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A VEDANTA

“Um grama de exemplos vale mais
que uma tonelada de conselhos".

Provérbio Popular


Autor: José Laércio do Egito




O conhecimento não revela a Verdade, mas pode revelar aquilo que não o é.
Nesta palestra daremos ênfase a Vedanta. No ocidente hoje existem muitos ensinamentos originários da Índia e normalmente as pessoas chegam mesmo a aceitar que se trata de ensinos de uma mesma escola filosófica. Na verdade existem muitas escolas de pensamento e muitas vezes os seus ensinamentos, mesmo que em sua quase totalidade eles tenham como base o Vedas. No ocidente muitos ensinamentos têm chegado e que são apresentados de forma imbricados. Queremos salientar que existem nuanças muito importantes que diferenciam uma escola das outras. Muitos discípulos que praticam disciplinas orientais, como por exemplo, Ioga, desconhecem as origens desses ensinamentos e assim tornam-se incapazes de responder quando se lhes pergunta sobre qual o sistema que seguem.
Com o nome Vedanta é conhecida uma linha filosofico-religiosa de grande respeito existente na atualidade e que tem como base os conhecimentos do Vedas.

Em temas preliminares escrevemos sobre os Vedas[1], obra composta de versos que datam, talvez, a mais de 4500 anos são a principal escritura religiosa dos hindus. Eles contêm hinos para vários deuses escritos em sânscrito, por exemplo, ao Surya (sol), Agni (fogo), Usas (amanhecer) e assim sucessivamente. Estes hinos que datam de aproximadamente 2500 A.C., foi transmitido oralmente de geração para geração até que a arte de escrever foi inventada. Quanto à data em que o Vedas foram escritos há grandes discrepâncias. A que mencionamos acima é a oficialmente aceita, porém muitos afirmam que os versos datam de período muitíssimo mais remoto.

Dizem que esta data coincide com a civilização egípcia, e sabe-se que os Vedas já existiam no período egípcio, a não ser que se tenha em mente que também a civilização egípcia haja tido inicio após a destruição da Atlântida, portanto há cerca de aproximadamente 12.000 anos. Mesmo assim, na Índia, algumas escolas afirmam que o Vedas pode ser datado além de 30.000 anos.

Embora a maioria dos hinos refiram-se a múltiplos deuses, mesmo assim na Índia muitas civilizações aceitavam a noção exata da existência de Um só Deus. Os filósofos vedânticos que analisaram criticamente esses hinos rejeitaram a noção da pluralidade dos deuses.

Vedanta é um sistema filosófico que evoluiu dos ensinos do Vedas, estes considerados como a mais antiga coleção de escrituras sagradas indianas, e para muitos, os escritos religiosos mais velhos do mundo.

A Vedanta atual resulta dos ensinamentos de alguns místicos de grande envergadura na Índia, especialmente Sri Ramakrisnha e seu discípulo Swami Vivekananda.

Mesmo em se tratando de escritos tão antigos a Vedanta mostra-os afinados com o pensamento científico moderno, portanto, sendo capaz de dar explicações racionais sobre o universo e as nossas vidas.

A “Vedanta não é uma filosofia especulativa sem qualquer utilidade prática; pelo contrário, trata-se de um modo de viver e de perceber. Dá liberdade completa para cada indivíduo evoluir moral e espiritualmente de acordo com sua fé ou convicção. Inclui várias verdades achadas em todas as religiões do mundo, inclusive os ensinos dos grandes santos do mundo. Em Vedanta há como que uma reconciliação das religiões com a ciência, da fé com razão. Um Vedanta é um investigador da verdade que aceita e respeita todas as religiões como caminhos para a mesma meta[2].

Vale salientar que Vedanta não é limitado só às mencionadas escrituras; inclui também todos os ensinos espirituais dos santos e filósofos da Índia dos últimos cinco mil anos. Além disso, não está baseado na vida e ensinos de qualquer santo, ou profeta em particular. Trata-se de uma fusão de fés e de conceitos espirituais de diversos sistemas religiosos tradicionais.

Basicamente a Vedanta mantém seus ensinamentos baseados em quatro princípios.

