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"Deus, o Transcendente, é AYIN e Deus, o Imanente é EIN SOF.
Ambos, Nada e Tudo, são o mesmo."



Cabala
Na palestra anterior tecemos comentários a respeito da origem da Cabala e nesta queremos apresentar algumas das classificações dos diversos sistemas como ela é estudada. Após as considerações sobre as origens e significação da Cabala vamos entrar em contacto com uma fração mínima dos ensinamentos deste efetivo sistema de conhecimento metafísicos.
Não é nosso propósito nestas palestras revelar os mistérios e segredos maiores da Cabala. apenas ensinar princípios básico que facilitem o estudo metafísico que desenvolveremos. Na realidade não é preciso ensinar a Cabala em detalhes porque ela mesma se auto-revela ao discípulo sincero e digno de receber a sabedoria arcana. Apenas daremos alguns pontos de apoio para que o aspirante dê os primeiros passos no conhecimento na “Ciência Divina”.

Os ensinamentos da Cabala são vistos praticamente em toda a natureza por isto até mesmo a língua hebraica tem em seu alfabeto um instrumento prático no estudo da "Arte Divina".

Fundamentalmente a Cabala pode ser estudada sobre quatro ângulos:

1º. - Cabala Prática
2º. - Cabala Dogmática
3º. - Cabala Literal
4º. - Cabala Tradicional ou Cabala Não escrita.


CABALA PRÁTICA:
Trata das aplicações das leis cabalísticas através de talismãs, das gemas (pedras) e outros objetos. Compreende aquilo que se denomina de Magia Cerimonial, que estudaremos oportunamente. Igualmente compreende um elevado número e uso de símbolos e gráficos cuja aplicação e utilidade faz parte da Cabala Prática.


CABALA DOGMÁTICA:
Dela faz parte a literatura cabalística que expõe todo um sistema metafísico e cosmogônico.

O primeiro livro publicado no Ocidente parece haver sido o Zohar cuja edição foi feita por um judeu chamado Moisés de Leon no século XIII. O Zohar é uma coletânea de textos e informações do esoterismo judaico e não judaico de vários períodos da história. Para o não iniciado aquele livro mais parece uma exposição caótica de assuntos, pois sem as chaves interpretativas o texto não tem uma ordenação lógica.

Igualmente pode ser considerada uma obra de Cabala Dogmática o "Pentateuco", os 5 primeiros livros da Bíblia, porém há outros os livros bíblicos que perfazem o Antigo Testamento também são textos cabalísticos em linguagem cifrada. Há indícios de que todo o Antigo Testamento tem um sentido claro, literal que todos compreendem e um outro sentido somente compreensível àqueles que conhecem as devidas chaves. Assim sendo o Antigo Testamento trata-se de uma obra cifrada, sujeito à interpretação cabalística somente passível de ser entendido pelos iniciados[1].

Uma outra obra básica mística e metafísica ligada à Cabala é denominada de Yezirah ou Livro da Criação que, juntamente com o Zohar, traduzem a essência do saber da Cabala, mas é certo que somente pela revelação é possível ao ser humano entender em toda sua grandeza aquilo que está escrito naquelas obras.


CABALA LITERAL:
O estudo da Cabala exige uma grande atenção para com as letras. Para os cabalista o alfabeto tem um valor mágico muito grande e no alfabeto hebraico há uma correspondência numérica para cada uma das 22 letras que o constitui, valor este não escolhido arbitrariamente.

A importância que os cabalista dão à uma simples letra de um nome parece não ter lógica, mas atualmente sabe-se que cada sílaba pronunciada determina certo grau de ressonância vibratória capaz de interferir no ambiente. Ao se pronunciar determinados sons, tanto as coisas em volta da pessoa quanto ela própria vibram e isto determina alterações sutis. Essa ação já era conhecida no passado, embora não fosse explicado o porquê disto, por esta razão a Cabala dava tanto importância às letras.

