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Práticas do Xintoísmo


"Marcha com o pé direito para
as tuas obrigações, e com o pé
esquerdo para os teus prazeres".
Aforismo de Pitágoras

monge
Monge meditando
Na palestra anterior registramos uma visão geral do Xintoísmo. De inicio nota-se a evidente diferença que existe entre o Xintoísmo e as religiões védicas. Por isso a filosofia religiosa do Japão é tão diferente da filosofia religiosa da Índia e da China. Se não fosse influência do Budismo e do Confucionismo por certo as religiões e seitas do Japão seriam diametralmente opostas às da Índia e China.

A grande diferença se baseia no fato de que o Xintoísmo é uma religião totalmente dualista enquanto que, o Taoísmo, o Budismo, e todas as religiões que têm como fonte os Vedas são basicamente monistas.
O Xintoísmo tem origem na adoração japonesa aos deuses terrestres e aos ancestrais desde o começo da história. Todo clã tinha seu próprio deus (Ujigami). O panteão dos deuses de shinto ultrapassa a casa de oito milhões de deidades (yaoyorozu nenhum kami). Isto resulta do nascimento de uma religião a partir de inumeráveis fontes particulares, haja vista que somente a parir do 3º ou 4º século é que os primeiros santuários xintoístas foram erguidos, até então o culto era familiar ou até mesmo individual, e assim sendo cada lugar, cada família (clã) e mesmo cada pessoa tinha os seus próprios deuses, seus kami individuais. Mesmo que o xintoísmo não haja englobado no seu seio todos os kami, anda assim é facultativo a pessoa continuar mantendo o kami pessoal.

A essência de Xintoísmo é "kami", como dissemos na palestra anterior, uma pessoa ilustre de um lugar, ou no seio de uma família normalmente era convertido em um Kami, e podemos dizer que foi daí que nasceu o tão arraigado apego dos japoneses à ancestralidade. Podemos considerar que, sem dúvida alguma, são japonesas as pessoas que mais se apegam aos ancestrais e conseqüentemente as mais desenvolveram o culto aos antepassados. Como veremos depois isto tem imensa repercussão histórica e social.

O Xintoísmo é tido como a religião nativa do Japão e uma das mais antigas do mundo e está relacionada com algumas religiões de Coréia, da Mandichúria e da Sibéria. O Xintoísmo, num certo sentido ela não preenche as condições para ser qualificada propriamente como uma religião e sim como um sistema de costumes milenares. Trata-se basicamente de uma forma de adoração à natureza; um códice de costumes regionais e pessoais onde objetos naturais, como montanhas, rios, corpos celestes, etc. são adorados. São costumes reunidos no transcorrer de milhares de anos pelo que ele não tem, como a maioria das religiões, um fundador, ou Mestre Iniciador, assim como nenhuma escritura sagrada, nenhum corpo de leis religiosas, e nem sequer um sacerdócio basicamente organizado. Sendo assim é considerada uma religião não sectária, não exclusivista, pois que pessoa pode praticar e Xintoísmo sem que tenha que abandonar qualquer outra religião, podendo então tê-lo como uma segunda, ou mesmo uma terceira religião desde que as convicções xintoístas não estão em conflito com quaisquer outras crenças.

Existem alguns pontos que são considerados convicções básicas do xintoísmo, e que podem ser tidas mais como costumes do que como proposições metafísicas, ou mesmo místicas.

CONVICÇÕES BÁSICAS DO XINTOÍSMO:

Normalmente as convicções básicas agrupam-se naquilo que é conhecido pelo nome de "As quatro afirmações"., significando "coisas que nós concordamos são boas".

1 - Afirmação de tradição à família: Xintoísmo celebra os rito de vida em que o nascimento e o matrimônio são especialmente importantes. Como as tradições passaram de geração para geração, então a família é extremamente importante com contexto xintoísta de vida, desde que é ela quem transmite as demais tradições de geração para geração. As cerimônias mais importantes são aquelas relativas ao relacionamento da pessoa com a família.

