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O COLOSSAL PODER DO EGO
" Voltar atrás é melhor que perder-se no caminho ".
Provérbio Russo
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Onde não há equilíbrio, nada é real
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Em muitos escritos vemos que não há distinção entre o Eu e o Ego, mas as Tradicionais Ordens Unistas, entre elas o Hermetismo faz distinção entre essas duas condições, pois não se pode entender a problemática da existência humana sem que se entenda o que representa o que representa o “Eu” e o Ego. É importante que se faça uma precisa distinção entre Eu e Ego, para que o tema possa vir a ser bem compreendido[1].
O “EU” é a essência da existência, é uma expressão existencial do Ser em nível de Transcendência e não é o mesmo que o “ego” considerado como uma expressão do ser em nível da Imanência. O Eu nada tem a ver com a Mente, enquanto que o ego sim, por ser a expressão dos seres em nível de Imanência. Podemos dizer que o ego é uma qualidade ligada à descontinuidade do ser, ou seja, uma das “descontinuidades” do EU. O Ser não tem Ego, enquanto que os seres têm.
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A creação se caracteriza pela descontinuidade perceptiva da unicidade. Em outras palavras, UM se “desdobrou” em múltiplos. O mesmo pode dizer do EU – O Ser único quando se manifesta o faz fracionariamente, criando a ilusão de seres. Assim como a percepção desdobra a unicidade, ela também desdobra o Ser percebendo-o como frações que então recebem o nome de seres.
Na verdade só existe Um Ser, mas como a percepção é limitada, então Ele é percebido fracionadamente e as frações perceptíveis são então consideradas – vistas – como os seres.
Na Transcendência existe o Eu – o Um – mas como a percepção é limitada, então o Eu – O Ser – é visto fracionadamente, ou seja, é visto como seres – partes – e que são dotados de Ego.
No Um existe a perfeição absoluta, o EU é perfeito, mas quando ele se manifesta em descontinuidades surge a imperfeição. Só havia o UM, o EU, o SER que ao se desdobrar pela primeira vez, passou a existir o dois, o tu, e os seres. Antes só havia o EU, pois só havia o Um. Só depois do primeiro desdobramento surgiu o Tu, pois já passou a existir a multiplicidade.
Suponha um diálogo estabelecido entre o Ser e um dos seres (uma das suas partes aparentes). Considere o seguinte: com a primeira fração se estabeleceu o Eu e o Tu, ou seja, o Um e o Dois.
Tudo quanto há no incomensurável universo é parte do UM, vejam que poder incomensuravel existe para ser capaz de manter tamanha coesão, mas, mesmo assim, houve a “fragmentação”. Mesmo que ela não seja de fato, que seja uma ilusão, ainda assim é um poder que capaz de fazer com que uma realidade se manifeste como ilusão.
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Algo capaz de fracionar (mesmo que não seja realmente uma fragmentação, mas uma ilusão, mesmo assim deve estar envolvido em tal processo um colossal poder). Considere, pois, que houve a manifestação de um “poder” tremendo, inconcebivelmente colossal para ser capaz de fracionar o Um e para manter a separação que ainda está sendo mantida.
Toda problemática da existência no mundo imanente é a volta ao Um, mas para isso tem que ser vencido aquele poder colossal. O poder de separação constitui a Mente e a separação é mantida por uma quantidade grande de condições que, em conjunto, pode ser conhecido como Ego. As coisas continuam separadas enquanto persiste o sentido de “meu” e o “teu”, e é isso compõe do Ego. É o meio através do qual a mente mantém-se separada. No nível do Ego não existe o “meu” e “teu”. O “meu” e o “teu” precisam ser isolados, se não o forem deixam de haver as duas condições. Se o Ego for abolido tudo volta a ser Um, pois deixará de existir tudo aquilo que serve como separação. Somente com a eliminação das condições separativas, o “meu” e o “teu”, que compõem o Ego é que a reintegração à origem pode ocorrer.