Qualquer letra que seja trocado num nome está sujeito a provocar resultados inesperados. Para os cabalistas um nome não serve apenas para indicar coisas, também visa a obtenção de certos resultados. Por exemplo, a palavra “amor” significa aquele sentimento próprio que a palavra define e se tal palavra fosse capaz de produzir uma vibração susceptível de provocar aquele estado por ela definido na pessoa que a ouvisse, então, o resultado seria muito mais notável, além do sentido haveria um “poder inerente”. É exatamente esse tipo de “poder” que os cabalistas consideram quando estudam numericamente os nomes. Por isto eles consideram que a troca, o acréscimo, ou a omissão de uma simples letra está sujeito a alterar os resultados esperados, muitas vezes de forma terrível.

Esse pensamento cabalístico é o que levou Naghanâmides dizer: “Os rolos da Torá devem ser preservados com o máximo de cuidado. Cada uma das letras conta, e deve ser rejeitado para o uso na Sinagoga um rolo da Torá onde falte, ou haja a mais uma única letra sequer”.

No século II o Rabi Meir disse haver sido advertido pelo Rabi Ischmael, seu mestre: “Meu filho, seja cuidadoso em seu trabalho, pois é o trabalho de Deus; se você omite uma única letra sequer, ou se escreve a mais, está sujeito a destruir o mundo inteiro".
Cabala

É por esta razão que os magos, os feiticeiros tribais, assim como os místicos falam da existência de “palavras de poder”. São palavras que ao serem pronunciadas determinam resultados especiais.

Todos os "Iniciados" sabem da existência de uma "palavra perdida" que é uma palavra fantástica poder que ao ser pronunciada coisas inimagináveis podem acontecer.

A justificação para o poder das palavras somente pôde ser explica com o advento da Mecânica Ondulatória que vem mostrando que tudo no universo é vibração e que delas resultam tudo o que existe ou que é modificado.

Sabendo-se que qualquer som provoca ressonância vibratória, fica fácil saber o porquê de determinados nomes serem considerados negativos, nefastos, e outros positivos e benfazejos.

Em quase todos as religiões existem cânticos, hinos, pontos, chamadas, vocalizações, mantras, etc. que têm razão de ser pelo que acabamos de dizer. Nas Igrejas Cristãs julgam que os hinos são simplesmente cânticos de louvor, mas podemos dizer que isto vai muito além. Na realidade muitos hinos não foram compostos visando esse lado energético, mas outros sim.

Som é vibração e qualquer vibração pode determinar efeitos de ressonância, por isto uma pessoa pode ter em seu nome letras que ao serem pronunciadas determinam vibrações harmônicas o que tornam as coisas mais fáceis para elas; mas também pode ter letras com sons destoantes com o ambiente, com as outras pessoas ou até mesmo com o próprio organismo. Quando tal acontece com certeza aquela pessoa terá sérios prejuízos em múltiplos sentidos. A partir desta verdade torna-se fácil se entender a razão pela qual os nomes podem influir profundamente na vida de uma pessoa e que, às vezes, basta a substituição de uma letra do nome de alguém para modificar-lhe completamente a vida, para melhor ou para pior, conforme haja desarmonia ou harmonia da vibração resultante da modificação feita.

Na Cabala Literal também são estudadas certas normas para codificações de textos que devem permanecer secretos, para preservação das obras divulgadas. Existem três formas diferentes para isto, que durante séculos cumpriram a finalidade de dar um duplo sentido a muitos documentos sagrados.

Essas normas são as seguintes:
    A - GEMOTRIA
    B - NOTARICON
    C - TEMURAH

    GEMOTRIA: Consiste na substituição de uma palavra por outra de igual valor numérico. Sabendo-se o valor numérico de uma palavra pode-se substituí-la por uma outra de igual valor e de forma a dar um duplo sentido ao texto sem, contudo, prejudicá-lo.

    NOTARICON: Possibilita a constituição de palavras formadas por letras do começo, do meio, e do fim de uma outra à qual deve substituir.

    TEMURAH: Estuda meios de substituição de letras por números, ou de letras de uma palavra por outras, segundo um sistema predeterminado.
Graças a estes sistemas, livros, manuscritos e outros documentos cabalísticos são codificados de forma a que somente os iniciados possam entender a verdadeira mensagem que eles contêm[2].

Todos os fenômenos da natureza podem ser definidos por números, por desenhos geométricos e relações numéricas. Como dizia Pitágoras: “Deus geometriza”.

