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O PENSAMENTO E A ESCALA DO MAL E DO BEM
" Não podes ver a Deus. Mas podes
conhece-lo pelas suas obras." Cícero
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Tema 743 - Capítulo integrante do Livro A Mente Tomo I
Quando
falamos na evolução dos seres vivos, na terra, podemos dizer que o espirito inicia o périplo
de reencarnações com a finalidade de reconhecer Um Superior, paralelamente tendo que reconhecer
o mal e o bem. Nas trevas a partir de onde inicia-se o processo de volta à origem, o espírito
não reconhece coisa alguma, então ele julga-se ser o único poderoso. As encarnações servem
para derrubar tal conceito fazendo com que descubra-se que existe um ser superior a ele, um
ser que o ameaça e até mesmo o destrói biologicamente.
Esse primeiro ser que ele admitir
como superior é na realidade um predador, contudo no processo das encarnações seguidas ele
acaba por se convencer de que o ser Superior está além de qualquer predador.
Pelo processo do sofrer e do não sofrer o espírito acaba desenvolvendo o entendimento de
que o verdadeiro Superior não é aquele que o faz sofrer, que o destrói, e sim Um Ser que
no entendimento dos seres limitados pode ser considerado o Bem
- Sumum Bonnum.
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A capacidade de desenvolver a compreensão que acabamos de mencionar decorre do espirito encarnar um corpo biológico que é dotado de sentidos físicos e que, em consequência faz com que ele sinta fisicamente os mais diferentes estados e eventos. Assim ele começa a perceber (escala do mal e do bem) que existem desprazeres e prazeres na vida encarnada. A partir do início da encarnações ocorre o desenvolvimento da capacidade de perceber que existem condições más e condições boas para cada ser.
Vamos repetir para que fique bem registrado e possamos, então, estende-lo a outros níveis. Que é graças aos sentidos físicos que o espírito descobre que determinados acontecimentos numa encarnação lhe causaram prazer, satisfações, e outras coisas causaram-lhe desprazeres, sofrimentos e dores. Disso resulta que ele acaba tornando-se convicto de que existem duas espécies de situações, as desprazerosas e as prazerosas. No fim conclui que o desagradável é o mal e o agradável é o bem, portanto, que existe o mal e o bem e que o bem é mais desejável por conferir prazer.
Vejamos agora esse contexto ao nível de memória e pensamento. Dissemos que o espirito após a “queda”, praticamente não tem memória alguma em decorrência de não haver ainda vivenciado praticamente coisa alguma. Mas, na medida em que ele começa a encarnar, vai construindo passo a passo a sua memória, exatamente a partir das experiências vivenciadas. Vivencia o desagradável e o agradável, e então as situações o levam a ter que reconhecer serem boas e más.
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Agora podemos entender que, no nível de memória, teoricamente existem dois grupos de registros, que podemos situa-los em dois “compartimentos” básicos. Um é aquele em que estão colocados os registros de coisas desprazerosas - mal - e o outro em que estão os prazerosos - bem. Vide fig. 1
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Naturalmente o espírito encarnado procurará evocar o lado prazeroso das coisas, o lado bom para ele, e não o inverso. (Dissemos para ele porque o que é bom para ele pode ser ruim para um outro). Dessa maneira podemos perceber que quando um ser evoca algo do lado bom, do lado agradável, quando pensa em algo que lhe causou prazer isso não indica que se rata de uma condição bem relativa, mas no caso o que interessa é o ser-lhe ou não ser-lhe agradável. Essa é a razão essencial do egoísmo, é o surgimento da manifestação do ego no ciclo das reencarnações.
Também acontece que o ser encarnado percebe que é possível transformar algo desagradável em algo agradável, que uma condição pode ser convertida na outra, ou seja, que algo, dependendo das circunstancias, pode ser causa ou não de prazeres. Assim podemos considerar mais um compartimento, o das condições modificadoras, da escala do mal e do bem. O mecanismo se processa assim: Aquilo é desagradável, mas se eu agir de tal ou qual forma é possível transformar uma condição na outra. É aí que entra em cena o pensamento: ele usa esse portanto esse pretexto e assim transforma as coisas. Mas essa capacidade de reverter as situações tem um lado negativo, pois determina o incremento do egoísmo, e daí a possibilidade de prejudicar um outro ser em detrimento de si próprio, portanto essa ingerência do pensamento torna-se um mecanismo sujeito a ampliar o egoísmo.