Se não existe uma separação real, então a ruptura entre o “Eu” e o “Tu” é apenas em nível de percepção, e sendo assim o processo consiste na eliminação da percepção como totalidade para ser percebida como parcialidades.
Ocorrido o primeiro fracionamento então passou a existir a idéia de “eu” e de “tu” – o Um e o Dois – Acontece que, a parte acredita ser independente; e conservação da presumível independência envolve mecanismos de proteção do Ego.
O Ego, um estado de auto-preservação da individualidade; o dois, “quer” manter-se como tal a todo o custo, “quer” preservar a individualidade; os seres querem se manter como tais e não voltar à condição de Ser.
O Ego resiste fortemente a se tornar EU, para isso ele faz de tudo para se manter como ser, para não voltar à de, a condição de Um.
Podemos dizer que o Um é o Pai e o Ego Sophia. Diz o Mito, Sophia quis ver o Pai, acreditou ser igual à Ele. Isso indica a necessidade da preservação da individualidade Sophia a todo custo, pois ela se considera o Um e não o dois ou outra fração. O Mito Gnóstico diz que o Demiurgo creou os anjos e que ao ver legiões e legiões deles disse: “Eu sou Deus”, no que foi repreendido pelo Superior que disse: Tu és Samaël, deus dos cegos. Nesse ato nasceu o ego no Mundo Imanente, que consiste nos mecanismos de preservação da individualidade.
É através dos mecanismos do ego que o ser se acredita uma unidade independente. Transportando isso para o nível da Tríade Superior, pode-se entender que é o Ego quem faz com que o ser tenda a ficar retido nessa condição, reencarnando sucessivas vezes, preso à roda das encarnações. É o “ego” que faz cada ser se considerar uma unidade independente, uma individualidade, que na verdade não é.
Figurativamente podemos pensar: Algo é capaz de impedir a reintegração, de se opor à força integrativa tem que ser colossal, desde que envolve tudo quando existe no Cosmos. Esse algo se manifesta de diversas formas, no espírito ele se exterioriza como o Ego.
No processo da creação da ilusão de Mundo Imanente, esse mundo incomensuravel que temos diante de nós saiu da Consciência una através da Mente. Sabemos que a Mente só existe através do Ego, evidentemente um conceito mais vasto de Ego, não só ao nível de indivíduos, mas ao nível de tudo. È a força que mantém a separação, que mantém a multiplicidade.
O surgimento do ego, na verdade, teve início antes mesmo da creação do Mundo Imanente, antes da Trindade ser estabelecida. Ele surgir no primeiro momento em que a Mente emergiu da Consciência. Esta passou a ser o Eu e a Mente, o Tu (ou vice versa). A Mente “procurou” evitar voltar a ser a Consciência, a ser reabsorvida. Procurou se afastar cada vez mais da Consciência. No nível da Imanência, a Mente se individualizou nos espíritos e, cada vez mais, aumentou a força de preservação se tornou mais intensa.
Mesmo saindo do seio da Consciência, a Mente, mesmo sendo sua “filha”, ainda assim se estabeleceu uma luta pela independência pela individualidade. A Mente se considerou igual à Consciência, e dela se afastou para se preservar, pois se abandonasse os meios de proteção do Ego, então não haveria diferenças entre a Mente e a Consciência. Tal como aconteceu com Sophia, a Mente mergulhou num mar de ilusão.
Os mecanismos que a Mente primeiro fez uso para salvaguardar a sua individualidade, compreende o Ego (que podemos chamar de Ego cósmico). Mas como dita o Principio da Correspondência: assim como é em cima é em baixo. O mesmo mecanismo que mantém as colossais sistemas siderais separados, individualizados – ego cósmico – se faz sentir no mundo creado com ego.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
Vamos nos expressar nesta palestra de uma forma com se a Mente e Consciência fosse dois seres tomando decisões, mas nosso intento é facilitar a compreensão, e dessa forma fica mais fácil o entendimento.
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