A existência no mais alto nível que se pode conceber, corresponde à Consciência. O que existe antes é impossível se ter a mínima idéia, por isso usa-se o termo Inefável para designá-la. Inefável etimologicamente significa aquilo que de nenhuma forma é passível de ser definido. Disso advém que somente a partir da Consciência é que se pode rastrear, ou melhor, estabelecer um modelo de manifestação. A partir da Consciência tudo quanto existe se manifesta compreendendo àquilo que recebe o nome de Mente. Tudo o que se percebe provém dela, mas como é impossível detectá-la como um todo, então é feita parcialmente, e a isso atribuído o nome de Mente.
No processo da creação se destacam duas condições, uma chamada pelos Orientais de Prakriti, e a outra de Purucha. Prakriti encerra tudo aquilo que vai formar as estruturas nas quais a Consciência de se manifestará. Compreende os elementos presentes no universo e que serve de “espelhos” para a manifestação se processar. Embora os gregos citassem apenas quatro elementos constitutivos do mundo, o Hermetismo afirma a existência de 7 níveis, ou seja, Terra (matéria), Ar, Água, Fogo, Energia, Akasha e Luz Primordial que podem ser considerados como o próprio Poder Creador, a partir do qual tudo deriva. Os sete elementos são chamados de “elementos imanentes”, qualidades objetivas da creação, fontes de tudo o que pode vir a ter características concretizável, se manifestar de alguma forma.
Purucha representa o lado subjetivo, que não se apresenta como algo concretizável por si mesmo, ou seja, que requer alguma forma objetiva oriunda de Prakriti. Purucha compreende aquilo passível de só ser concretizável através de algo que possa servir de “espelho”. Tomemos como exemplo a beleza. Ela não pode se manifestar sozinha, para isso há a necessidade de alguma coisa para Le servir como “espelho”. Assim ocorre com qualquer manifestação de Purucha que compreende o lado abstrato de tudo quanto há. Qualquer expressão de existência no Imanente é fruto, portanto, da união de Puruccha dá origem ao lado objetivo.
Assim, tal como acontece com relação à Prakrit, também Purucha envolve sete níveis.
O Poder Creador – Luz Primordial – é o mais alto nível de expressão da existência e sempre presente tanto em Prakriti com o nome de Luz Primordial, quanto em Purucha como Poder. É o primeiro algo, e ponto de união entre Purucha e Prakriti. É o elo entre as duas vertentes, afinal tudo vem do Um.
Muitas formas de linguagem podem ser usadas para denominar os níveis de manifestação de Purucha, mas como o Supremo Ser também é chamado pelo nome de Grande Arquiteto do Universo, então preferimos usar linguagem de Arquitetura para descrever as etapas do desenvolvimento e concretização do nosso mundo.
Para a realização (quer seja considerado um aspecto concreto ou ilusório) o Grande Arquiteto do Universo – GADU – sentiu a necessidade de concretizar a existência como esse mundo habitual.
Em uma creação qualquer, primeiro é preciso ter poder. Em arquitetura o poder para a realização de algo representa o material de construção, e o trabalho. Sem isso o arquiteto nem ao menos pode dar início à obra. Mas, não basta o PODER, também é preciso ele SENTIR a necessidade de realização e a seguir QUERER realizá-la. A partir daí ele primeiramente arquiteta aquilo que vem construir – ARQUITETAR – segundo a finalidade para aquilo que pretende realizar. Essa é a etapa que o arquiteto procura atender à funcionabilidade da obra, procura “ver” tudo quanto diz respeito à execução e à funcionabilidade da obra. Salientemos que incontável número de projetos de arquitetura pode ser efetivado, por isso é mister que seja levada em consideração a finalidade da obra. Em atendimento a isso
o arquiteto escolhe o melhor projeto – IDEALIZAÇÃO – optando por aquele que melhor venha atender ao projeto. Assim vem o PROJETAR da obra, etapa que já não diz respeito propriamente à escolha e sim ao estabelecimento da consecução daquilo que foi idealizado. Feito o projeto resta à concretização do projeto – CONCRETIZAR.
Diz o Principio Hermético: “Assim como é em cima é também em baixo”. Portanto aquilo que acontece no plano material é uma recíproca do mesmo que acontece no nível mais elevado.
Assim podemos mencionar as etapas da creação: PODER, SENTIR, QUERER, ARQUITETAR, IDEALIZAR, PROJETAR, e CONCRETIZAR.
|
![]() |
|