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Reflexões Sobre a Descontinuidade


" A mente para manter a ilusão de independência cria o Ego ".

O aparente desdobramento da Unicidade gera a multiplicidade, e sendo assim as imagens formadas são réplicas uma da outra. Como se tratam de um só objeto todas as características de uma se repete na outra: Assim como e em cima é em baixo – Principio da Correspondência. Como forma de exposição, vamos considerar – ilustrações 1, 2, e 4 – que o ser, A e o B que conforme a ilustração 3 eles são um mesmo.


Considere a ilustração 6. Se A e B – seres – se dessem conta de si mesmos (“consciência de si”), surgiria a ilusão do eu e o do tu, guardando um distanciamento – espaço, e exigência de tempo para um deslocamento entre A e B e isso requereria movimento.

Para que existissem dois objetos cada um teria que ter características diferenciativas próprias, no mínimo um limite para cada um. Pela ilustração 1 se pode ver que não existe limite algum, pois os dois objetos são um mesmo. Não existindo dois, então também não existe realmente separação e, consequentemente, a idéia criada de espaço, tempo e movimento são falsas são meramente mecanismos de percepção gerados pela Mente. Conclusões: individualidade – descontinuidade – espaço e tempo são tão somente condições perceptivas engendradas pela Mente. Aparentemente de um objeto – ser - para outro há necessidade de movimento para percorrer distancia espaço. Veja que tudo isso são aparências, efeito resultante da percepção incompleta. Na verdade todos esses elementos – tempo linear, espaço, movimento, descontinuidade – são conjecturas são falsas, pois, afinal realmente só existe um objeto.

Ilustrações 6 e 7

A partir de uma condição falsa, A se considera uma individualidade independente de B e daí a necessidade de preservá-la. A não “admite” ser o próprio B, resiste em aceitar tudo o que possa levar a ter que admitir a verdade. Por isso o ser cria uma sucessão de elementos de separação, de qualidades próprias que, na verdade, não são mais que alimentadores da ilusão. Neste contexto “A” desenvolve meios para preservar sua aparente individualidade, manter uma ilusão como verdade.

A mente faz empenho em manter a ilusão de independência (inexistente), para isso ela desenvolve o Ego.

Visando manter a falsa polarização – Ilustração 7 – há uma resistência tremenda contra tudo aquilo que possa desfazer essa aparente polarização, que tente mostrar que as condições das ilustrações 2, 3, 4,5 são falsas, pois a verdadeira é da ilustração 1. Resistência ao entendimento de que A e B verdadeiramente não é uma dualidade. Resistência a se unirem, embora não haja sentido real no se unirem porque já são basicamente unidas. É impossível unir o que já está unido. Como A e B não são duas coisas, então há como que uma tremenda força impedindo a junção, impedindo porque as duas já estão unidas.

É a falsa necessidade de manter a separação que serve de base para a existência; no caso dos seres humanos é quem condiciona todas as características egóicas, tais como orgulho, ciúme, inveja, egocentrismo, medo, apego, dúvida, inveja, desconfiança, ânsia de poder, vaidades, etc. e de tudo aquilo que deriva desses fatores. Se A sentisse ser o próprio B então não poderia haver o egoísmo, não poderia haver sentido de segregação, não poderia haver ciúme, nem orgulho e nem inveja.

Não haveria sentido de posse, pois o que era de um era também do outro, e todas as condições mencionadas por não existir competidor algum.

As religiões insistem na necessidade da purificação, mas podemos agora entender que purificação diz respeito apenas à individualidade. Purificar é libertar a parte – ser – de condições que dificultam a vida, mas, por outro lado, tende até mesmo a fortificar o conceito de dualidade - alimentar o ego. Purificar é tornar A e B mais aptos, tirar uma grande quantidade de elementos que dificultam o existir. Mas, na verdade, a purificação é um trabalhado sobre uma ilusão e não sobre uma realidade. Com isso não estamos querendo insinuar que a purificação não deva ser feita. Ela deve levada a efeito sim, pois torna o ser mais livre de miríades de injunções que mantêm a individualidade, Mas temos que convir que a purificação faz o mesmo, assim surgem os fanáticos que podem ser muitos virtuosos, mas como fanáticos não querem abandonar a individualidade. O importante não é o ser se considerar puro, mas se considerar como um aspecto do Ser. Não é importante o ser se considerar puro desde que ele se considere uma individualidade; o fundamental é que ele se sinta uma ilusão como ser é uma realidade como Ser. A quase totalidade dos elementos ligados à pureza tem como base conceitos, tão somente a códigos. O estado de pureza é muito melhor do que o oposto, porque significa “remar a favor da maré”. É não infringir seus códigos controladores, e daí não se sentir condenado, do que resulta tudo se tornar mais fácil no viver como ser isolado da unicidade.

Um ser puro pode existir por incomensurável tempo, mas tende a ficar preso na própria condição de pureza, cativo do Mundo Imanente, sem uma verdadeira libertação. Na ilustração 6 - permanecer como A ou como B puros, mas continuando sem voltar à unicidade, ilustração 1. Enquanto o sentido de pureza for mantido também estará sendo mantida a condição de separatividade.

Mesmo que os seres ainda não vivenciem a unicidade, ainda assim o fato de admiti-la já é um bom passo no sentido da volta à origem. Por isso o objetivo da VOH é conscientizar as pessoas, mostrar a vulnerabilidade e a falsidade inerente à Mente.





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br






   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 28 de Julho de 2006
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