comer do fruto da "Árvore da Vida", isto é, ensinou-lhe os princípios cabalísticos representados no diagrama fundamental da Cabala. "Come deste fruto", "come do
fruto desta árvore e serás igual a Deus" havia dito a serpente à Eva. Assim Eva tomara conhecimento de uma ciência que ainda era interditada aos homens, Por sua vez todo o sentido de Edema, Jeová, Serpente, Adão, Eva, etc. têm um sentido também cabalístico, verão, que somente os iniciados são capazes de compreender. Na realidade o que está escrito na Bíblia a respeito de Eva tem um sentido totalmente diferente, comprovando a presença da “mão nefasta” que tenta deturpar todas as coisas sagradas.
A citada lenda da tentação de Eva no Paraíso não cabe evidentemente a Ela como primeira mãe da humanidade, mas cabe a um princípio citado e estudado na Cabala representado pelo Sephirah Binah no momento da Creação. Na realidade modificaram os ensinamentos antigos mais uma vez. Na estória de Adão e Eva trouxeram um acontecimento primordial para um período bem mais recente, ou seja, colocaram um “acontecimento” da origem dos espíritos para a época do início da vida humana na terra. A estória bíblica de Adão e Eva se enquadra na de Sophia[1] e Khristos – Binah e Hochma – que ocorreu bem depois da criação propriamente. A estória bíblica diz respeito à “queda do espírito” e não a do ser humano. A estória da perda do paraíso é a estória de Sophia e Khristos onde consta que Sophia – integrante da Trindade – quis ver o Pai diretamente. Acreditando ser capaz de vê-lo “face a face”, e
ignorando que a parte não pode “ver” o Todo ela mergulhou no abismo e quando notou o seu engano clamou ao Pai para voltar. Este enviou o seu “filho” Khristos – irmão e esposo de Sophia – para resgatá-la. Para isto a Força Khristos – Força da Salvação – teve também que descer para encontrar Sophia e retirá-la de lá.
Diz a obra “As Utilidades Teúrgicas da Torá” que Moisés subiu aos céus para receber a Torá (Compreende o Pentateuco, isto é, os cinco primeiros livros bíblicos) e que ele conversou com os anjos, e que a ele foi entregue não apenas o texto da Torá, como também as combinações secretas das letras para que possam ser interpretadas as proposições cabalísticas contidas nos textos.
Também dizem que a Cabala foi entregue a Moisés no Monte Sinai no momento em que ele recebeu as "Tábuas da Lei", no Monte Sinai.
Todas essas presumíveis origens, na realidade são tentativas de explicar a origem dos conhecimentos que existiam na tradição corrente no seio do povo Hebreu, mas o que na realidade se sabe é que o Rei Salomão é Quem colocou as coisas nos lugares certos, e na realidade normalizou e ampliou aqueles conhecimentos sagrados para os homens.
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Isto tanto é verdade que o Grande Rei gravou conhecimentos da Cabala na arquitetura do Templo de Jerusalém por ele construído.
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Veja nossa publicação sobre a Cabala no link: A Cabala
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
Detalhes sobre o mito de Sophia constam dos Temas 559 – 555 – 546 - 547 – 556 – 557.
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