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O CAMINHO DA IOGA
“ Quando não encontramos a paz em nós próprios,
inútil é ir buscá-la alhures ".
FRANÇOIS, duque de La Rochefoucauld
Autor: José Laércio do Egito
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Em palestras anteriores falamos que o homem para se libertar do jugo das encarnações pode escolher 4 caminhos distintos: Caminho do Monge, Caminho do Faquir, Caminho do Ioguim[1] e o Quarto Caminho, sobre os quais então discorremos. Qualquer um desses caminhos pode libertar o ser aprisionado no mundo dialético. Neste atual bloco de palestras vamos focalizar os diversos métodos de Ioga.
Evidentemente nestas palestras não estamos ensinado métodos e Ioga, como em palestra bem anteriores também não ensinamos Magia, Cabala, e muitos outros sistemas de desenvolvimento espiritual.
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Nosso objetivo nessas palestras em geral, e na Ioga em particular, é apenas historiar, e especialmente situar o discípulo dentro do contexto geral do misticismo, a fim de que ele tome contacto com muitos ensinamentos e assim, se a pessoa se sentir atraído por algum deles, souber escolhe-lo e nele desenvolver-se.
Inicialmente queremos salientar que o caminho da realização varia de acordo com a capacidade, tendências, condições de vida, e outros fatores pessoais e quando o motivo é espiritual os caminhos são chamados de União com Deus. Este processo acontece de formas diferentes e em fases relativas conforme a condição do indivíduo, variações de tempo, de lugar de cultura, etc.
Aqueles que escolhem a Ioga como meio de chegar à União com Deus, conforme as condições pessoais, podem escolher alguns sistemas bem conhecidos. Podem chegar à União por meio da “ação não egoística” - Karmaioga -, da Devoção a Deus - Bhaktiyoga -, do “controle das forças internas” por meio da concentração e da meditação - Rajaioga -, ou pelo “discernimento entre o real e o irreal” - Djannaioga. Contudo o ideal é lograr um equilíbrio harmonioso de todas estas práticas.
As diferentes religiões são somente caminhos distintos para realizar a meta do desenvolvimento espiritual. Basicamente todas elas têm um objetivo em comum. O Sábio Védico diz: “ekam sat vipra bahuda vadanti” - “A verdade é una, os sábios a descobre de várias maneiras”.
Podemos definir a Ioga como um sistema de práticas espirituais que permitem perceber o universo de consciência que é nossa verdadeira natureza.
A Ioga pretende unir todos os aspectos de nosso ser, desde o nosso corpo físico até a nossa mais alta inteligência, com o verdadeiro, ou o Eu universal que mora dentro do coração.
Não se pode estabelecer uma data para o surgimento da Ioga, pois na verdade ela estende-se por milhares de anos, desde a época dos Vedas havendo no transcorrerem dos séculos evoluídos para diversas variedades de práticas; tanto que a antiga Ioga do Vedas atualmente já não é compreendida por muitas pessoas.
Hoje a Ioga, particularmente no ocidente, tem sido mais direcionada para o lado físico em detrimento do lado espiritual. É possível que com o advento da Nova Era venha ser dado uma maior atenção à tradição espiritual. Até mesmo na Índia, a base Védica da tradição raramente tem merecido a devida atenção.
Os Vedas contêm chaves à sabedoria perene de humanidade e proclama que todos somos como crianças que precisam evoluir no sentido da consciência clara.
A Ioga Védica é parte de uma tradição integrada pela chamada Ioga Clássica, Ioga Espiritual (não sexual), Tantra e a Vedanta, como também Ayurveda e Astrologia Védica.
A Yoga Védica é a forma mais antiga de todas, pois data de um período anterior ao Rig Veda, que é, talvez, o livro mais antigo do mundo. Trata-se do mais antigo texto sânscrito e também de qualquer língua Indo Européia. Segundo o Yogi Sri Yukteswar, guru of Paramahansa Yogananda, os ensinamentos védicos datam de antes do Satya Yuga, ou seja, a Idade de Ouro que data de há mais de dez mil anos.
De acordo com a visão Védica, na Idade Dourada a humanidade tinha somente uma língua e uma religião e as pessoas possuíam uma capacidade inata de compactar o seu Eu Divino. Como também tinham capacidades telepáticas e memória fotográfica tornava-se desnecessários livros e outros meios de comunicação. Pela mesma razão a tecnologia assim como as religiões não eram necessárias. O homem empregava mais sua vida para as Sadhanas, ou práticas espirituais, e para o desenvolvimento da consciência.
Porém, no fim da “Idade Dourada” a inteligência espiritual humana começou a declinar; começou a haver grande diversificação de idiomas que, juntamente com o crescimento do ego provocou um aumento de ignorância resultando disso uma acentuada divisão entre as pessoas. Visando a preservação do conhecimento espiritual desenvolvido dentro “Idade de Ouro” - Idade Dourada - foi então compilados os ensinos védicos até então só existente como tradição oral. Assim a Ioga foi criada por numerosas videntes Védicas do Angiras sendo os mais importantes deles os sete grandes videntes Vasishta, Vamadeva, Bharadvaja, Gritsamada, Vishwamitra, Kanwa, e Atri.
Segundo os Rishis (Grandes Sábios da Índia) dos registros dos Vedas foi que surgiram todos os principais caminhos espirituais da humanidade.
O Vedas contém uma chave compreensiva para a evolução tanto quanto para a visão dos desdobramentos de todas as leis do universo.
Pela sua importância imensa queremos fazer uma ligeira menção ao idioma védico. Trata-se de um idioma cuja vibração sonora faculta admiravelmente bem a existência de poderosos mantras com diversos níveis de conhecimentos e de aplicações. Nesse sentido o idioma Védico tem profundidade e dimensão que os idiomas modernos nem ao menos podem se aproximar. Nestes estão contidos os protótipos de todo conhecimento e de todos os poderes da creação.
Relacionamos a seguir os tipos de Ioga. Na verdade eles são muitos, mas basicamente estes são os principais, Há quatro caminhos de Ioga:
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Jnana, o caminho de conhecimento ou sabedoria;
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Bhakti, o caminho, de devoção;
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Karma, o caminho de ação;
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Raja, o caminho de controle de ego.
A forma mais popular de Ioga praticado no Ocidente é a Ioga de Hatha, que inclui métodos de postura e de respiração. Na verdade trata-se de parte de Raja Ioga, o “caminho de controle de ego”. Por sua vez, o caminho que é mais praticado na Índia é Ioga de Bhakti, ou seja, “o caminho, de devoção”. Dentro da Hathaioga há muitos estilos, como, por exemplo, Iyengar, Astanga, Integral, Kripalu, e Jiva Mukti, e outros.
Estas Iogas foram são estudadas segundo uma metodologia estabelecida por Patanjali num texto que esboça a filosofia básica e práticas de Ioga Clássica. Foi escrito no segundo século a.C.
Nestas palestras faremos um estudo sucinto desses diversos sistemas afim de que o discípulo possa ter uma visão geral dos principais tipos e métodos de Ioga.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] -
Vide temas 095-096.
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