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Introdução à Natureza dos Sonhos
Autor: José Laércio do Egito
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Seriam os sonhos um processo mental sem utilidade?
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Em todas as épocas o sonhar exerceu grande influência sobre as pessoas. Para uns, algo sem significação, para outros algo tão importante que muitos foram tidos como mensagens dos deuses.
Na Bíblia há muitas citações a respeito de sonhos, muitos profetas receberam mensagens das divindades através de sonhos. Há muitas referências aos anúncios feitos em sonhos pelos anjos anunciadores, assim aconteceu com o nascimento de Salomão e de Jesus.
Teriam os sonhos importância real? - Certamente pois na Bíblia está escrito: Quando os tempos forem chegados as crianças terão visões e os velhos terão sonhos.
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A fisiologia até o momento não foi capaz de explicar o que na realidade são os sonhos, apenas ela consegue detectar quando uma pessoa está sonhando e alguns mecanismos cerebrais inerentes ao processo, mas de forma alguma o que ele é em essência.
Sendo algo muito enigmático é muito elevado o número de tentativas de explica-los, chegando mesmo a existir um mística inerente ao sonhos. A arte divinatória tem nos sonhos um dos seus principais suportes operacionais.
Sempre houveram os que tentaram interpretar os sonhos. Na Grécia antiga as pitonisas pre¬viam o futuro e adivinhavam os acontecimentos pelos sonhos, tal como faziam também os antigos sacerdotes da Pérsia.
Para os Cristãos e Judeus o mais conhecido de todos os sonhos é aquele que José, filho de Jacó interpretou para um Faraó do Egito.
Aquele sonho do Faraó constitui um dos tipos básicos e classificado como SONHO PROFÉTICO.
Na psicanálise o sonho tem um papel muito importante haja visto o que disse Freud: “O sonho é na vida real o que conduz ao conhecimento do inconsciente”.
Os sonhos sempre tiveram uma auréola de mistério, exatamente não apenas porque representam um estado de consciência totalmente discrepante com o estado de virgília pois que, via de regra, são alheios aos princípios que regem o pensamento lógico. São condições que ocorrem como que fora do espaço-tempo comum. Na realidade
é assim, somente a mente objetiva tem essa conotação de tempo, que Vivenciamos no dia a dia, mas podemos afirmar que em outros níveis de consciência se tem uma sensação temporal característica.
Conforme o plano de consciência em que se esteja a sensação de fluir do tempo vai desde o patamar típico do dia a dia comum até um patamar em que torna-se zero ao nível do NADA. Por isso é que durante o sono a pessoa perde a noção de tempo físico, a noção de cronologia. Sonha-se alguns segundos e tem-se a impressão de uma vivência correspondente a horas ou mesmo dias e meses do estado de virgília.
Diz a medicina que o sonho é indispensável à saúde mental. Se privar uma pessoa do sonho por certo a sua mente entra em falência.
Poucos sabem que existem distintos tipos de sonhos como veremos:
SONHOS DE TENSÕES;
SONHOS PROFÉTICOS;
SONHOS POR PERCEPÇÕES DO ESPÍRITO;
SONHOS POR PROJEÇÕES ASTRAIS.
Nesta palestra veremos dois dos quatro principais tipos de sonhos.
SONHOS DE TENSÕES:
A psicanálise admite que é através dos sonhos que ocorre um extravasamento das tensões internas. Freud disse que no sonho a mente fica liberta da auto-censura, e assim se dá vazão aos impulso sem as contenções impostas pelo formalismo da vida.
As preocupações geram tensões que fazem com que a mente cerebral torne-se muito ativa durante o sono. Assim, parte daquela atividade psíquica que ocorre durante o sono aflora em parte ao nível da consciência de virgília sob a forma de sonho.
Via de regra, este tipo de sonho é algo confuso, incompleto e incoerente. Isso ocorre porque apenas parte daquela
atividade é rememorada, além do mais como ele é formado a partir de fragmentos de várias situações diferentes estruturando um contexto muitas vezes sem segmento lógico algum. Portanto, o principal motivo do aspecto confuso apresentado pelos sonhos resulta da ação de filtro exercido pela auto-censura que apenas deixa aflorar no estado de virgília apenas parte daquela atividade.
Somente aquilo que não envolve um grande conflito para a consciência moral é que aflora, o mais fica totalmente bloqueado a nível de subconsciente. O filtro da censura, mesmo com a pessoa fora do estado de virgulais, somente deixa passar fragmentos esparsos do contexto, por isso é que os sonhos geralmente são confusos.
Indubitavelmente um dos tipos de sonho é este, o sonho como extravasamento da tensões, que nada mais é do que um afloramento de condições que no estado de é contido pela censura pessoal.
A dificuldade de muitos analistas é o não admitir que existam outras razoes, outros processos que se manifestam como sonho. É o querer que tudo seja tão somente um extravasamento do conteúdo inconsciente da pessoa.
Nisto praticamente é que se baseia algumas linhas de psicanálise. A psicanálise estabelece como norma de tratamento a utilização dos sonhos no sentido de tornar a pessoa consciente daquilo que está reprimido dentro dela. Dormindo a auto-censura rompe-se em parte deixando aflorar o problema como sonho aquilo que estava reprimido em níveis profundos da mente cerebral e que era a causa de algum distúrbio somático ou de conduta.
