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A FILOSOFIA VEDÂNTICA
“A curiosidade sobre a vida em todos os aspectos
é o segredo das pessoas muito criativas".
Einstein
Autor: José Laércio do Egito
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Ser simples não é um estado aparente.
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Tendo em vista a importância do assunto que pretendemos apresentar nas palestras seguintes redigimos este tema praticamente com transcrições do excelente livro “ O Desenvolvimento Espiritual ” - Swami Abhedananda.
Quando se fala de Vedanta as pessoas menos avisadas pensam tratar-se de um sistema filosófico exclusivo dos Vedas - Escrituras Sagradas da Índia.
A fim de esclarecer essa dúvidas inicialmente queremos dizer que o termo “veda” não significa livro, mas sim “sabedoria”. Desta maneira com a palavra “Vedanta” se quer dizer “sabedoria” ( “anta” significa fim, finalidade). Portanto o termo “Vedanta” pode ser traduzido por “fim (finalidade) da sabedoria ”.
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Vedanta trata-se de uma filosofia qual é o fim da existência e como isto pode ser alcançado. Diz que todo conhecimento relativo termina na realização da unidade da alma individual com a verdade essencial do universo. Diz: “Esta realidade fundamental es o espírito universal. - É o infinito oceano de sabedoria” Diz Vivekananda: “Tal como rios que correm em seus leitos por milhares de quilômetros e acabam no oceano assim também os rios do conhecimento relativo seguem seu curso através da diversas etapas do universo fenomenal e terminam no infinito oceano da existência eterna, e do amor”.
“ Realizar a unificação deve ser a meta de toda verdadeira religião, porém a historia das religiões demonstram que nenhum povo compreendeu isto claramente e muito menos posto isto em prática”. Mesmo assim podemos dizer que o povo que mais deu ênfase a isto, foi, sem dúvidas, os antigos “ários” que habitaram a Índia. Durante quase cinco mil anos a Índia tem conservado em seu seio a sublime idéia: “A Verdade é Una, porém os meios de lográ-la são múltiplos”.
No Riga Veda, a mais antiga de todas as Escrituras conhecidas, lê-se: “Aquele que realmente existe es Uno e os homens O chamam por diferentes e variados nomes”: Os judeus O chamam de Yavé; os cristãos, Deus ou Pai Celestial; os maometanos O adoram como Alá; os budistas como Buddha; os Jainistas como Yina; enquanto que os hindus o denominam Brahman.
Sobre esta verdade fundamental baseia-se toda a estrutura dos ensinos da Vedanta, e os que estudam as religiões comparadas reconhecem que ela, mais que qualquer outra religião do mundo insiste sobre a doutrina da unidade da existência sob uma grande variedade de nomes. A maneira de sentir a unicidade na pluralidade faz com que a Vedanta possa ser considerada uma religião universal por abraçar todas as religiões existentes como formas de cultuar uma mesma realidade sob diferentes nomes.
Diz o mencionado autor: “Este caráter singular da Vedanta torna-se mais acentuado pelo fato de que ela não está baseada em nenhuma personalidade particular”. “Qualquer religião ou filosofia cuja autoridade dependa de una personalidade especial, nunca pode satisfazer as exigências de una religião universal”.
Evidentemente, para que um sistema filosófico possa atender à condição de religião universal, a primeira condição é que ela seja absolutamente impessoal. Sempre que existir um fundador de uma religião esta estará limitada pela própria personalidade do e por isto não poderá ser universal, tal como vemos com o Cristianismo, o Budismo, o Maometanismo e outras.
“Via de regra os seguidores de uma das grandes religiões mencionadas esquecem-se dos princípios e aderem à personalidade do fundador e assim negam-se a reconhecer qualquer outra e isto, como conseqüência, leva às discórdias, conflitos e perseguições de que estão cheias as páginas da historia religiosa”.
Em decorrência do imenso período de atividade os ensinamentos vedas influenciaram muitos outros sistemas mais modernos. Assim pode-se dizer que a Vedanta teve muitas fases. A fase dualista que inclui os princípios fundamentais de todos os sistemas dualistas monoteístas, tales como o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo y todos os sistemas que se atêm ao Deus personalista e a devoção à qualquer ideal divino. Mantêm a adoração a um Deus pessoal, ou a devoção a qualquer ideal Divino.
A fase denominada monista compreende todos os sistemas que ensinam sobre a imanência e transcendência de Deus. Inclui idéias tais como: “Nós vivemos, nos movemos y temos nossa existência em Deus”; “Deus mora em nós assim como também no universo”. “Ele é a Alma de nossas almas”. “Nós somos parte de um incenso Todo”, “ Somos filhos da Felicidade Imortal ”, etc.
Sem dúvida a fase monista da Vedanta é a mais sublime de todas e pouco foram os pensadores que puderam estimar a grandeza que ha na unicidade espiritual. “ Sem dúvidas nisto reside a solução dos mais profundos problemas da ciência, da filosofia, da metafísica e do objetivo final de todas as religiões. Somente ela explica como é possível para alguém dizer: ‘Eu e o Pai somos Um’ ”.
