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Reflexos da Descontinuidade


" Os seres são imagens do ser, que ignoram sua natureza UNA".

Considerando-se Deus como uma unicidade, com algo absoluto e infinito, muitas condições podem ser consideradas. Admitindo-se que este mundo seja uma forma de “Deus Ver a Face de Deus” – conforme afirmam os cabalistas – uma das indagações é o porquê Dele se ver fracionada-mente. Inicialmente devemos levar em conta a nossa concepção do nível mais elevado de Deus.
Consideremos então como uma unicidade absoluta, como o próprio Absoluto e Infinito. Para ser Infinito Deus tem que conter tudo, o Infinito não tem periferia, tudo está nele incluído. Nele não existe o “fora”, consequentemente também não existe o “dentro”, simplesmente o que há é a exis-tência. Não se pode falar no fora e no dentro de algo que não tem limite entre essas duas condições. O absoluto e o Infinito têm que ser um mesmo algo. O Infinito não tem fronteira, logo Deus como tal não pode ser limitado sob qualquer forma. Ele é uma Unicidade, portanto sem nenhuma possibi-lidade de existência de algo mais.

Representemos essa unicidade cósmica por um objeto qualquer – ilustração 1 – ou como ou Vamos admitir, para facilidade de desenvolvimento do nosso raciocínio, como um pneumático, ou como o faz Fridjof Kapra em seu livro Ponto de Mutação – por um biscoito vasado no centro. Ilus-tração 2.



A percepção como um todo, como uma Unicidade, só é possível havendo limite, para assina-lar o dentro e o fora. Para que possa haver percepção global o observador tem que estar de fora. Como pode quem estar dentro ver a totalidade? Se não existir o “fora” então, seja lá o que for, só permite a possibilidade de uma visão interna, isto é, ser percebido como parte.

O mesmo acontece quando a percepção é limitada. A percepção limitada equivale a um ní-vel de percepção que podemos representar por um plano. Essa condição de percepção limitada é o que faz a Mente não possa registrar a totalidade. Para isso ser possível ela deveria existir fora do absoluto, e como já dissemos em se tratando de infinito não existe o fora; em termos de absoluto Nada pode ficar de fora.

A Mente então percebe a Unicidade da ilustração 2 da forma apresentada conforme a ilustração 3.


Ilustração 3

Representação da unicidade da ilustração 2 sendo interceptada por um plano, representativo da percepção limitada – Mente percebendo a Consciência. Aquilo que nesse caso é percebido não é a totalidade mas como parcialidades – Ilustração 4.


Ilustração 4

Só aparentemente existe uma descontinuidade. Aquilo que é “um” se apresenta como se fosse “dois”. Na verdade o objeto considerado permanece íntegro – continua sendo “um”, mas acon-tece que a pessoa não tem como visualizar assim, ela só pode visualizar como uma duplicidade.

Para todos os efeitos práticos existe uma duplicidade, cada uma das imagens tem que ter limite, sem o que seria apenas uma. Quando a percepção aparentemente desdobra a unicidade ela cria todas as qualidades condizentes com os Princípios Herméticos, como veremos.

Agora vamos considerar o seguinte: Quando maior for o número de focos de percepção, maior será o número de aparentes objetos “formados”. Afastando, ou aproximando a percepção, a descontinuidade continua.

Agora consideremos um objeto compacto – ilustração 1. Nesse caso a intercessão gera uma só imagem, mas não uma unicidade – ilustração 1. A percepção dele gera uma imagem como a re-presentada na ilustração 5.


Ilustração 5

Trata-se de uma imagem única, mas que a rigor não é uma Unicidade. Veja que a polaridade continua, assim como distância entre os extremos, logo a presença de espaço, consequentemente de tempo. Isso é uma limitação imposta pela percepção. Se há extremos, há pólos; se há pólos, há al-guma forma de diferenciação, pois, do contrário os dois pólos seriam apenas um. Vemos que mesmo em se tratando de um objeto compacto a mente duplica a imagem. Na verdade não se vêem as sepa-rações em decorrência das limitações da percepção, mas, na verdade, elas existem, embora não se-jam percebidas pela visão. Na ilustração 5 a linha não é um continuo, mas sim uma sucessão de pon-tos, como, aliás diz a definição de linha (sucessão de pontos).


Ilustração 6

A ilustração 3 mostra apenas um plano de percepção, mas eles podem ser incontáveis de-pende da situação do plano diante da imagem. Assim, podemos considerar um plano de percepção mais abaixo – ilustração 6. Neste caso também a percepção – ilustração 7 – se apresenta linear e aplica-se o que foi dito a respeito da ilustração 5.

Ilustração 7

Em síntese, todas as percepções sempre geram uma aparente descontinuidade e suas conse-qüências, polaridade, espaço, tempo, etc.

Os exemplos mostrados nesta palestra incluem também o Ser. Só existe um Ser, mas a mente não percebe como tal, então percebe como se existisse uma descontinui-dade, existissem múltiplos seres.


Ilustração 8

O somatório das percepções compõe aquilo que chamamos de Universo e que consideramos como sendo algo real, quando na verdade trata-se apenas de uma projeção. É apenas o resultado das inúmeras formas de como a unicidade é percebida, por isso o Hermetismo diz: O Universo é Mental.





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br






   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 26 de Julho de 2006
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