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A UNIVERSALIDADE DA VEDANTA
“Muitas vezes é mais útil o que condenas
do que o que louvas".
Pedro
Autor: José Laércio do Egito
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O silêncio não é um objetivo, antes disso, a compreensão de que não há objetivos.
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Entre todas as religiões praticadas no mundo, sem dúvida alguma, é a Vedanta aquela que mais oferece condições de ser considerada uma religião universal por várias razões que veremos nesta palestra.
A Vedanta aceita os ensinamentos de todos os Grandes Mestres espirituais do mundo, os reconhece como Encarnações do Espírito Divino e deixa lugar também para aqueles que ainda virão visando o vem da humanidade.
Vedanta explica a base da ética. Por que devemos adotar princípios morais? - Diz a doutrina: “Os preceitos morais devem ter como base a compreensão. Não se deve fazer ou deixar de fazer algo porque alguém diz que tal é certo ou errado; nem porque está escrito em determinado versículo ou capítulo de tal ou qual escritura, mas sim pela própria natureza unitária do universo, pois se ofendes aos outros injurias a ti mesmo; se sois malvados, estarás fazendo mal a vós mesmos”.
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Pelo conceito da unicidade a Vedanta também explica, mediante a unidade espiritual, o porquê devemos amar a nosso próximo com a nos mesmos, posto que em espírito somos uno com esse próximo.
Onde quer que reine a Vedanta ali deve prevalecer a tolerância, a compreensão e a harmonia, desde que a ética da Vedanta é a de sempre procurar trazer a paz e estabelecer a harmonia a todo o mundo religioso. Onde quer que reine a Vedanta deve prevalecer a harmonia porque é incentivado a tolerância e a cooperação entre todos os credos; e estimulado a eliminação das perseguições religiosas prevalecendo, sim, o estímulo ao despertar do amor entre todas as formas de existência.
Como diz o professor Max Muller: “O discípulo da Vedanta não pertence a nenhuma seita em especial, a nenhum credo ou denominação religiosa intolerante. Não é exclusivamente cristão, nem maometano, nem budista, nem jainista, nem zoroastrista, nem hindu, etc. mas, sem dúvida, em princípio, ele procura ser uno com todas elas. Pode freqüentar naturalmente à uma igreja cristã, à uma mesquita, ou a um outro templo qualquer porque ele sente-se uno com todas elas”. “Ele é um seguidor daquela Religião Eterna, sem forma e sem nome, que serve de base a todas as demais existentes no mundo; e, a medida que vai alcançando uma compreensão mais elevada desta religião universal, ele não pode senão declarar que na Vedanta há lugar para todos, para quase todas as religiões pois nela estão inclusas. É assim porque todos os seus ensinamentos estão baseados naquelas acolhedoras palavras do Bendito Senhor Krishna expressar
no Bhagavad Guita”: “Todo aquele que se dirige a Mim por qualquer senda que seja, Eu chego a ele; todos os homens estão pelejando nas sendas que finalmente conduzem a Mim, a Verdade Eterna”.
A Vedanta é uma filosofia e ao mesmo tempo uma religião.
Como filosofia ensina as verdades mais elevadas já descobertas pelos maiores filósofos pelos mais adiantados pensadores de todas as épocas e de todos os países. Desde os tempos de Sócrates e Platão até os de Kant, Schopenhauer y Ralph Waldo Emerson, a história da filosofia ocidental não deu ao mundo verdades ou princípios más elevados, más universais e mais práticos que aqueles que constam nos ensinamentos da Vedanta.
O que é importante é que os princípios da Vedanta podem ser postos em prática na vida diária de qualquer um, pois eles não dizem respeito a simples divagações e especulações metafísicas. “ São princípios que podem ser considerados como alento para os sofrimentos e as penas, pois elevam a alma acima de todas as vicissitudes, ansiedades e tristezas que possam originar os fracassos na vida”.
É possível que não haja no mundo outra filosofia que ensine um método tão perfeito para adquirir o domínio de si mesmo, paz e felicidade como a Vedanta. Los aspirantes fervorosos e sinceros comprovam isto em sua vida diária. Pode-se dizer, portanto, que, como filosofia, os ensinos da Vedanta são os mais práticos e proveitosos -, assim como sublimes.