Por isso para Freud o sonho seria uma tentativa da mente de realizar um desejo que no estado de virgília ou está contido por uma série de fatores, especialmente pela censura. De forma alguma negamos isso, apenas queremos salientar que tal representa apenas um dos tipos possíveis de sonho.
Neste grupo situa-se grande parte dos sonhos eróticos. Para a psicanálise o sonho erótico nada mais representa do que o afloramento das repressões exercidas sob a sexualidade. As religiões sempre exerceram grande repressão à sexualidade por várias razões. Algumas delas estudamos na palestra A MÍSTICA MATRIMONIAL.
Assim se estabelece a censura moral para impedir que a pessoa utilize-se da sexualidade de forma indiscriminada. Parece ser isso uma imposição prejudicial desde que ela pode ser fonte de distúrbios. Mas Queremos dizer que mais sério é a liberdade sem limites como veremos depois.
Se a liberdade sexual por um lado diminuiria as tensões, por outro lado ela ocasiona seríssimos problemas para a pessoa, não apenas a nível social como especialmente a nível energético.
Na temática referente às repressões de natureza sexual deve ser considerado tudo aquilo que já ensinamos sobre a ENERGIA SUTIL.
Mas queremos dizer que nem sempre um sonho erótico representa um afloramento de uma repressão sexual, pois existe um outro mecanismo que estudaremos numa palestra futura desta série e que é algo muitíssimo mais perigoso.
SONHOS PROFÉTICOS:
Na mente cósmica tudo já existe e aquilo que chamamos mente individual nada mais é do que uma parcela daquela. Assim sendo na mente já está o presente, o passado e o futuro. Assim sendo é possível em determinadas situações a pessoa ter acesso a um nível que ela pode ter ciência até mesmo daquilo que ainda não se manifestou cronologicamente.
Esse tipo de acesso à mente atemporal é possível mesmo no estado de virgília porém é mais comum durante o sono quando há o silencio do diálogo interno, quando há contenção do pensamento.
"O pensamento é como um caçador ” está a todo tempo se movendo de um lugar para ouro, permanentemente espreitando. No estado de virgília a pessoa permanentemente está com a mente em grande atividade sob a forma de pensamentos.
À cada segundo o pensamento muda de um lugar para outro, de uma coisa para outra, de uma circunstancia para outra. A pessoa tem um tagarelar interno permanentemente e isto se constitui a primeira grande dificuldade ao acesso a níveis mais elevados de consciência. Durante o sono esse dialogo interno é atenuado acentuadamente e assim torna-se mais fácil a pessoa ter acesso aos planos mais altos da sua natureza cósmica.
Abordando a CENTELHA CÓSMICA inerente à cada pessoa é possível se ter acesso ao futuro e isso pode aflorar como um sonho. Na realidade quando tal acontece trata-se de uma visão alem do tempo cronológico. Tudo já existe na mente assim é bastante que se tenha consciência de uma consulta aos registros do tempo, ou como preferem alguns, aos registros akásicos, que é provável a antevisão do futuro.
Quando a pessoa tem acesso aos registros do tempo, que é parte de sua própria natureza, durante o sono ela ao acordar, ao voltar ao estado de virgília tem uma sensação exata de haver tido um simples sonho.
A mente tem um escudo protetor natural que protege a pessoa contra grandes perigos inerentes ao sonhos como estudaremos em outra palestra. Esse perigo diz respeito à identificação que pode ocorrer não apenas no estado de virgília como também no sonho.
No estado de virgília a pessoa vive sem consci-ência de si, vive quase todo tempo identificado com as tensões, com aquilo que lhe chega pelos canais dos sentidos. Praticamente só em poucos momentos a pessoa está consciente de si. Durante o sonho ocorre exatamente o contrário, a pessoa mesmo que normalmente não esteja consciente de si mesmo assim ela assiste a coisa como um espectador.
Durante séculos o homem se recusou a aceitar o sonho como coisa de sua autoria. Ao sonhar a pessoa tem a impressão dele ser apenas um espectador de seu próprio sonho, e só rara e vagamente ela percebe como se fosse uma produção pessoal, algo à semelhança de um filme em que ele é um espectador. Mesmo que ele seja um dos personagens naquele episódio do sonho mesmo assim ele sente-se como se fosse um mero espectador.
Em tema futuro veremos uma situação muito séria exatamente quando em vez de
ser um espectador a pessoa se identifica com o próprio sonho. Quando isso ocorre podemos afirmar, por razoes que estudaremos numa próxima palestra, existe uma situação real de perigo. Para a psicanálise o sonho é uma produção da pessoa embora a sensação de quem sonhou do sonhador seja o oposto disso. Ele tem a sensação de haver sido algo que ele apenas assistiu, mesmo que haja sido um dos personagens.
Outro ponto que merece consideração diz respeito à linguagem dos sonhos. Em uma palestra anterior em que tratamos de outros mundos dissemos que a linguagem de comunicação entre o mundo físico e o mundo hiper-físico se processa tem como expressão a linguagem simbólica. São os símbolos que servem de linguagem entre diferentes mundos. Assim, o conteúdo onírico tem grande percentual de símbolos.
Autor: José Laércio do Egito
O autor é médico homeopata, professor e escritor.
email: thot@hotlink.com.br
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