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A SABEDORIA SAGRADA DO VEDAS

“O tambor faz muito barulho
mas é vazio por dentro".

Leo Burnett


Autor: José Laércio do Egito




Se as palavras conseguem expressar, isso não é a beleza.
O Vedas[1] foram registrados antigamente por videntes que tinham atingido a última realização do ego. Eles "viram" essas verdades em estados do mais alto nível intuitivo, razão pela qual eles são chamados videntes. O vedas tiveram nenhuma fonte ou autor mas surgiram dos registros de muitos mís-ticos. O único objetivo que o vedas têm é fazer o homem divino. Eles o conduzem da fase animal - onde ele se identifica completamente com o corpo, sofre fome, sede e desejos de vários tipos - para a fase on-de ele reconhece que a sua condição humana está bem mais distante que a do animal.

Basicamente o Vedas tratam da ciência do espírito procurando fazer despertar no investigador a inteligência e a discriminação que devem ser usadas para purificar as paixões e vencer as emoções até ser atingido o nível de divindade. Depois de atingir o estado divino ele, então, somente goza de felicidades eternas.
O Vedas contêm o conhecimento e procedimentos necessário para libertar o ser humano da escravidão e cegueira espiritual. Mas, diz a Vedanta que mera aprendizagem não tem nenhum uso se os conhecimentos adquiridos não forem postos em prática.

Os ensinos vedicos são explicados nas obras originais: Upanishads, Sastras, e o Puranas; e nos ensinos contidos no Ramayana, Mahabharata, e o Bhagavad Gita.

Todas estas obras ensinam que a última verdade é Brahman “(o Inefável Eterno e Transcendente Deus que penetra tudo e que tem vários nomes de acordo com as diferentes religiões).

Diz a Vedanta: “Brahman pode ser comparado ao oceano no qual do qual o indivíduo surge como uma onda. Esta, depois de certo tempo, novamente funde-se ao oceano de Brahman”.

Trata-se de uma longa viagem em que o ser se vê isolado parcialmente de sua origem pelo espaço, tempo cronológico e formas, até que ele volte à condição original. Este estado é atingido pelo reconhecimento de Deus que pode ser feito através do sentir. Quando ele certifica-se de que todo esse mundo é uma ilusão transitória que o aprisionou por longo tempo, mas que na verdade não passa de um castelo de areia sem qualquer consistência definitiva - Maya. Na verdade por trás de toda essa aparência só existe uma realidade - Brahman - que brilha com toda refulgência como universo inteiro desde as coisas mais simples até os bilhões de galáxias.

Sentir-se Uno com esse universo é o estado chamado Advaitha[2] em contraposição ao Dwaitha[3] . No estado de Advaitha de última realização, Brahman, ou Deus, é experienciado como o UM sem Segundo. Neste estado de união extásica com Brahman tudo o que se julga existir nada mais é que um amontoado de miragens - Maya. Mas, enquanto não ocorre a união o ser vivencia a dualidade e fica a mercê de tudo quanto há; é como a pessoa que assiste a um filme e sofre vários tipos de emoções mesmo que tudo aquilo não seja mais que um filme e uma tela inerte.

No mundo dual a pessoa deixa de ser livre e passa a depender de formas; a essência primordial passa a se manifestar em pluralidade, como formas diversas, como pessoas, animais, objetos, etc. que são vistos e sentidos como existências separadas, como isso que nós chamamos realidade objetiva na qual está como que dissolvida a visão da única entidade real que é Brahman que é eterno e informe mas que contém todas as forma dentro de Si.

Este estado transcendente de união primordial é referido nos poderosos mantras Aham Brahmaasmi (eu sou Brahman) e So Ham (Ele é eu).

