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Iniciação aos Mistérios do Fogo


" O Gênio revela uma lei verdadeira;
o homem genial imediatamente a aplica e fecunda;
o genialóide julga descobrir e cria o paradoxo ".

G Bovio


Um elemento de transformação, assim é o fogo
A iniciação em plano não físico consciente é aquela em que o iniciando não participa em corpo físico. Neste caso ele primeiro deve ter adquirido a capacidade de se projetar fora do corpo de forma consciente. A própria ordem através de exercícios e outras práticas vem desenvolvendo durante um longo período preparatório essa capacidade aos filiados e quando o discípulo está pronto então ocorre a sua iniciação. Pronto não apenas para se desdobrar mas especialmente pronto para cumprir a sisão que lhe confere.
As organizações mais secretas e elevadas usam mais esse tipo de iniciação porque ele confere ao iniciando poderes bem maiores que aqueles que são conferidos pela iniciação do primeiro tipo. O cerimonial se processa em plano astral e não em corpo físico e os participantes estão totalmente acordados, conscientes objetivamente do processo. É uma experiência inefável pois somente pessoas que atingiram um certo grau de desenvolvimento podem participar, pois não basta uma pessoa dizer eu quero, estarei presente e coisas assim pois o filtro de seleção dos candidatos de participantes é rigoroso. Um mestre mesmo que falhe em sua função pode conferir uma iniciação física, mas não entra jogos de interesse pessoais.

Muitas organizações através do tempo se desmoralizaram e perderam o direito de conferir iniciação exatamente por se deixarem envolver por favoritismos motivados por interesses pessoais ou de grupos, efetivando cerimoniais para concessão de iniciação a pessoas não merecedoras. Isto é exatamente o tipo de coisa que jamais pode acontecer numa iniciação do segundo e terceiro nível, pois a condição não corporal inerente ao processo não pode ser manipulado[1].

Uma iniciação do segundo tipo pode ser descrita porque ela não pode ser imitada e usada para enganar como acontece com a do primeiro tipo. Em palestra bem anterior descrevemos o que historicamente dizem haver sido o ritual de uma iniciação no Antigo Egito numa Escola de Mistérios. Agora vamos descrever como dizem ser uma iniciação em corpo astral.

Neste caso é claro que tanto o iniciando quanto o Iniciador e demais participantes devem estar fora do corpo físico. O iniciando está consciente de que está fora do corpo, que o processo não está se efetivando no nível da matéria densa.

Vamos, então, descrever em linhas gerais o que dizem ocorrer num dos cerimoniais iniciatório da SUBLIME ORDEM DO FOGO VIVO[2].

Em se tratando de uma iniciação em corpo astral de antemão temos que sentir a sacrossanta vibração do ambiente o que determina a sublimidade do ato. Inicialmente no ambiente físico da iniciação deve haver uma lamparina, uma vela ou uma lareira, em suma alguma chama na qual o iniciando deve manter toda a sua atenção concentrada. Até então ele está ainda em corpo físico mas o processo iniciatório já está em andamento dirigido pelo Mestre Iniciador no outro plano de onde ministrando leis da natureza oculta das coisas capazes de conduzir o iniciando para o nível vibratório adequado.

Lentamente o iniciando sente-se diferente e quando menos espera ele percebe que a sua visão não mais está ligada à chama material, em outras palavras, ao nível mais baixo do fogo e sim a um outro tipo de fogo. O ambiente inicial se desvanece e surge um ambiente inefável ante a percepção do iniciando. Então ele não mais está percebendo pelos olhos da matéria, o fogo "físico" não é mais o visualizado. É quando ele percebe a presença do fogo vivo que visivelmente circula entre si como consciência e o seu corpo físico, percebe este fogo percorrer inundar todo o corpo, percorrendo por todos os nervos, parecendo ser mais abundante no sistema nervoso simpático.

Neste cerimonial os iniciadores[3] são chamados de Ministros de Deus e se apresentam como se fossem chamas de fogo. Em sua qualidade de ministros purificam a mente do materialismo, como que cauteriza consciência sem , entretanto, deixar ferida ou cicatriz alguma.

Há um fogo frio comum envolvendo tudo e todos intensificando mais ou menos em cada um dos presentes. ( Na iniciação a esse fogo presente é dado o nome de "A Chama Fria").

