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PRÁTICAS VEDANTA
“Descobrir consiste em olhar para o
que todo mundo está vendo e pensar uma coisa diferente ".
Niels Bohr
Autor: José Laércio do Egito
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A filosofia da Vedanta originou-se das Upanishads, textos que conformam a última parte dos Vedas, as mais antigas e importantes escrituras da Índia. A partir destas escrituras surgiram as bases filosóficas de todos os sistemas de pensamento religioso hindus, tanto dualistas quanto monistas. Tem sua origem a centenas e talvez a milhares de anos antes de Cristo, registrando as experiências místicas de santos e sábios.
Vedanta, como temos repetido algumas vezes nesta série de palestras, é a mais velha das principais religiões vivas do mundo e baseia-se em livros filosóficos conhecidos como o Upanishads formado por um conjunto de escrituras Indo-ariano antigos, ou Vedas. Na realidade, Vedanta etimologicamente significa, o fim (anta) e veda ( conhecimento ), portanto Vedanta significa a culminação ( fim) do conhecimento espiritual (veda).
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Segundo a Vedanta, religião é a busca do autoconhecimento, a procura de Deus dentro de nós mesmos. Pode-se dizer que a Vedanta é filosofia, religião, psicologia e ética, todos integrados numa metafísica que satisfaz a razão, podendo ser compreendida e realizada intuitivamente por todo homem que experimente as disciplinas necessárias.
O ensino básico de Vedanta é que a essência de todos os seres e tudo coisas integram uma essência que deve ser aceita como o Deus Pessoal - Espírito, infinito, eterno, imutável, e indivisível e enfatiza que a verdadeira natureza homem é este Espírito divino, realidade única do universo intimamente idêntico em tudo quanto há. Em resumo, não existe coisa alguma além dessa essência Una - Brahman.
A Realidade Suprema, Brâhman, não pode ser descrita; o mais que se pode dizer é que é Sat-Chit-Ananda - Existência Absoluta, Consciência, Felicidade. Porém, Vedanta reconhece que o Absoluto Brahman torna-se manifesto sob inúmeros aspectos e formas e assim é conhecido através de vários nomes. Em outras palavras, Brâhman, ou Deus, existe sob dois aspectos: informe e com forma; impessoal e pessoal; transcendente e imanente.
Vedanta declara que se pode perceber Deus em qualquer aspecto que a pessoa deseje, e que a pessoa pode chegar a percebê-lO diretamente, vividamente, nesta vida, neste mundo. Tal realização constitui libertação espiritual e isto deve constituir o ideal, a aspirações de todo o homem, o verdadeiro propósito de vida humana.
Com respeito ao homem, a Vedanta fundamenta-se em três pontos:
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A natureza humana é divina.
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O objetivo da vida humana é despontar e manifestar esta natureza divina.
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A verdade é universal, não sendo posse exclusiva de nenhum credo, raça ou época.
A Vedanta não se preocupa apenas em dar ao homem o conhecimento teórico de sua natureza e a do universo, mas através de suas quatro Yogas propões e ensina as técnicas necessárias para torná-lo capaz não apenas de realizar este conhecimento, mas de chegar a sentir-se Uno com Deus.
A proposta da Vedanta é o desenvolvimento espiritual até atingira a meta da União com Deus através de quatro tipos básicos de Ioga, que devem ser escolhidos de conformidade com o temperamento pessoal.
Vedanta assegura que todas as religiões conduzem à mesma meta. Também venera os grandes mestres e profetas de muitas épocas e lugares, como Sri Krishna, Buda, e Jesus Cristo, e tantos outros cujos ensinos apontam uma mesma verdade eterna, apenas adaptados às necessidades da época e do povos com suas diferentes culturas.
Através do tempo no seio da Vedanta manifestaram-se muitos “santos” indianos, e em época mais recente o mais conhecido no ocidente foi Sri Ramakrishna (1836-1886), cujo principal ensino dizia que a religião não é um assunto de doutrina ou de convicção mas sim de realização. Afirmava que todas as concepções de Deus representam aspectos diferentes do mesmo Ser Supremo e que e que toda religião é um dos modos para localizá-lo.
O principal discípulo de Sri Ramakrishna foi Swami Vivekananda (1863-1902), organizador da Ordem Ramakrishna constituída por monges na Índia. Foi ele quem trouxe Vedanta para o ocidente em 1890. Este grande Swami enfatizava: mesmo que o homem conheça Deus em várias formas, e por vários nomes, a sua derradeira realização é atingir a sua identidade com a Realidade Suprema.
Segundo Vedanta os quatro métodos básicos mais práticos para se atingir a meta suprema são os quatro sistemas principais de Ioga: Ioga de Jnana, o caminho do conhecimento; Ioga de Bhakti, o caminho de devoção; Ioga de Karma, o caminho de ação abnegada (físico, intelectual, ou serviço espiritual); e Ioga de Raja, o caminho de concentração. Paralelamente considera também muitas outras formas de Ioga.
Todos estes caminhos pressupõem um alto nível moral ligado à uma autodisciplina de vida. Seguindo um ou mais deles, sob a orientação de um mestre devidamente, a pessoa pode completa e permanentemente descobrir e sentir a existência da Realidade Divina como a essência de si mesmo e do universo.
Jnana, Karma e Raja Yoga podem ser praticados por aqueles que não querem acreditar em Deus mas que sentem a necessidade de um desenvolvimento interior.
Os quatro tipos básicos de Ioga Vedântica:
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Jnana Yoga - é a aproximação de Deus ou do Absoluto através do discernimento e da razão. O objetivo é a liberdade, romper a ilusão e ver a mesma Realidade subjacente a todos e a tudo.
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Bhakti Yoga - é o cultivo de uma relação devocional com Deus através da oração, ritual e adoração. A energia humana é toda utilizada para a procura do Deus interior.
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Karma Yoga - é o caminho que conduz a Deus através do serviço a outros, pela adoração da divindade que existe dentro de cada ser humano.
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Raja Yoga - é também chamada de Yoga da meditação e é a alma de todas as Yogas. A ênfase aqui é o controle da mente através da meditação e concentração.
Vivekananda ensinou que todas as iogas podem ser harmoniosamente combinados - “Aquela Liberdade pode ser atingida através de trabalho, ou adoração, ou controle psíquico, ou filosofia, através de um, ou mais, ou todos eles”.
Da mesma maneira que honramos as várias religiões mundiais e respeitamos os seus adeptos, nós temos que crescer e nos aprofundarmos em nosso próprio caminho espiritual particular. Os vedânticos dizem: “ Devemos aceitar todas as crenças mas não devemos nos banhar num pouco de Budismo, de Islamismo, de Cristianismo etc. Se nós lançarmos cinco variedades de sobremesas em um processador de comida, apenas adquiriremos uma bagunça sem sabor”.[1]
Enquanto Vedanta enfatiza a harmonia de religiões, também acentua a necessidade de mergulhar profundamente na tradição espiritual de nossa escolha, sobre o qual é preciso trabalhar intensamente. Parafraseando Ramakrishna: “Se você quer buscar água você deve cavar bem, primeiro tem que escolher um local adequado, a seguir começar a cavar até que alcance água. Não será proveitoso cavar um grupo de buracos rasos”. Uma vez escolhido um caminho deve-se aprofundar nele afim de que possa ser atingido a libertação, atingindo-se a Deus-realização. Naturalmente é valido se examinar outras tradições, mas não dissipar esforço com todas elas ao mesmo tempo.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
Em nossos temas usamos assinalar trechos em itálico para indicar que o mesmo são citações de livros e artigos via Internet.
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