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"Quanto mais brilhante você é,.
tão mais você tem a aprender."

Don Herold




A liberdade é um estado de espírito consciente...
O grande drama da existência resulta de O Ser haver “deixado” a condição de Ser Consciência (ilimitada) para a condição de ser mente (limitada); deixando vivenciar o Mundo Transcendente para vivenciar o Imanente. Essa é a condição da existência dos seres, e é reverter esse processo que ele por tempo incomensurável tenta fazer para voltar à condição primordial. Todo o processo existencial humano consiste na reversão do processo. Visando isso existem as religiões (Religião = religare = religar) considerando para isso a purificação; as Ordens e Doutrinas, a cientificação; o Hermetismo e algumas Doutrinas e Filosofias Orientais, a libertação.

O Hermetismo não considera a purificação, e nem mesmo a cientificação, como fundamentais, na volta à origem, pois mesmo estando puro e cientificado o ser ainda pode permanecer de alguma forma e por algumas razões no mundo da ilusão.
Para tornar claro esse tema, vamos voltar ao exemplo que demos na palestra anterior no qual citamos um expectador e algumas salas de exibição cinematográfica. Consideremos agora que o expectador não estivesse fisicamente na sala. Mesmo assim ele poderia acompanhar o filme desde que houvesse um detetor registrando as cenas em uma as salas e as transmitindo para ele. Nesse caso, se a projeção na tela cessasse, ou seja, se a sala da qual estivesse sendo feita a transmissão fosse desativada, mesmo assim ele poderia continuar assistindo o filme desde que passasse a focalizar uma das outras salas ativas. Assim, para ele o espetáculo continuaria a se apresentar como se nada houvesse acontecido. Num caso assim, diante de uma cena desagradável, ou desinteressante, nem seria preciso desativar a sala, bastaria deter a focalização por algum tempo e só reativada no momento conveniente, ou transferir o foco de captação para outra sala.

O Hermetismo há milênios afirma que a natureza do Universo é mental, que tudo aquilo que consideramos como o tal não é mais do que uma ilusão acarretada pela mente (O mesmo dizem as Doutrinas Védicas). O mundo não existe como uma realidade, mas sim como uma imagem virtual que hoje podemos chamar de holográfica.

Como metáfora para facilitar a compreensão sobre a natureza do mundo perceptivo, ele pode ser comparado com um cinema. Nele, as cenas projetadas não são realidades; podemos dizer que a projeção não é real e sim apenas imagens refletidas na tela. Mas, segundo o Primeiro Princípio Hermético, isso é verdade, aquilo que é tudo como mundo é meramente uma sucessão de imagens projetadas. Indo mais longe se pode afirmar que não somente as cenas não são reais, que o drama encenado não faz parte da sala de projeção, mas também que nem mesmo o expectador está nela, ele detecta os acontecimentos mediante um meio de captação. Isso equivale a estar presente, desde que está captando toda a peça que está sendo encenada, mas sem que ele esteja na sala. Assim nem os acontecimentos e nem o espectador fazem parte do ambiente, isso é, sejam reais.

O expectador capta o que está ocorrendo na tela de projeção sem que necessariamente esteja fisicamente na sala. O mesmo pode ser atribuído a este mundo, o ser capta através da mente o que está ocorrendo e compondo um determinado mundo através do ponto focal de sua percepção. Como o mundo para a mente é constituído pelo que ele percebe então, como ele só o faz a respeito de um mundo, então acredita ser o único existente. O expectador do cinema estando percebendo somente uma tela ele crê ser aquela projeção a única existente.

O mundo para uma pessoa compõe-se apenas do que ela estiver percebendo e dos registros de memória que possam ser usados como associação mental. Apagando-se a memória, a única realidade passa a ser apenas o que estiver sendo percebido; não havendo memória não há associação de idéias; sem memória não há lembranças que possam ser invocadas e que mostrem que há algo mais além do que é percebido. Na metáfora do cinema, para um hipotético expectador sem memória nada mais existe alem do que ele detecta. No caso do mundo hodierno, como não temos memória de outros mundos, lembranças de vivências, etc., então para nós só existe ele e não outros.

O mundo é onde está a percepção, e no caso, como a percepção está na sala logo o ser acredita que aquilo é tudo e sem suspeitar que o que ele está percebendo pode ser uma retransmissão e que nesse caso nem a cena e nem ele são realidades, ele não está na sala do cinema; nem são reais nem as imagens e nem ele mesmo.

Num cinema o filme pode ser interrompido e nesse caso cessa a percepção, tudo caba, a cena apaga na tela. Mas como o expectador está fora da sala naturalmente ele pode focalizar outra sala onde o mesmo filme esteja sendo projetado.

Este mundo não é real, ele é um cenário em que nenhum drama real está ocorrendo, apenas existe uma projeção holográfica. A percepção pessoal é quem detecta tudo. No campo universal acontece o mesmo, o mundo em que vivenciamos é apenas como se fosse uma “sala de projeção”, tudo o que nele ocorre não é real e nem tem origem nele. Mesmo os seres realmente não estão nele, são apenas detectores do que está ocorrendo nele. Nem as cenas são reais e nem os detectores, a cena está no “Eterno Agora”, e assim também o Ser.

Uma pessoa num cinema pode se libertar de assistir aquilo que não lhe interessar, para isso basta mudar o foco de percepção. Nada se acaba, apenas deixa de ser percebido ali; nada acaba porque nada realmente está lá. Nada acaba se uma cena termina bruscamente. Se um projetor for desligado, outro ativo em outra sala poderá ser captado, bastando ocorrer o deslocamento da percepção do observador; ele pode sair e ir para outra sala, ou sintonizá-la de alguma forma, mas para isso é preciso dispor de suficiente energia para se deslocar.

Num cinema toda cena atormentadora pode ser desligada. O expectador pode selecionar apenas cenas que lhes interessem, que lhes sejam prazerosas e afastar as desprazerosas. O mesmo acontece no existir no mundo, a pessoa pode deslocar seu foco de percepção, sair de um ponto e se situar em outro, sair do desagradável e se colocar no agradável. Se as percepções em um mundo não forem.

Pergunta-se porque essa mudança de condição não é prática comum, por que o ser não se liberta e continua por eras e eras preso a um mundo que não lhe é prazeroso. Podemos dizer que há duas condições básicas que limitam o processo: Ignorância sobre a natureza do mental do mundo, e carência de energia. A resposta está no elemento energia. A quase totalidade da humanidade não consegue modificar o mundo (mudar a projeção), ou mesmo transferir sua percepção para outro nível ( sair de um cinema para o outro) por carência de energia, por não ter suficiente poder pessoal.

Temos falado numa “guerra cósmica” que tem como objetivo a energia. A energia é um dos níveis de Deus que dinamiza todo o universo. Sem ela a pessoa não pode haver a libertação do jugo da existência da ilusão de existir em um mundo imanente. Um ser não tem como voltar à condição de Ser se não dominar a arte de perceber, e para isso necessita de imenso poder pessoal.

Tudo o que dissemos mostra porque a energia é o que conta dentro da creação. Daí a grande importância que é dada à energia, ela é tudo na consecução ou transformação de qualquer ato no mundo. É a carência de energia quem faz com que a pessoa fique presa ao Mundo da Imanência.

Já podemos sentir que as práticas místicas mais importantes são as que dizem respeito à energia. Também porque a consideramos a “moeda universal” pois em tudo quanto ocorre no universo ela é a causa básica.


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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 27 de Dezembro de 2007
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