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O SIMBOLISMO VEDÂNTICO

“Que é orar? É por, pelo pensamento,
o infinito da terra em contacto com
o infinito do céu".

Victor Hugo


Autor: José Laércio do Egito



O caminho do peregrino deve ser construído por ele...
A Vedanta prepara bem as pessoas para o entendimento dos símbolos, ritos, devoções e tantos outros valores ligados às religiões. Ela procura explicar o significado espiritual dos diferentes símbolos que são usados nos cultos das seitas vedânticas assim como nos das demais religiões.

Diz o texto. “O altar representa o altar do coração. Este altar deve ser dedicado ao Espírito Supremo que é a Alma de nossas almas e cuja natureza é a Existência Absoluta. A quem é dedicado o altar da religião da Vedanta? - À luz refulgente do Sol da Infinita Sabedoria que dissipa as trevas da ignorância de coração humano e cujo nome é o eterno verbo “Om”. Não indica algo individual, mas sim o Infinito Espírito que é a origem de todas as manifestações pessoais e Encarnações Divinas. Um adorador de Cristo deve imaginá-Lo colocado sobre este altar; um devoto de Buda, Krishna, Shiva, Vishnu, Yavé, ou Alá, deve pensar que seu Ideal ocupa esse altar simbólico de coração. Da mesma maneira, o devoto de Sri Ramakrishna, de Sai Baba, ou da Divina Madre, ou do Espírito Supremo sob qualquer nome que seja deve colocar igualmente seu ideal nesse mesmo altar. Em cada caso, sin embargo, deve recordar sempre que este altar es como o símbolo do coração do devoto”.
Cabe uma pergunta: “ Isto não cria confusão?”. A resposta segundo a Vedanta é: “Não”, desde que a Vedanta ensina a unicidade da Divindade sob distintos nomes e formas. O mesmo Eterno Uno é adorado como o Pai Celestial; como Ahura Mazda, ou como Mãe Divina; como Cristo, Buda; Alá, Vishnu; como Krishna, ou Ramakrishna, ou Sai Baba. Todos esses nomes e formas são simplesmente as manifestações de uma única Existência Infinita, sem nome e sem forma, a Quem o altar do Vedanta é dedicado. A Vedanta, temos dito repetidamente, é absolutamente não sectário e portanto pode ser considerado universal.

Muitos ocidentais chocam-se com o imenso simbolismo das religiões orientais em geral e da Vedanta em particular, mas isso é uma decorrência da ignorância que existe em torno daquelas religiões e dos seus símbolos. Tudo são representações simbólicas de princípios, preceitos e ensinamentos destinados ao atendimento das mentes concretistas. Evidentemente que as pessoas afeitas ao pensamento abstrato podem prescindir de tudo aquilo, mas mesmo assim eles acabam gostando de usá-los no sentido prático.

A chama da vela: é o símbolo da luz do intelecto. “É a luz do intelecto puro que revela o espírito situado no altar do coração. O intelecto e o coração purificados devem estar unidos antes de lograr a realização espiritual”.

As flores “são o símbolo dos bons pensamentos e dos sentimentos puros que devem ser oferecidos ao Espírito Supremo”.

As frutas: “Quando são oferecido frutas, elas representam os frutos de nossas obras”.

Assim a Vedanta explica o sentido de muitos símbolos e também como fazer uso deles ritualisticamente. Primeiro a pessoa deve sentar-se em silêncio diante do altar até que mentalize o significado espiritual dos símbolos. Depois deve colocar as flores, acender as velas, queimar o incenso e começar sentado a meditar com olhos levemente fechados. Pensa no altar do coração dedicado ao Espírito Supremo sob a forma ou o nome que mais lhe agrade. Então oferece as flores, os bons pensamentos, e os sentimentos puros ao Ideal que haja elegido, e concentrando a mente nessa forma, repetir o Seu nome mentalmente. Esta é a forma pura e mais simples de adoração espiritual que a Vedanta oferece a todos os devotos, qualquer que seja o seu credo. Esta é a base comum e universal de todas as formas de culto, quer seja ele cristão, maometano, indiano, bramânico, budista, etc.

Existem alguns ramos hindus protestante e maometanos que fazem objeção aos símbolos externos, porém aceitam o significado espiritual desses símbolos, porém nenhum deles rechaça a adoração de Espírito Supremo no altar do coração. Toda adoração externa é tão somente a preparação para a adoração interna através da meditação, a qual a seu tempo culmina na Consciência Divina.

A meditação é uma etapa muito importante na senda do progresso espiritual. Nesta época de mercantilismo e materialismo, em que todo o mundo corre como louco atras dos prazeres mundanos e os ganhos material, os que seguem a Vedanta devem dedicar pelo menos meia hora à cada dia para alimentar o eu individual com o néctar da Comunicação com o Divino. Isto só pode ser atingido pela meditação; jamais a iluminação, ou realização espiritual foi lograda por alguém, sem meditação.

Todos os grandes guias espirituais tais como Cristo, Budha, Krishna, Chaitanya, Ramakrishna e vários outros aconselharam e eles mesmos praticaram-na. É através da meditação que muitos conseguiram a comunicação com o Divino e finalmente chegaram a ser Salvadores da humanidade. Por esta razão, a Vedanta destaca com tanta ênfase a prática da meditação. El culto do Supremo é impossível sem meditação, porém o método pode variar de conformidade com a natureza e tendências individuais.

Recomenda a Vedanta: “A meditação deve ser diária e ser praticada em um local tranqüilo onde seja possível manter a mente libre de todo o pensamento mundanos e especialmente onde houver imagens ou quadros capazes de despertar sentimentos devocionais no coração do devoto. Os que podem fazê-lo devem dedicar um local de sua casa para este propósito, e nunca permitir que a “atmosfera” daquele local seja impregnada com vibrações de pensamentos impuros ou idéias mundanas. O local deve ser considerado como uma capela privada. O efeito da meditação assim torna-se sumamente elevado”

Q“Quando a mente da pessoa está agitada por paixões, sentimentos vários como a paixão, ansiedades, aflições, dificuldades e penas, então ela vem passar ali alguns minutos e por certo obterá segurança, paz, bem-estar, e as bênçãos da Omnipresente Divindade”. Aqueles que não dispõem de um local assim em suas casas para a meditação, podem ir aos templos ou igrejas e ali praticar sua meditação em silencio e tranqüilidade.[1]





Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:

[1] - Os parágrafos entre aspas são transcrições do livro: Ramakrishna Vivekananda Vedanta, Swami Pareshananda, Ramakrishna Ashram, Buenos Aires.

   Imprima esta Página Adicione aos Favoritos Última atualização: 13 de Novembro de 2007
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