 |
 |
 |
INTRODUÇÃO AO EXISTIR NA ESSÊNCIA
" Quanto mais amplo o espírito,
tanto mais sofre com os seus limites ".
E. THIAUDIÈRE.
|

|
Tema 1391 - Capítulo integrante do Livro A Consciência
Na realidade o assunto que vamos tratar se reveste de grande sutileza, ele é de uma delicadeza tamanha que praticamente os místicos temem falar a respeito, e, especial ensiná-lo. Por isso se trata de um ensinamento zelosamente guardado por fazer parte de uma doutrina entre as que normalmente se teme até mesmo pensar nela, pois implica em tocar num assunto que por milênios tem sido considerado “tabu” por inúmeros povos. A razão disso é se tratar de um dos pontos mais susceptível de gerar distorções, incompreensões e rechaços. Sendo assim, se a pessoa não examinar com um elevado nível de entendimento, por certo rejeitará o que vamos dizer por considerar algo até mesmo abjeto e pecaminoso.
|
![]() |
 |
O que deve ser entendido do existir na essência não será dito claramente nessa palestra, mas baseado nela o discípulo pode chegar a conhecer a verdade por suas próprias conclusões.
No desenvolvimento dessa série de palestras procedemos de forma a inicialmente não entrar a fundo no assunto a fim de primeiramente passo a passo preparar o discípulo a fim de que possamos trazer um tanto mais de conhecimentos, sem causar-lhe um autêntico horror. Dessa forma, de início queremos dizer que para se entender essa elevada doutrina é mister afastar da mente quaisquer escrúpulos ou conceitos culturalmente estabelecidos desde a mais remota Antigüidade e, por isso, muito arraigados na maneira de ser e de pensar das pessoas.
Um dos grandes enigmas metafísicos existente é aquele que diz respeito à natureza do ser em sua essência. Não são poucas as doutrinas que falam de muitas coisas sobre o destino do espírito após o seu périplo de encarnações. Assim sendo, elas falam de Unificação, de Nirvana, e de outras condições semelhantes, contudo nenhuma delas, que tenhamos conhecimento, chega a tocar com clareza no âmago de tal conhecimento. O estado nirvânico é o mesmo que as pessoas vivenciam em brevíssimos momentos do orgasmo, e o Existir na Essência é similar ao viver em estado nirvânico.
As mais tradicionais religiões dizem que o espírito após sua unificação volta à sua origem essencial o que, para muitos, significaria a extinção da individualidade. O que seria esse estado? Tudo o que dissermos nesta palestra representa apenas uma apreciação feita ao nível deste plano – visão dualística. Também se deve levar em consideração que todo ensinamento, ou doutrina, na realidade trata-se apenas de um modelo que visa tão somente atender às necessidades da mente e, sendo assim, não pode refletir a verdade Transcendental.
Hipoteticamente indagamos, como é para nós o existir ao nível da Transcendência, em um plano sem cronologia, sem espaço, sem limites, sem quaisquer das qualidades que temos ciência; em suma, sem coisa alguma que possamos conceber como referencial. A primeira vista isso parece uma improbabilidade, mas então o que dizer do orgasmo! Não é ele um estado assim?
Já vimos que, embora seja impossível se entender em amplitude o inespacial, o atemporal, algo no qual todas as polaridades anulam-se simultaneamente, como acontece no inqualificável Absoluto, mesmo assim se pode ter uma limitada idéia de tal condição desde que se analise o que em essência é uma lei física. Por exemplo, uma lei física não tem começo, não tem fim; está em todo lugar e ao mesmo tempo em lugar algum, não tem dimensão – não ocupa espaço – não tem quaisquer atributos intelectuais, emocionais, sentimentais, etc., mas mesmo assim ela existe e sempre se faz presente nas devidas condições. Analisando-se uma lei vê-se que, mesmo que ela não seja percebida em sua essência, ainda assim evidencia o como pode existir algo com as desconcertantes características atribuídas ao Absoluto e que, mediante esse tipo de análise, mesmo que fragmentariamente, Ele pode ser concebido por nossa mente.