Os números, segundo a visão cabalística não apenas indicam valores ou cifram textos, mas também traduzem conhecimentos. Todas as leis, princípios e pensamentos filosóficos, teológicos e cosmogônicos podem ser expressos através do sentido esotérico dos algarismos.

Em algumas palestras abordaremos este assunto, o bastante para que o estudante entenda perfeitamente este tipo de linguagem.

A numerologia é parte da Cabala, porém a maioria daquilo que é divulgado, normalmente não passa de pura charlatanice.
No Tema A JUSTIÇA DIVINA, deixamos sem resposta a indagação da cadeia de culpas, não dissemos onde tudo começou. Lançamos dúvidas no que diz respeito à Justiça de Deus se nos atarmos a uma linha de causa e efeito. Sendo o sofrimento inerente ao merecimento tem que existir um ponto em que alguém sofreu sem merecer. Mas não é assim, pois sem sombra de dúvidas o primeiro culpado foi o desobediente que em última instância somos nós mesmos, conforme é dito por algumas doutrinas, especialmente pelos primeiros cristãos gnósticos.


CABALA TRADICIONAL:
Até bem pouco tempo, apenas era ensinada oralmente, mas hoje muita coisa tem sido escrito sobre a Cabala, embora mesmo assim praticamente seja impossível ensiná-la em profundidade. Ela pode melhor ser estudada por meio de um esquema gráfico denominado “Árvore da Vida”. Trata-se de um interessante diagrama que permite ao estudioso dedicado ir desvendando por si mesmo os segredos do Universo e a natureza de Deus.
É exatamente a Cabala Tradicional que iremos nos reportar em várias palestras que desenvolveremos, embora de foram sumária. Daremos elementos para que ela se torne compreensível pela exposição de alguns sentidos simples dos “sephirot”. Mostraremos também as 22 vias do trabalho cabalístico do adepto a partir do que o estudante sincero poderá se desenvolver sozinho e poderá penetrar nos grandes segredos e mistérios da Criação e sentir Deus mais perto de si. Mas, é bom que o leitor tenha em mente o seguinte: Por mais que se queira é impossível ensinar Cabala à quem quer que seja, pois normalmente é ela mesma que se auto revela. 1º.


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Veja nossa publicação sobre a Cabala no link: A Cabala

Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Existem livros especiais, secretos, através dos quais o buscador adquire as chaves interpretativas da Bíblia. Conhecemos um desses livros.

As edições modernas da Bíblia dificultam o uso das chaves desde que nas traduções sucessivas não foi preservado o sentido velado, mas em se tratando das traduções primitivas as chaves revelam plenamente o lado oculto. Nas traduções somente foi preservado o lado exotérico, mas nem sempre o esotérico.

Somente neste século é que tem sido revelado o sentido duplo de muitos livros bíblicos mesma assim anda são mantido em segredo as chaves inter-pretativas que somente são de alguma forma reveladas aos adeptos.

[2] - Nesta palestra estamos fazendo menção a alguns dos sistemas criptográficos, especialmente os cabalísticos, desde que nessa obra que estamos escrevendo em muitos momentos lançaremos mão desse recurso para que certas verdades possam ser ditas somente para aqueles que as possam entender.

Não é nosso intento ensinar essas linguagens nestas palestras, pois elas de alguma forma chegam naturalmente ao conhecimento do buscador sincero. Um outro motivo é fazer sentir às pessoas que parte dos livros existentes trazem mensagens veladas. Via de regra os livros escritos por iniciados têm sempre algum tipo de “marca” oculta que lhes dão a devida autenticidade. Assim, aos que conhecem algumas chaves é dado o direito de não serem iludidos por escritos impostores e quando não intencionalmente conduzidos por intenções negativas.

Em muitas obras existem mensagens com poder iniciatório, lendo-as com a devida atenção a pessoa recebe iniciações, sem que ao menos perceba isto.

Nem sempre é preciso que uma pessoa interprete a linguagem velada, pois em certos casos elas agem independentemente do lado inter-pretativo; agem como mensagens do tipo atualmente conhecido como “mensagem”. Devemos, porém, ter em mente que essa metodologia não é apenas apanágio do lado positivo.
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