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CONCEITOS DE MEMÓRIA


" Recordar é viver..."



Tema 1554 - Capítulo integrante do Livro A Mente Tomo II

A percepção é seqüencial, nunca a pessoa percebe dois eventos simultaneamente, mesmo que o tempo seja ínfimo ainda assim há um intervalo entre dois eventos. Isso é decorrência da visão dualística do mundo que torna as manifestações da mente sujeitas ao tempo linear, ou seja, a uma sucessão perceptiva. Disso decorre a necessidade da existência da memória, pois se tudo se apresentasse concomitantemente, não haveria necessidade de registro algum. Como as coisas se sucedem, como só podem se apresentar na tela mental uma a uma, então tem que existir o registro das situações anteriores - passado. De tudo o que é percebido, a pessoa deixa de se dar conta de imediato, mas fica arquivado como memória, e o veículo canalizador do que existe nela é o pensamento.
De início queremos dizer que a memória é um registro de eventos, na verdade se trata de um arquivo muito pequeno quando comparado com Consciência Cósmica, e além do mais, pouco confiáveis, pois que depende da percepção. Como as percepções em geral, e a sensorial em particular, são muito relativas, por dependerem em grande parte dos sentidos físicos, que são limitados e imperfeitos, então elas são pouco confiáveis. Ainda tem que ser considerado serem elas um registro mental que pode ser apagado, intencional ou acidentalmente, por muitos outros meios. Em outras palavras, a mente tende a perder a capacidade de armazenar informações, facilmente. São muitos os fatores que levem a pessoa a um estado de incapacidade de registrar e de reter os eventos vivenciados ao nível cerebral. Isso é o que acontece quando há comprometimentos neurais por stress, intoxicações e mesmo pela “idade” da pessoa. Por sua vez isso dificulta muito outras atividades do intelecto, especialmente os conceitos, a imaginação, a associação, etc.

A memória talvez seja entre todos os componentes do intelecto aquele mais factível de comprometimentos por ser uma função bem material. Todas as coisas são capazes de registrar eventos, e o cérebro em sua estrutura física também, mas em nível muito inferior a outros dispositivos usados no dia a dia. Como função do intelecto ela é facilmente afetada especialmente em decorrência de sobrecargas alimentares, de deficiência das eliminações, ou seja, sempre que os meios de estabelecimento da homeostase deixam de se cumprir adequadamente permitindo o estabelecimento de sobrecarga das tensões emocionais e intoxicações.

A memória tem uma base muito forte na estruturação física do cérebro, por isso ela é facilmente vulnerável. Todos os componentes do intelecto tendem a declinar com a idade biológica, ou a serem bloqueados por múltiplos fatores, mas, de todos é a memória a mais susceptível às influências físicas. Por outro lado, ela é um dos componentes do intelecto mais passível de ser desenvolvida, ou mesmo treinada para atuar com mais eficiência.

Na verdade a memória pode influenciar as demais funções do intelecto. Uma perversão de sentimentos, por exemplo, dificilmente pode ter como causa única a memória, mas pode facilmente ser resultante de uma associação inadequada, ou de uma percepção alterada e assim por diante, mas quase nunca marcantemente por conta de alterações da memória.

É quase impossível se falar de pensamento deixando de lado a memória. Primeiramente vamos fazer algumas considerações preliminares sobre algumas características da memória. A memória, como já dissemos, é um “registro de eventos”, ou seja, um “banco de dados” construído a partir das percepções, e o pensamento é o elo entre ele e o estado mental de consciência (o se dar conta de).

A percepção é seqüencial, nunca a pessoa percebe dois eventos simultaneamente, mesmo que o tempo seja ínfimo ainda assim há um intervalo entre dois eventos. Isso é decorrência da visão dualística do mundo que torna as manifestações da mente sujeitas ao tempo linear, ou seja, a uma sucessão perceptiva. Disso decorre a necessidade da existência da memória, pois se tudo se apresentasse concomitantemente, não haveria necessidade de registro algum. Como as coisas se sucedem, como elas só podem se apresentar na tela mental uma a uma, então tem que existir o registro das situações anteriores - passado. Tudo o que é percebido a pessoa deixa de se dar conta de imediato, mas fica arquivado como memória, e o veículo canalizador do que existe nessa é o pensamento.

Não existe apenas um tipo de memória, o que é percebido é registrado em diferentes níveis, e isso constitui diversos tipos de registro que vão desde o nível de registro nas partículas, ao akash e no próprio tempo.

Considerando-se o existir em termos de cronologia, ou seja, de tempo linear, todas as coisas e eventos tiveram uma origem única, e se considerarmos que no ponto de origem, por ser atemporal – conforme a física indica – tudo, de alguma forma, está contido nele. Todas as coisas pertencem à unicidade, mas nenhuma delas é a unicidade. Tudo existe como integrante do Um, nesse sentido existe como uma unicidade, sendo a idéia de coisas mero artifício mental. Essa abordagem preliminar, no que representa a memória, é de real importância no estudo do pensamento, da imaginação, do raciocínio e mesmo da compreensão, pois não se pode estudar o pensamento sem considerarmos a memória, desde que são duas condições do intelecto que agem conjuntamente.

Diremos que o pensamento tem natureza dinâmica enquanto que a memória tem natureza estática; aquele é ativo, algo que se “movimenta” constantemente, que flui, enquanto que a memória é apenas um registro passivo.

Há muitos tipos de memória, a escrita, a fotográfica, as gravações mecânicas e magnéticas, akásica, no tempo, etc.

Todos os conhecimentos sobre as coisas, todos os eventos, todas as vivências no transcorrer da vida vão sendo arquivados na medida em que vão sendo vivenciados – detectadas e assim vão compondo uma memória, formando um espécie de “banco de dados” – arquivo da memória –, que o ser pode acessar intencionalmente, mas que também muitas vezes o seu conteúdo extravasa através do pensamento.

A memória mental, por não ser mais que uma forma de registro, pode ser apagada, em parte ou no todo. Sem registro nenhuma máquina pode funcionar, nenhum cérebro, nenhum computador, pois um registro é precisamente a programação de uma determinada atitude.

Em nosso estudo não interessa examinar todos os tipos possíveis de memória, pois somente na área da informática isso viria a ser um estudo imenso que nada tem a ver com o objetivo dos ensinamentos do hermetismo. Visamos estudar a mente e dentro deste item estudar a memória, mas apenas no nível mental.

Nem todos os registros são acessados totalmente, a não possibilidade de acesso constitui no psiquismo aquilo que recebe o nome de esquecimento. Esquecer é não acessar o que ocorre, ou porque o mecanismo de acesso é limitado, ou imperfeito, ou pela ocorrência de algum apagamento, ou por um registro haver sido apagado, deletado.

No estudo da memória faz-se preciso entender alguns dos pilares básicos que compreendem esquecimento e lembrança, que serãoá estudados em outra palestra, mas já podemos dizer que esquecer retrata uma dificuldade de acessamento da memória.

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Este texto é parte integrante do livro, A Mente Tomo II
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br

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   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 16 de Abril de 2006
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