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Zarathustra e sua Doutrina
"Não declares que as estrelas estão
mortas só porque o céu está nublado..."
Provérbio Árabe
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Símbolo do Zoroastrismo
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Zarathustra,
impropriamente chamado de Zoroastro, foi um Avatar - Manifestação
direta de Deus na terra - nascido na Pérsia e restruturador
do Mazdeísmo. Desde criança mostrava extraordinária
sabedoria, manifestada em Sua maneira de ser. Sua vida
foi salva muitas vezes dos inimigos que queriam martirizá-lo,
para que não cumprisse sua missão divina
ao chegar à maturidade.
Aos 15 anos
de idade realizava valiosas obras religiosas chegando
a ser conhecido por sua grande bondade para com os pobres
e animais.
Aos 20 anos
deixou o lar e passou sete anos em solidão, em
uma caverna numa montanha. Antes de regressar para o seio
do seu povo, e com a idade de 30 anos recebeu a Revelação
Divina, que se iniciou por uma série de sete visões.
Antes, porém ele vagou à procura da Verdade,
totalizando assim dez anos de solidão.
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[1]"Um dia, quanto tinha a idade de trinta anos
ele dirigiu-se para o rio Daiti onde ao cruzá-lo
o Seu corpo submergiu na água - primeiro até
os joelhos, depois até a cintura, e depois
até o pescoço. Após atravessar
para o outro lado ele executou o Yasna - ritual de
Ijashne - quando então se apresentou a Ele
uma Entidade brilhante e ardente que indagou o que
ele queria. Zarathustra expressou o seu desejo que
era entender a "Verdade". Então todas
as perguntas que lhe atormentavam foram-lhe respondidas,
pois o desejo dele era aprender sobre a Natureza e
o Ser Supremo. A Entidade ardente[2] - em chamas - era
a Divindade da Mente Boa que disse para Zarathustra
fechar os olhos e assim o transportou ao Tribunal
de Ahura Mazda. Lá Ele viu o Deus Supremo,
a Quem ele estava buscando com o coração
e a alma. Viu Ahura Mazda ladeado por outras divindades
poderosas, o Amesha Spentas. Zarathustra viu o Deus
e o Seu luminar como uma incorporação
da Pura Luz Celestial e Pureza Incorruptível
Suprema".
O que o Profeta sabia intuitivamente desde o princípio
por sua natureza divina fio endossado por aquela visão,
ou seja, pelo próprio Ahura Mazda
e pelas as Divindades Santas, e radicalmente diferente
do pensamento das pessoas da época. Zarathustra
viu que Ahura Mazda era o Deus Todo-bom e
Todo-sábio que só desejava para as criações
tudo bom e que não tinha um "rival" desde o
iní-cio dos tempos conforme preconizava o Mazdeísmo
de então. Entendeu, que o mal tinha origem
nos próprios seres humanos.
"Zarathustra pediu compreensão quanto ao
tipo de Ser que era Ahura Mazda. Este lhe revelou
então que Ele era verdadeiro, aquele de Quem
se originou a caridade, tudo o que podia fazer as
pessoas felizes; aquele que deu origem ao fogo, a
água e os animais, com consideração
e reverência, e que agia como protetor deles.
Que a pessoa deveria ser um ser íntegro no
mundo de homens, pois só assim ela poderia
chegar ter felicidades e tornar-se imortal".
Então
"Ahura Mazda ordenou a Zarathustra que estabelecesse
na mente das pessoas o pensamento divino, e que buscasse
no reino espiritual a felicidade mesmo nas próprias
aflições"[3].
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Essa
missão naquela época fazia-se necessário
porque a humanidade estava totalmente mergulhada
em dúvidas e superstições.
Nesse sentido lembremos as palavras de Krishna:
Sempre que houver declínio da retidão
e a injustiça triunfar, ó Barta (Arjuna),
então, Eu Me manifestarei para proteger o
Bem, destruir o Mal, e restabelecer a Justiça.