Como religião, dizem os adeptos: “A Vedanta é de imensa significação pois é capaz de atender a todas as necessidades necessidades espirituais de toda classe de indivíduos, em todos os lugares e em todos os tempos”. Isto acontece porque não está associada a nenhum credo em particular, ou doutrina sectária; jamais ataca a forma de crença de nenhuma religião, e especialmente de forma alguma faz empenho em destruir a fés de nenhuma pessoa, bem pelo contrário estimula para que todos se dediquem às suas crenças escolhidas e o que é importante , que a cada dia transformem-se, melhorem em carretar e plenifiquem-se de amor. Por outro lado a crença vedântica não destroi a fé de nenhum crente de outras doutrinas.
A Vedanta não apresenta nenhuma foram particular de culto, ritual ou cerimonia apta para todos. Dá ao adepto a absoluta liberdade para escolher qualquer senda, seja ela dualista, ritualista, não-dualista ou monista em todas sus fases e diferenças, pois seus seguidores sabem que tudo isto são etapas de uma mesma estrada em que alguns caminhantes encontram-se num ponto, outros noutro, mas todos seguindo no caminho que conduz a um ponto único. Por um lado ela anima aos que não se preocupam com qualquer ritual, cerimonia, símbolo, ou qualquer forma de culto externo e, por outro lado oferece formas de rituais, cerimonias e símbolos aos que os necessitam por considerarem proveitosos os exercícios devocionais. Si um devoto consegue ajuda por meio de orações o Vedanta lhe diz: ora; mas sem dúvidas não afirma que a oração seja a única forma de culto para todos. Se a pessoa encontra auxilio em símbolos
tais como altares, incenso, velas e flores, o Vedanta não o desanima, por contrário, lhe explica o significado espiritual desses símbolos, lhe diz como deve usa-se mostra o caminho para chegar à meta final de todas as religiões por meio da senda da devoção e do amor.
Aqueles que não conseguem concentrar sua mente sobre idéias abstratas, evidentemente não podem adorar o Espírito Absoluto sino mediante símbolos y formas concretas. Isto é perfeitamente natural porque a mente recebe impressões mais profundas de objetos concretos, tangíveis. Por isto é que a Vedanta diz que qualquer forma de religião abstrata[1] por certo desalenta essa classe de pessoas, por conseguinte ela seria tão desalentadora, unilateral e imperfeita como aquela que obrigasse aos de mente abstrata terem que praticar exercícios devocionais ligados a símbolos ou outras formas objetivas de culto ou qualquer outra forma de adoração. Em suma, a Vedanta encontra uma solução feliz distribuindo os devotos segundo suas tendências, poderes e capacidades, dando a cada deles o que seja especialmente benéfico na senda do progresso espiritual. Aqueles a quem desagrada os rituais e os
símbolos podem pertencer à religião da Vedanta exatamente como os que aceitam os rituais e praticam os exercícios devocionais.
Aqueles que basicamente intelectivos e filántropos, pelos ensinamentos da Vedanta podem purificar seu intelecto e dedicar toda sua vida a fazer o bem à humanidade. Aqueles que são ritualistas encontram na religião universal da Vedanta ampla oportunidade para praticarem seus rituais e cerimonias, para usar símbolos externos e diferentes formas de cultos apropriados a suas tendências naturais.
Um verdadeiro seguidor da Vedanta não ataca nenhuma seita ou credo, não censura as doutrinas e dogmas sectários, mas sim, aceita todas as formas de adoração e exercícios devocionais. Não critica aos outros porque compreende que aquilo que pode ser bom para ele, pode não sê-lo para outros, e o que é benéfico para os outros pode não sê-lo para ele. “La religião da Vedanta é como uma mãe de vários filhos; à cada um alimenta com o tipo de alimento que pode digerir más facilmente” O principio básico da Vedanta é a aceitação universal de toda classe de doutrinas e seitas. Portanto, está sempre pronta para dar a cada um o alimento espiritual adequado à sua tendência, poder, gosto e capacidade”.[2]
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
A esse respeito vide temas: 086 - 087 - 521 - 740
[2] -
Os parágrafos entre aspas são citações do livro: Ramakrishna Vivekananda Vedanta, Swami Pareshananda, Ramakrishna Ashram - Buenos Aires.
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