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A Libertação de o Ser


"Não confunda jamais conhecimento com sabedoria.
Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida."

Sandra Carey




A liberdade não se encontra em um estado de Ter, mas em um estado de Ser...
Em decorrência da importância fundamental da pessoa não apenas saber, mas se direcionar para a origem una, muitas vezes temos escrito muitos temas direcionados ao entendimento de que aquilo que vivenciamos como um mundo real, na verdade ele não passa de uma ilusão, quando muito de uma realidade virtual, ou seja, um holograma.

Uma coisa as religiões têm em comum, a afirmativa de que o ser vive confinado a um lugar, ou condição da qual ele precisa se salvar. Nesse sentido cada religião prega sobre os meios de como isso pode ser feito. Algumas dizem que se isso depende da purificação, o que não é verdade. Temos estudado que a purificação é uma condição muito relativa, algo que diz respeito a observância de meros códigos conceituais.
A VOH[1] dá importância apenas relativa à purificação porque de forma alguma apenas basta para promover o retorno dos seres ao estado de Ser. Para as religiões pureza é sinônimo de infringência das leis e mandamentos da religião aceita. Para elas puro se torna aquele que obedece aos mandamentos ditados pela sua religião ou pelo seu próprio entendimento ou sentimento. A VOH dedica uma das câmaras ao estudo dos códigos, visando esclarecer sobre uma das condições que mais fortemente acorrenta o ser à ilusão de mundo real; a corrente dos códigos instituídos. O estado de pureza não indica que a pessoa já esteja ciente de tudo quanto há, e menos ainda que ela já sinta ser o mundo não uma realidade objetiva, mas sim uma imagem virtual, que em conjunto os orientais chamam de Mundo de Maya. A VOH procura mostrar que o ser tem que voltar ao estado do Ser, para isso tem que se libertar da ilusão pelo entendimento de que o Mundo é Mental, mas que mesmo sendo uma manifestação virtual, ainda assim, ele constitui um presídio.

Um ser puro pode nem ao menos se dá conta de que ainda não está liberto, que vivencia apenas uma condição inerente ao mundo de ilusão. Quando se torna um ser cientificado ele já sabe que vive numa ilusão, e que pode sair dela, mas mesmo assim ele pode não querer sair dela, por sentir a importância de assumir uma missão salvadora para outros seres presos à ilusão. Isso acontece, por exemplo, com Jesus e por muitos outros Grandes Mestres Cientificados. Eles, estando cientificados, são obviamente sabedores de que o mundo é uma ilusão, mas sabem que miríades de seres são escravos de tal ilusão, e que lhes cabe ensinar como abandoná-la e deixar de serem escravos. Assim decidem pelo não sair assumindo então a missão de salvador tendo como base o ensino dos passos essenciais a fim de chegarem mais facilmente à libertação. O querer é soberano, por isso, mesmo ciente da ilusão do mundo, o ser, mesmo cientificado, pode ainda não querer para si a libertação plena, ou seja a volta ao estado de Ser.

Enquanto as religiões pregam em torno da purificação, as Ordens o fazem em torno da cientificação e o Hermetismo da libertação. Libertação significa eliminação da ilusão de mundo real. Religiões e Ordens equilibram e esclarecem os seres, mas não livra os prisioneiros da ilusão. Por sua vez, o Hermetismo e certas Doutrinas Védicas procuram ensinar como o aprisionador “castelo da ilusão” pode ser eliminado, e o ser se tornar verdadeiramente liberto. As religiões se atêm muito à purificação, as ordens à cientificação, mas nem umas nem as outras efetivam a libertação, pois mesmo atingindo o grau de pureza e de cientificação o espírito ainda continua preso ao mundo gerado pela sua percepção.

Podemos usar como analogia uma sala de projeção cinematográfica comparando-a com este mundo. Numa sala de projeção cinematográfica um cenário real está sendo projetado, mas o mesmo filme também pode simultaneamente estar em um incontável número de outros cinemas. Para o expectador aquela sala parece única, pois suas percepções estão ativas somente nela. Para um expectador que ignora que aquela sala é apenas um local de projeção de um cenário externo. Contudo as cenas reais não estão ali e sim noutro lugar e em outro momento. Uma criança pode até acreditar que aquilo que percebe é uma realidade tangível. O expectador pode até ignorar que realmente haja outras salas projetando simultaneamente o mesmo filme e até a mesma cena. Consideremos então que pode ocorrer que mesmo se aquela sala for desligada as outras continuarão sem prejuízo algum, sem diferença alguma, efetivando a mesma projeção, pois em verdade tudo não é mais do que imagens irreais, nada realmente está ocorrendo ali como evento real e sim apenas uma projeção virtual de algo exterior. Um expectador que não esteja ciente – cientificado – disso ele ignora que mesmo se o projetor de sua sala for desligado – desativado – ainda assim nas demais salas tudo continua sem qualquer modificação.

A vida nesse mundo acontece de forma semelhante, tudo o que percebemos não faz parte dele, são meramente imagens projetadas, e também nós não estamos realmente nele, apenas nele está o nosso ponto de focalização do que estamos percebendo.


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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Venerável Ordem Hermética.
   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 26 de Dezembro de 2007
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