Eu Me manifesto de tempos em tempos.
Vejamos
o panorama reinante na Pérsia quando da vinda
de Zarathustra. Aproximadamente
5.000 passados i.e. ao redor 3.000 a.C. um grupo
das pessoas denominados hoje de Proto Indo-iranianos
vivia no sul das estepes russas, ao leste do rio
Volga (Boyce). "Os Proto Indo-iranianos acreditavam
em um conceito primitivo de ordem (Sanskrit). Eles
sabiam que existia uma certa ordem no universo
porque a noite seguiu dia, a lua crescia e minguava,
e a cada ano as estações seguiram
umas às outras. Eles acreditaram que esta
lei era cuidada por divindades ou deuses chamados
Asuras entre os quais Varuna e Mithra eram muito
populares". Mas a fé do povo entrara
em acentuado declínio depois que os Proto
Indo-iranianos dispersaram-se. Especialmente no
ramo que migrou para a Pérsia desde que o
ramo que migrou para a Índia encontrou apoio
de suas idéias na própria cultura
védica.
Enquanto
na Índia os imigrantes conservaram idéias
mais exatas da natureza do Universo e de Ahura
Mazda os do ramo persa passaram a adorar deuses,
mais movidos pelo medo que pela fé. Por exemplo,
quando viam um raio ou ouviam um trovão pensavam
que os deuses estavam bravos com eles. Por isto
para qualquer fenômeno natural, tais como
terremotos, vulcões, tempestades de neve,
furacões, eles atribuíam a fúria
dos deuses e começaram a fazer sacrifícios
de animais e de alimentos que ofereciam às
deidades para satisfazê-las.
Os
iranianos eram principalmente nômades, não
tinham um lugar fixo para viverem. Sendo criadores
de gado viviam deslocando-se à procura de
pasto e de água fresca o que lhe condicionava
uma forma de vida ao ar livre na natureza desenvolvendo
então uma certa devoção por
esta e a instituir um deus ou uma deusa para cada
um dos elementos de natureza, i.e. eles acreditaram
num deus que cuidava do céu (Asman); num
outro, da Terra (Zam); outro, da Lua (Mah); outro,
das águas ( Anahita ) e assim por diante.
Este panteão inteiro de deuses e deusas recebia
o nome de Ahuras. A palavra que Ahura vem
da raiz "Ah" que significa "ser",
assim Ahura pode ser entendido como o Ser.
Os
iranianos acreditavam que o Ahuras deles
era muito poderoso e os sacerdotes, chamados de
Karapans, tinham muitos rituais incluindo sacrifícios
de animais para homenagear as entidades que compunham
o seu Ahuras.
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Zarathustra
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Centenas
de anos depois os iranianos aprenderam a usar o bronze
e domesticaram o cavalo construindo carruagens. Então
alguns iranianos abandonaram a tarefa de cuidar do
próprio gado e tornaram-se guerreiros que iriam
de lugar para lugar tomando o gado alheio. Esta era
a atitude de pessoas sem lei e com devoção
direcionada aos deuses da guerra, cujos sacerdotes
eram chamados Kavis que eram muito astutos na prática
da magia negra.
Foi
em tal ambiente que Zarathustra nasceu com a missão
de corrigir todas aquelas distorções.
Desde menino interessava-se pela natureza e queria
saber como o mundo fora criado. A sua principal busca
era direcionada para criação e o criador,
e esse anseio o conduziram a Deus com Quem teve contacto
depois de vários anos de meditação.
Na verdade Ele era uma manifestação
direta de Deus na terra - Avatar.
Zarathustra
foi naquela época o primeiro a pensar e em
introduzir um modo de pensar e uma filosofia de vida
completamente diferente da então existente,
ensinando que só havia UM Deus que era chamado
Ahura Mazda. (A primeira palavra Ahura
já era usada pelo pre-Zoroastrianos para indicar
o Deus).