Uma outra conseqüência imediata da relação prazer / desprazer é o surgimento do desejo, pois aquilo que é prazeroso torna-se desejável; o ser quer que um evento que lhe deu prazer volte a acontecer. Por isso é que uma pessoa quando experimenta algo, obviamente deseja repeti-lo um tanto de vezes. Esse processo atinge um ponto tal que a pessoa estabelece um constante desejo de prazeres, de transformar situações em benefício pessoal para que sempre seja gratificado prazerosamente sob as mais diversas maneiras.
Eis de onde se origina a tendência a acumular as coisas prazerosas e fazer uso do pensamento afim de conseguir reverter situações e, como resultado, cada vez mais ter prazeres.
Vejam como a natureza em tudo tem duas faces, ou seja, há polaridade de tudo quanto existe dentro da creação. Por um lado o prazer e o desprazer existe para facilitar ao ser o reconhecimento da escala do mal e do bem, mas que, por outro lado, alimenta o sentido de egoísmo, a busca do prazer individual através da reversão em detrimento de muitos outros valores e tantas vezes com prejuízo para outros seres.
Paralelamente ao conhecimento do mal e do bem passa a existir também o egoísmo, a possessividade, o desejar mais e mais, com todas as suas conseqüências. Vemos, então como e onde o ego começa a se desenvolver. Ele nasceu com a própria criação mas só toma fôlego com o início do processo de reconhecimento da escala do mal e do bem, do desprazer e do prazer.
Vimos, então como surge uma das cabeças de cérbero - o apego. A pessoa começa a se apegar a bens pessoais, às cosias que lhes dão alguma forma de prazer, quer seja um objeto, ou mesmo uma pessoa. O apego trás em seu bojo o sentido de posse e é exatamente esse sentido de posse a geratriz do ciúme.
Vale salientar que Cérbero só existe porque existe pensamento, mas evidentemente não poderia existir desenvolvimento espiritual sem o pensamento, em decorrência de que tudo dentro da criação tem polaridade, e do desenvolvimento espiritual estar sujeito à ação do pensamento que não foge à regra, também tem a possibilidade de buscar o prazer nos registros de memória, no “compartimento” da negatividade em atendimento aos anseios do ego.
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Sem o pensamento a pessoa não colheria os frutos da escala do mal e do bem, mas por outro lado torna torna-se-ia passível de ser atingido pelos seus mecanismos. Sem pensar o espírito não chegaria à conclusão de que as coisas e eventos são de duas naturezas a fim de que ele escolha uma delas. Isso se reveste de grande importância desde que é pelo pensamento que a pessoa acessa o conteúdo dos dois compartimentos mencionados no início dessa palestra. É lógico que a pessoa pelo pensamento acesse o lado do bem, mas como existe também a possibilidade da reversão de valores, da possibilidade de se modificar as coisas de forma tal que o mal torne-se algo egoisticamente prazeroso, então pelo pensamento a pessoa passa a agir indistintamente, num ou noutro sentido. Assim é que a pessoa que busca o prazer pensa em como tirar proveito também daquilo que não é bom, como usar o que atinge e fere outras pessoas em beneficio próprio.
Sendo como foi descrito antes, indaga-se como administrar uma situação tão ambígua? - é pelo saber pensar, pelo saber administrar o pensamento, entender que ele é um instrumento cego, que existe como finalidade de ser usado pela pessoa mas que o mais comum é a pessoa ser usada por ele. A pessoa para não se tornar vítima do pensamento conta com dois mecanismos bem precisos que são a Intuição ( sentimento ) e o discernimento ( raciocínio ).
Vemos que a fim de se reconhecer o Superior é preciso que haja o desenvolvimento da escala do mal e do bem, mas que em decorrência disso surgiu o egoísmo, o sentido de posse, o apego e ciúme e outras qualidades. Mas tudo isso reflete um dos Princípios Herméticos, um dos princípios sem o qual o universo tal como conhecemos, seria inviável - a Lei da Polaridade.
Outro ponto que precisa ser bem estudado na problemática da escala de valores - escala do mal e do bem - é o papel exercido pelo pensamento como meio de acessar os dados vincenciados antes e assim responder pela busca do prazer.
Desde que não é possível o desenvolvimento espiritual sem o pensamento, a pessoa deve dar toda atenção ao conhecer as armadilhas inerentes a ele, afim de que em vez de ser um dominado do pensamento seja um dominador.
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Este texto é parte integrante do livro, A Mente Tomo I
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
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