A primeira indagação que pode ser feita é a seguinte: O que faria uma pessoa numa condição inespacial, atemporal, onde inexistissem quaisquer eventos, assim sendo, o que ela sentiria, etc. - Na verdade é uma condição tão peculiar que não podemos conceber como um todo, mas, da mesma forma que não podemos conceber o Absoluto como um todo, ainda assim a nossa mente pode concebê-Lo como uma Lei Suprema, pois que todas as qualidades a Ele atribuídas também são as atribuídas a uma Lei.
Queremos dizer, que aquilo que tentaremos explicar trata-se apenas de um modelo, mas que, mesmo que ele não seja a verdade em essência, ainda assim atende perfeitamente a mais acurada exigência da mente humana. Agora indagamos o seguinte: Existe então alguma condição que também possa servir de paradigma para o existir naquele nível? - A resposta é positiva e isso é o que vamos estudar nessa e na palestra seguinte. Apresentamos esta palestra como um preâmbulo para o assunto propriamente a ser tratado em nível mais alto.
Voltemos a alguns conceitos que já estudamos em outras palestras, especialmente, quando tratamos da energia sutil, da energia sexual, do tantrismo e, sutilmente também em algumas outras palestras. Falamos sobre a importância que tem a energia sutil[1] em todos os níveis do imanente. Dissemos que as mais elevadas e sutis qualidades mentais dela dependem, e assim também a própria manifestação da vida em nível da matéria biológica. Sem a energia sutil não existiria vida biológica alguma, não haveria manifestações psíquicas, e nem possibilidades de desenvolvimento espiritual, pois, é graças a ela que se estabelece à interação entre os planos, que se tornam viáveis a interação psíquica entre todas as percepções da existência. Ela é como que o veiculo de integração entre todos os seres de um mesmo plano e entre os diferentes planos da seqüência sétupla[2].
Em uma palestra anterior, mostramos o quanto a energia sutil está integrada a nossa existência, não apenas no que diz respeito à reprodução das unidades biológicas, mas, especialmente, ao orgasmo e às atividades mentais extra-sensoriais. Baseado nisso é que os orientais falam tanto da energia kundalini, do despertar do kundalini considerando-a como um meio de desenvolvimento psíquico elevado e especialmente como uma forma de abertura da Consciência. Evidentemente isso existe, mas já dissemos o quanto é perigoso lidar com esse aspecto da energia, pois um mínimo deslize facilmente pode, em vez de direcionar a pessoa para os elevados fins da existência, direcioná-la para níveis de inferioridade, de materialidade, de bestialidade, e, conseqüentemente, em vez de desenvolvimento resultar envolvimento espiritual de grande magnitude.
Somente uma pessoa altamente preparada pode lidar com a energia sexual sem que venha a sofrer graves conseqüências. Até que se tenha atingido um nível espiritual suficientemente elevado, e energia pessoal suficiente, não é aconselhável quaisquer práticas ligadas ao tantrismo, a não ser que a pessoa esteja querendo tornar-se um “mago negro” ou uma vítima.
Ante a lei da polaridade, vemos que a energia sexual tem um tremendo poder de escravização do ser, embora, por outro lado, seja igualmente poderosa no sentido da libertação espiritual. Baseados nisto, muitas escolas místicas estudaram e trabalham com essa energia que, mesmo que ela seja a mais demoníaca de todas a par da mais divina.