Um dos iniciadores é o Mestre da Chama que se aproxima do iniciando e pergunta-lhe: "Vê-de uma só luz ou inumeráveis luzes acima e em volta de ti e de todos, ardendo no escuro firmamento da meia-noite?

O discípulo: "Vejo uma só Chama meu Mestre; e vejo inumeráveis centelhas agrupadas resplandecem nela."

O Mestre: Dizes bem; agora olha em teu redor, e no teu interior. Achas que aquela luz que arde em ti, é diferente da luz que resplandece no teu próximo?

O discípulo: Não, senhor não é diferente.

O Mestre: embora o preso esteja encarcerado pelo Carma, e embora suas vestes externas iludam o leve a dizer: Tua Alma e Minha Alma[4].

Explana, então, o Mestre da Chama: Em todas as almas age o interno, invisível Fogo Espiritual, o mesmo Fogo que ardeu sobre as cabeças dos Apóstolos, o Pentecostes, em forma de línguas de fogo, como manifestação do Espírito Santo, ou Sopro Divino. É o mesmo fogo que inspira e ilumina os Iniciados de todas as épocas, abrindo-lhe a mente à clara compreensão das verdades espirituais.

O Mestre: Tens agora a chave misteriosa que abre a porta dos maiores segredos[5], use-a, então, com sabedoria.

Neste momento o Mestre da Chama volta-se junto com todos em direção ao sul e faz a DIVINA INVOCAÇÃO DO ESPÍRITO SOBERANO DO ELEMENTO FOGO[6]. Nesse momento delineia-se no espaço o Sagrado Devas do Fogo, o Gênio Sagrado do fogo diante do qual o iniciado faz o seu sagrado juramento que é aceito pelo Devas que diz: "Lembra-te sempre de que o Fogo Celeste é Luz sem ardor, ao passo que o Fogo terrestre é calor sem Luz".

Em seguida o gênio do Fogo promete abrir as portas do conhecimento do Fogo Sagrado para o iniciado[7].

Num eflúvios de delicadas chamas multicoloridas o Devas dissipa-se suavemente deixando o ambiente carregado de uma paz indescritível.

O Mestre: És agora um Iniciado, um Guardião da Chama mas lembra-te sempre. Assim como podes dominar o fogo te precavém para que não sejas dominado pelo seus aspectos inferiores. Jamais "queimes" o teu semelhante para que não sejas consumido pelo fogo. Lembra-te sempre que o fogo que mais incinera o discípulo é o fogo sexual. A energia sexual é o fogo que consome a maioria das pessoas e diante do qual poucos são os que conseguem passar ilesos. O fogo é teu, podes tabalhá-lo para ti, ele podes governá-lo, recebeste o poder, a partir de agora ele é obediente a ti , mas previno-te, ele é o mais astuto e traiçoeiro dos gênios. Coitado daquele que em vez de por o gênio do fogo inferior sob o seu comando deixa-se ser por ele comandado.
O Mestre Iniciador conclui citando palavras de Hermes: "Então, meu filho, acredita-me, encontrarás a senda que leva ao alto, ou melhor, a própria visão te mostrará o caminho".

Diz ainda o Mestre: O fogo te mostrou a unidade das coisas, que não está sozinho, portanto confia e segue firme no caminho da senda. Não temas as trevas pois tens em tuas mãos o archote sagrado para clarear o caminho por onde pisares. A ti foi entregue a chave para abrir as portas, o Saduceu para venceres os obstáculos, e a Chama Sagrada para clarear os teus passos.



FOHAT - FOHAT - FOHAT

Concluído a cerimonia tudo se dissipa, resta uma sensação maravilhosa de bem estar mesclado com uma saudade indescritível, um misto de tristeza, alegria, saudade e paz. Por alguns dias o iniciado sente-se envolvido pela Luz do Fogo Sagrado que pode ser visualizado por qualquer sensitivo[8].

Esta cerimônia iniciatória mostra ao discípulo a unidade de todas os seres razão pela qual eles devem ser considerados irmãos, centelhas da emanação de uma Fonte Central, e que o verdadeiro iniciado deve ser consciente disto.

A cerimônia leva o iniciado a sentir não separatividade no Universo. Seja num ou noutro plano todas as coisas existentes no Universo de alguma forma mantém-se ligadas. Coisa alguma é solta, entre todas as cosias existem elos de união e na origem de tudo está sempre uma Força Única.