2 - Afirmação do amor de natureza: O Japão é fisicamente um país bonito, e os japoneses sempre admiraram sua beleza. Percebe-se isso em muitos aspectos da cultura japonesa, especialmente no imenso número de poemas cujo tema principal é a natureza. Os japoneses amam estar perto de natureza e a razão pela qual para eles é tão significativo o exercício de atividades ligadas, por exemplo, à floração da cerejeira, da macieira, etc. Para um xintoísta todos os elementos da natureza são considerados sagrados, desde que todos eles têm um Kami, ou seja, um espirito sagrado. Por isto toda a natureza é sagrada, consequentemente a pessoa entrando em contato com natureza significa que ela está em contato com os próprios deuses.

3 - Afirmação de limpeza física: A limpeza é algo ligado à Divindade, daí a grande preocupação japonesa com o tomar banhos, com o lavar freqüentemente as mãos e a boca. È norma se lavar as mãos e a boca antes de se entrar num santuário, num templo, pois é dito que a pessoa deve estar limpa na presença dos espíritos. Algo que não está limpo é feio.

4 - Afirmação de matsuri: Matsuri é um festival em honra dos espíritos, realizado coletiva ou individualmente. É uma oportunidade para que as pessoas e os espíritos desfrutem da companhia recíproca. O principal Matsuri no Japão tem lugar no dia 11 de fevereiro. (Dia nacional do Encontro). Também são muito significativos para os shintoistas os primeiros dias de cada estação, especialmente o da primavera, o do outono; e o dia consagrado ao espírito protetor local.

Além das afirmações também são enfatizados costumes assinalados sob o titulo de "condições":

KAMI: É algo como um espírito. Kami é muitas vezes impropriamente tido como um "deus" por detentar alguns poderes que a pessoa não detenta. Como os xintoístas admitem que toda a coisa tem um kami, logo como todas as coisas têm divindade. Não se trata de uma divindade inerente, como é aceito pelas doutrinas monista, mas presente. Para os xintoístas as coisas não têm uma natureza divina, mas sim apenas divindades - kami - contidas nelas. Como dissemos, todas as coisas possuem um kami algo que tem algum tipo de poder especial. O Kami pode ser de natureza animada (pessoa, animal), espiritual (um espírito), ou inanimado (como um jogo, um esporte, ou algo semelhante).
tori
Tori
TORI: Trata-se de um portal típico que assinala a entrada para um santuário de Xinto, e que é visto em quase todos os desenhos e fotografias japonesas. Os santuários xintoístas são construídos de madeira, normalmente rodeados de árvores sagradas, e tendo à frente um "tori", e a presença de água corrente perto deles.

NORITO: Trata-se de uma oração xintoísta muito cerimonial, recitada no matsuri e em outras cerimônias especiais. As pessoas também recitam suas próprias orações pessoais individuais.
SAKAKI: A árvore de agradável fragrância. É conhecida como a "Árvore Sagrada de Amaterasu" na religião de Xintoísmo.

TRÊS - CINCO - SETE MATSURI: Cerimônia especial para crianças nas idades de 3, 5 e 7 anos, quando elas são levadas ao santuário local para serem abençoadas pelo sacerdote afim de que sejam protegidas contra danos. (Esta cerimônia data mais de 1500 anos atrás, quando a maioria das crianças não vivia até a adolescência).

ORIGAMI: Também chamado "Papel dos espíritos". Inicialmente consistia em escrever datas de determinados dias, pedaço de papel ou de pano sobre os quais as pessoas sussurravam seus pedidos e orações, pedidos aos Kami, e depois os colocavam em fendas de árvores, ou os amarravam de forma tal que oscilassem pelo soprar do vento repetindo-se assim os pedidos e orações. Ainda hoje se vê muito desses pedidos pendurados nas arvores ou mesmo nas paredes dos santuários xintoístas. Muitas vezes são colocados como sinal de respeito para com o kami da árvore e do espírito que dá origem à própria árvore.

Bibliografia

Study Guide: Shinto
Internet


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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br



   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 01 de Fevereiro de 2003
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