Podemos interrogar o porquê de a energia sexual ser tão poderosa, ser algo que inegavelmente supera até mesmo o mais essencial dos instintos que é o instinto de preservação da espécie. Pela união sexual os seres imolam-se, no reino animal a morte pouco importa ante o impulso sexual. Grande número de insetos é automaticamente eliminado após o coito sem que isso haja criado um reflexo de rejeição ao ato. Como se pode ver, não existe em atuação no organismo um impulso mais poderoso que o sexual, razão pela qual a vida dos seres comuns é condicionada pela sexualidade. Não é sem razão que algumas escolas de psicologia chegam a admitir que todos os atos humanos são decorrências da sexualidade.
Não nos aprofundaremos em falar sobre a força exercida pela energia sexual em todas as formas de existência, porém queremos lembrar que ela representa a nível biológico o que todas as forças em manifestação representam em seus respectivos planos. Podemos dizer que existe uma perfeita equivalência essencial entre a atração sexual existente em dois seres vivos, e aquela que existe entre a afinidade química entre dois átomos. Em essência, nesses dois fenômenos, a força é a mesma, apenas que tomam feições próprias conforme os seus respectivos níveis de atuação. Generalizando podemos dizer que a força que rege toda interdependência entre as coisas é a própria energia sexual ou vice-versa.
A coisas não existem separadamente na natureza, tudo está unido num ou noutro nível, ou seja, a descontinuidade não implica em fragmentação plena, continua existindo um elo entre as aparentes partes. Já falamos que o elemento que une os aparentes fragmentos funciona como se fosse uma força elástica que exercendo um “puxão” no sentido da unificação. Esse princípio impulsor é a força de união a que temos nos referido e que pode se expressar como gravidade, como afinidade química, ou como atração sexual, como atração magnética, e assim por diante.
No orgasmo há a fusão da energia de dois seres, os dois se tornam um; nele não se pode identificar coisa ou condição algum; não há tempo, nem espaço, nem quaisquer sentimentos. Trata-se de algo que simplesmente é. Esse é uma leve imagem do que significa Consciência, no existir como essência. Trata-se do nível mais elevado que a Consciência pode se fazer sentir. Existir como Consciência só pode ser comparado ao existir orgásmico; estado em que ninguém pode definir, embora buscado por todos os seres, não existe algo a que possa ser comparado. Estado que todos buscam, que nada acontece, que nada pode se contar, medir, ou avaliar. Na verdade trata-se de um Nada, mas que significa o tudo[3] .
Existir na essência é existir fora de sentimentos, fora de emoções, de delimitações, de espaço, de tempo, de formas, de vibração e de tudo aquilo que se possa conceber, mas mesmo assim existir em plenitude. O orgasmo é uma situação assim, em que a pessoa nada sente a não ser um estado extremo de prazer. Ela está ausente de tudo, mas ao mesmo tempo presente, nada sente mas existe em um estado de prazer indefinido. O orgasmos é um nada para tudo o que se sabe, se pensa, imagina, concebe etc. mas ao mesmo tempo não é um estado de extinção na verdade é um tudo que por ser um estado que não pode ser definido, então, perfaz a condição de inefabilidade. Mas eles só se faz presente tendo como base o existir em algo, o lado oposto. Na existência há apenas duas manifestações de uma mesma coisa, o orgasmo – o todo indefinido – , e o não orgasmo – o todo definido. A pessoa está ou não está, quando não está ainda assim está.
********************
Este texto é parte integrante do livro, A CONSCIÊNCIA
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Clique aqui agora para solicitar o seu exemplar!
Notas:
[1] -
O Hermetismo considera a energia ao nível do organismo, manifestando-se em dois níveis; o das reações fisiológicas clássicas, e a das manifestações ligadas ao fator vida, a atividade sexual, a manutenção da homeoestase orgânica.
[2] -
A fim de que se torne fácil o entendimento do assunto tratado nessa palestra e nas seguintes recomendamos que sejam reestudados os temas de 140 até 153 e mais os seguintes: 266, 383, 395, 516, 641.
[3] -
A temática da Energia Sutil e da Energia Sexual, constará em um dos livros da série.
|
![]() |
|
|
 |
|
|  |