  1. A Verdade é UM. Deus é Um embora as pessoas que seguem fés diferentes, O adorem sob diferentes formas.
  2. Homens e mulheres, em natureza íntima são divinos.
  3. A meta da vida humana é perceber esta divindade.
  4. Há muitos modos para perceber a própria divindade, os chamados Iogas.
Basicamente a Vedanta mostra a unidade na diversidade, portanto trata-se de um sistema essencialmente monista. A unidade da existência é um dos grandes temas da Vedanta, um pilar essencial de sua filosofia.

Diz a escola Vedanta: “A Unidade é a canção de vida; é o tema principal que está por baixo de variações ricas que existem ao longo do Cosmo. Tudo o que vemos, tudo que experimentamos, é só uma manifestação deste Uno eterno. A divindade presente no âmago do ser é a mesma divindade que ilumina o sol, a lua, e as estrelas. Não há nenhum lugar onde ela não esteja, em nós, ou na natureza onde não exista..."

Enquanto o conceito de Unicidade possa ser intelectualmente atraente, é, não obstante, difícil de ser posto em prática. Não é muito difícil a pessoa aceitar ser uno com as árvores, com o oceano, com as estrelas, mas não é fácil ela aceitar também ser una com muitos seres. Por certo que a maioria das pessoas recusam-se a experimentar unicidade com uma barata ou com um rato, ou mesmo com um colega de trabalho que não tolera. Não é fácil a pessoa presa a conceitos de religiões tradicionais aceitar que demônio e deuses são apenas polaridades de uma mesma coisa.

Em situações assim é precisamente onde se faz preciso aplicar os ensinos de Vedanta e perceber que tudo isto a que nos referimos no parágrafo anterior, e bem mais, são múltiplos aspectos da criação e que estão unidos interiormente pela divindade, pelo elo indivisível da seqüência sétupla a que temos nos referido em diversos temas.

Diz os escritos Vedanta: “O EU que está dentro de mim, o Atman, é o mesmo que está dentro de você, não importando se o "você" em questão é um santo, um assassino, um gato, uma mosca, uma árvore, ou aquela pessoa irritante que você não tolera”.

As práticas da Ioga, os ensinamentos da Vedanta tem como objetivo básico o sentir-se uno, a ter como realidade absoluta a Unicidade Cósmica. O objetivo maior da Ioga não é apenas o equilíbrio físico ou psíquico do indivíduo. Este é um degrau, mas no cume dessa pirâmide está o UM. A plena realização somente ocorre quando a pessoa através desses métodos chega ao nível do sentir-se um com tudo e com todos. Por isso vemos a sabedoria de Jesus ao dizer: se queres me seguir vai e primeiro reconcilia-te com o teu inimigo...

“O Ego[3] está em todos os lugares”, diz o Isha Upanishad. "Quem vê todos os seres no Ego, e o Ego em todos os seres, não odeia ninguém. Para alguém que vê O Uno em todos os lugares, como pode haver ilusão ou aflição”?

Todo o medo e toda a miséria surgem do senso de separação da grande unidade cósmica. Não há medo quando se sente a unidade com tudo o que existe, esta é a grande lição que tem para se aprender, conforme disse o Swami Vivekananda há um século.

Ego[4] é a essência deste universo, a essência de todo criatura; você é parte integrante da alma deste universo.





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - De início queremos salientar que Vedas expresso nestes temas não diz respeito a uma raça e sim a um sistema doutrinário. Maiores detalhes vide em especial o tema 534. Outras citações em: Vedas - 054-241-300-302-310-469-481-524-528-529-534-582-677-800-818-822-839-844-867-870-881-882-883-884-885-900-931-934-936-938

[2] - O Vedanta moderno é exemplificado nas vidas e ensinos de Sri Ramakrishna, um grande profeta do décimo nono século na Índia (1836 - 1886), e Swami Vivekananda (1863 - 1902), o seu principal discípulo monástico.
Swami Vivekananda foi o primeiro mestre de Vedanta no ocidente. A VEDANTA tem sido ensinado no EUA e Europa entre 1893-1897 e entre 1899-1900.

[3] - Em muitos trabalhos escritos da Vedanta o termo Ego é usado no sentido de Eu ( essencial). Empregam Ego (com a letra E em maiúsculo) quando diz respeito ao EU e ego ( minúsculo ) no mesmo sentido que usamos

[4] - O termo Ego - com E maiúsculo - está sendo usado no sentido de EU divino.



   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 03 de Novembro de 2007
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