Este estado de união com o Absoluto não é só mencionado pelas doutrinas védicas, ele se faz presente outras religiões. É chamado freqüentemente no oriente de Nirvikalpa Samadhi, Nirvana no Vedanta, Kensho ou Satori no Zen Budismo, Nulo ou aum-ment no Budismo Tibetano; e na psicologia do ocidente também, Self Realization - Realização de ego. Mesmo Jesus referiu-se a este estado quando disse: “O Pai e Eu somos Um". Assim é definido a Vedanta: “Vedanta é aquele corpo de pensamento que contém a sabedoria do Vedas. Trata-se da ciência da realização de ego pela qual a onda individual e temporária de consciência pode fundir o ser no oceano eterno de SatChit-Ananda. (Existência, Conhecimento, Felicidade) que é Brahman ou o Deus mais alto”.

Este estado só é atingido com sacrifícios, pelo transcender de gostos e antipatias; de desejos e preconceitos do ego e o estado de individualidade. Alguém que haja atingido este estado vê tudo como inerentemente divino e então se esforça para servir aos outros desinteressadamente.

Na verdade embora muitas religiões sejam dualistas, mesmo que se oponham ao monismo considerando-o uma doutrina panteísta, ainda assim elas em seus ensinamentos, normalmente, pregam princípios que conduzem a pessoa, mais cedo ou mais tarde, à união. Normalmente ensinam o amor ao próximo, o amor à natureza, a caridade, o respeito aos seres, etc. e tudo isto na verdade acaba por despertar o sentimento de união cósmica.

Na Vedanta a centelha eterna e pura dentro de todo ser vivo é chamada de Âtma. A palavra Âtma[4] quer dizer “luz”, “brilho”,” refulgência”. O Âtma constitui o âmago de cada indivíduo, que registra todos os sentimentos, pensamentos e através do qual se manifesta a consciência. Num certo sentido o Âtma pode ser considerado a própria vida pois sem ele não existiria a mente e se tal ocorresse toda a individualidade se desmoronaria. Trata-se da força aderente atrás o organização física e uma vez o Âtma retirado do corpo imediatamente inicia-se a sua desintegração.

O Vedas tem um leque de abrangência muito amplo e que estão distribuídos nas obras mencionadas antes. Entre estas queremos salientar o Upanishads. Trata-se de uma parte dos Vedas, aquela seção que trata da Sabedoria mais Alta e composto por 108 Upanishads[5]. O nome quer dizer: firme estudo dos meios de atingir à Última Realidade. Tratam de todas as coisas obscuras, metafísicas, tais como a origem do Universo, a natureza e a essência da Divindade não manifestada e dos deuses manifestados; a conexão primeira e final entre o espirito e a matéria; a universalidade da mente e da natureza do Ego e da alma humana.

Dos 108 Upanishads 10 ganharam popularidade pelos comentários por Shankara, um grande mestre de professor do oriente.

Os panditas[6] afirmam que o Upanishad destroi a ignorância e promove a libertação do espirito através da verdade. Entre os Upanhshads o Katha Upanishad trata especificamente do assunto do Âtma que tem grande significação pois é onde mais fala do Âtma, de cujo conhecimento o ser muito depende para sua libertação. Mesmo tratando-se de algo tão importante muitas pessoas ainda não entendem o real sentido do Âtma.





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Vedas não diz respeito a um povo ou ração e sim a um sistema filosófico. Por isso não usamos o verbo no plural.

[2] - Nome também dado a uma das três escolas védicas - monista.

[3] - Nome dado a escola védica dualista.

[4] - Singular de Âtman = Mônada divina, espirito universal. O termo âtma, conforme o Glossário Teosófico, tem muitos sentidos conforme as diferentes escolas. Assim pode significar: Espirito Universal, Mônada Divina, o sétimo Princípio, Alma suprema, O Espirito, o Eu, o Eu superior, ou verdadeiro Eu. Âtaman significa também natureza, caráter, essência, vida, alento, coração, alma mente, inteligência, pensamento, homem, eu inferior, o corpo, o ser, existência, etc.

[5] - Há quem afirme haver existido 150 upanishads (livros), atualmente, haja apenas uns 20 sem grande adulteração.

[6] - Pandita ( Pundit - sânscrito ) = Sábio, doutor, letrado. Brâmanes versados nas ciências religiosas. Homens verdadeiramente competente em todo tipo de conhecimentos.


   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 03 de Novembro de 2007
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