Isto é o que os Grandes Iniciados, filósofos e pensadores têm afirmado. Hermes, por exemplo, deixou escrito na Tábua das Esmeraldas: "Assim como todas as coisas foram feitas pela mediação do UM, assim também todas as coisas derivam dessa única coisa".

Hermes disse: "Deus é o Centro de tudo, uma circunferência não está em parte alguma. Tudo que é criado procede de algo que é incriado. Cada coisa inferior emana de uma coisa superior; cada coisa corpórea provem de uma coisa espiritual; cada coisa visível, de uma coisa invisível; cada coisa temporal, de uma coisa etérea; e tudo que é etéreo deriva de algo que é eterno. Assim todas as coisas estão interligadas".

No livro XI diz Hermes: "Deus está em todas as coisas como raiz e fonte de sua existência. Nada existe que não tenha uma origem; mas a fonte emana de si mesma se ela é a fonte de tudo mais. Deus, então, é como a unidade dos números. Pois a unidade, sendo fonte e raiz de todos os números, contem em si todos os números, não sendo contida por nenhum deles. Ela gera todo o número, mas não é gerada por nenhum deles. Ora, tudo que é gerado é incompleto, divisível e sujeito a aumento e diminuição. Aquilo que é completo não está sujeito a nenhuma dessas coisas".

Proclus afirmava que todas as coisas emanavam de uma única, do mesmo modo apressam-se a voltar para aquela unidade.

Platão: "Todas as coisas partem do grande Deus e se esforçam por retornar a Ele, uma vez que Nele está seu repouso final e o sustento de sua existência".

Leibniz, o grande filosofo alemão, usou a palavra mônada para denominar o principio único de todas as coisas, o UM de Pitágoras.

Dizia Leibniz: "Tudo o que existe provém do Um, mas é cada vez menos perfeito, idéia esta que um dos modos pelos quais a ordem da criação, é da unidade à multiplicidade, e isto é explicado pelo sistema numerológico".

Disse ainda: "A mônada é uma substância simples, isto é, não tem partes e é imaterial. Por não ter partes a Mônada não tem extensão, forma ou divisibilidade. Não pode ser destruída naturalmente, e nem pode ter um início natural. Uma Mônada só pode começar ou terminar de uma só vez. Ela começa pela cisão e termina pela aniquilação. Uma composição de mônadas, por outro lado, começa e termina por partes".


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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Na realidade existe também iniciação de organizações ligadas a força negativa que ocorre não em corpo físico, como algumas daquelas que consiste no sabat das bruxas. Num caso assim há poderes envolvidos, há leis que devem ser postas em ação e que são do conhecimento do outro lado da natureza. Assim esse tipo de iniciação fora do corpo não pode ser feito de imitação, tem que haver um poder condutor que opere com as leis precisas e sabemos que uma lei sempre se cumpre independentemente de onde esteja sendo efetivado o comando. Em outras palavras, não se pode falsificar uma iniciação que não seja em corpo físico mas elas existem dos dois lados.

[2] - Esta ordem tem muito haver com muito haver com a Ordem Hermética e a outros ramos que cultivam os ensinamentos de Apolônio.

[3] - Às vezes são mais de um os iniciadores ministrantes.

[4] - Este discurso apresenta duas verdades, a saber 1º Unidade de todos os seres humanos que devem ser considerados como irmãos, centelhas ou emanações duma Fonte Central, Unidade de que o verdadeiro inicio é consciente. 2º a chamada " Grande Heresia" , isto é a criança de que, infelizmente é sustentada pela grande maioria da humanidade ainda não espiritualizada, crença da " separatividade" , a opinião errônea de que cada ser humano é um ser diferente dos outros. Esta crença leva ao individualismo exagerado, ao egoísmo e amor exclusivo o de si próprio.

[5] - Nos tempos antigos numa iniciação física o Mestre Iniciador entregava, com grande solenidade, uma ao discípulo, mediante instrução oral. Em iniciação astral a chave torna-se sempre visível aos olhos do iniciado.

[6] - Tem o nome de salamandras os ementais do fogo, cujo espírito soberano desse reino tem o nome de Djin"

[7] - Nos rituais da Rosacruz não são invocados os elementais da natureza.

[8] - Dizem que um iniciado dos Mistérios do Fogo reconhece um outro porque percebe tênues e delicadas chamas que o envolvem e se fixa-lo nos olhos vê a chave da iniciação.



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