“Vedanta é um sistema religioso e também um sistema filosófico. Existem diversos sistemas de filosofia, porém nenhum, como os da Grécia e da Alemanha, chegaram a lograr harmonizar-se com os ideais religiosos da mente humana; nem tem mostrar a senda pela qual o homem pode lograr a ciência divina e a sua libertação da ignorância, do egoísmo e de todas as outras imperfeições, de uma maneira tão racional como a filosofia Vedanta da Índia”.
A Vedanta não exige que ninguém creia ou aceite coisa alguma que não esteja de acordo com a sua própria razão, ou que não esteja em harmonia com as leis da ciência, com a filosofia lógica. Porém devemos nos lembrar que na Índia a religião jamais esteve separada da ciência, da lógica e da filosofia. Como conseqüência, a Vedanta, apesar de ser tão antigo, está perfeitamente de acordo com as últimas conclusões da ciência moderna e por certo com aquelas que virão a ser descobertas no futuro.
Outro aspecto notável da Vedanta é que ela não prescreve para todos uma mesma senda através da qual as pessoas alcancem a meta final de cada religião. Pelo contrário, ela reconhece a variedade de tendências das diferentes mentes e por isso encaminha cada pessoa para a senda que lhe for mais apropriada. Por esta razão classifica as tendência pessoais em quatro grandes divisões, que unidas a sub-divisões, abarcam quase todas as classes de indivíduos e, então, estabelece os métodos que podem ajudar à cada qual. Cada um destes métodos é chamado em sânscrito “yoga”.
O primeiro sistema é o Karma Yoga. È o sistema mais adequado às pessoas ativas; para aqueles que gostam de trabalhar e que sempre estão prontos para fazer algo em auxílio aos outros; es, enfim, o mais apropriado para homens e mulheres que têm muitas ocupações diárias. O Karma Ioga ensina o segredo da ação e diz como ser possível transformar nossas tarefas diárias em atos de adoração e assim alcançar a perfeição nesta vida mediante a ação. Trata-se de um sistema essencialmente prático e absolutamente necessário para os que preferem levar uma vida ativa, porque ensina como poder realizar um máximo de trabalho com um mínimo de perda de energia. A maior parte da energia mental é desperdiçada pela maioria das pessoas devido a agitação constante de suas vidas diárias e que é decorrente basicamente da falta de autocontrole Desde que se conheça o segredo as ação, não somente evita-se
o desperdício, que é a causa de muitas desordens nervosas, como se botem o aumento dos dias de vida. O karma yoga não só revela este segredo como também abre o caminho para um completo domínio de si mesmo.
O método que se segue é o da Bhakti Yoga. É o mais indicado para aquelas pessoas que têm natureza muito emocional. Ele ensina como as emoções comuns podem produzir um desenvolvimento espiritual do mais alto nível e promover a realização da meta final de todas as religiões. Trata-se da senda da devoção e do amor. Explica a natureza do amor divino e ensina como divinizar o amor humano cumprir assim com o propósito essencial da vida exercendo os mais altos fins da existência.
O terceiro método é o da Raja Yoga - a senda da concentração e da meditação. El campo abarcado pela Ioga de Raja é muito vasto desde que compreende todo o plano psíquico. Descreve o processo através do qual são desenvolvidos os poderes psíquicos, bem assim como todos aqueles atos que comumente são chamados de milagres. A Raja Ioga toma aqueles poderes e fenômenos psíquicos, os classifica e faz deles uma ciência.
A Raja Ioga também ensina a ciência do respirar, os efeitos assombrosos dos exercícios respiratórios sobre a mente e o corpo. Inclui as curas feitas por processos mentais.
Ainda que a Raja Ioga trate cientificamente dos poderes psíquicos ela não cessa de repetir que quaisquer desses poderes não significam sinal de espiritualidade. “ Os cérebros medíocres e os intelectos débeis que facilmente afastam-se do caminho da verdade espiritual quando principiam a manifestarem-se neles alguns poderes psíquicos, crêem haver alcançado o mais elevado estado de espiritualidade porque terem o poder de curar uma dor de cabeça ou outras afeções”.
O Raja Ioga adverte que o que o exercício dos poderes psíquicos como profissão é um grande obstáculo na senda da evolução espiritual. Seu principal propósito é levar o discípulo mediante a concentração mental e da meditação ao estado más elevado de supra-consciência, onde a alma individual comunga com o Espírito Universal estabelecendo a unidade entre a existência, a paz e a felicidade eterna.
O Jnana Yoga é o quarto método, o da senda do reto conhecimento e do discernimento.
A ioga de conhecimento ou da sabedoria é o caminho mais difícil, porquanto que requer grande esforço do intelecto. Neste sistema o praticante usa a mente para investigar sua própria natureza. Este método é adequado aos que são de natureza intelectual, especulativa e filosófica.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
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