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Como
já dissemos em palestra anterior a Escritura
básica do Zoroastrismo consta de um conjunto
de composições poéticas conhecidas
pelo nome Gathas, composto pelo próprio
Zarathustra e preservado durante milênios pelos
zoroastrianos. No transcorrer dos anos acumularam-se
muitos outros escritos em torno do Gathas,
contudo muito deles foram destruídas pelos
gregos e muçulmanos, especialmente durante
a invasão mongol.
Zarathrusta
foi martirizado aos 77 anos de idade por enquanto
se encontrava orando em frente ao fogo sagrado no
Templo.
O
Gathas foi escrito num idioma muito antigo
conhecido como Avesta relacionado de perto
com o Sânscrito. Nele Zarathustra afirma que
existe só Um Deus - Ahura Mazda -
transcendente, mas em relação constante
com os seres através de certos atributos. Estes
atributos são o modo como Deus chega ao mundo.
Embora não haja especificado o número
exato de Atributos mesmo assim menciona especificamente
sete deles eu em conjunto são chamados o Amesha
Spentas. Cada um destes encarna um atributo
de Deus, como também uma virtude humana. Eles
também são símbolos para os vários
setores de Criação:
Vohu Maca - Pensamento Bom - conectado
com Animais
Asha Vahishta - Justiça e
Verdade - Fogo e Energia
Kshathra - Domínio - Metais
e minerais
Spenta Armaiti - Devoção
e Serenidade - A terra
Haurvatat - Inteireza - Águas
Ameretat - Imortalidade - Plantas
Spenta Mainyu - Energia Criativa
- os seres humanos.
Zarathrusta
não fala de um lugar para o qual a alma é
conduzida depois do desencarne, mas mesmo assim os
escritos baseados em Pahlavi falam a respeito.
Depois que morte a alma desincorporada paira sobre
o cadáver ou ao seu redor durante três
dias, então ela segue pela ponte de Cinvat
para conhecer o seu julgamento pelos três juizes
das almas: Mithra, Sraosha, e Rashnu. A alma
das pessoas justas seguramente mantém-se em
cima da ponte e permanece feliz pela eternidade, no
céu (vahishta de Auhu, Nmana de Garo), o domicílio
de Ahura e dos anjos seus santificados. A alma má
cai fatalmente da ponte e é precipitada no
inferno (Auhu de Duzh). Embora não haja indícios
de que isto foi dito por Zarathustra, mesmo assim
consta dos escritos referente à visão
de Pahlavi sobre uma visita ao Inferno, e onde consta
uma descrição realística de seus
tormentos, tais como descritos em " O Inferno de Dante".
Também se cita que consta do Pahlavi a existência
do " Estado Intermediário Médio", embora
isto não apareça no próprio Avesta.
Possivelmente
trata-se de um desdobramento da teologia. Porém
aquele estado não é concebido exatamente
como o purgatório católico, mas como
um estado indiferente destinado àqueles em
que são encontradas ações boas
e más, havendo assim um equilíbrio
entre as duas condições.
O
ensino moral é fundamental e enfatizada a
necessidade do exercício da bondade em pensamento,
palavra, e atos (humana, hakhta, hvarshta) ao invés
de pensamento, palavra, e ação más
(dushmata, duzhukhta, duzhvarshta).
Note
o reconhecimento enfático de pecado em pensamento
como preceitua a Igreja Católica. Verdade,
pureza e generosidade para com os pobres são
enumerados como virtudes em contraposição
mentira, perjúrio, pecados sexuais, violência,
e tirania são especialmente reprovada.
A
reforma de Zarathustra não foi somente religiosa,
mas também social, agrícola. O cultivo
da terra era elevado ao grau de deveres religiosos
e considerado, portanto, algo espiritualmente meritório.
********************
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Notas:
[1] - O parágrafos entre parêntesis são traduções da obra: A SAGA DE ZARATUSTRA conforme publicado via Internet
[2] - O símbolo do Zoroastrismo é uma chama.
[3] - (A Vida de Zarathustra Santo; Framroze Rustomjee; página-33)". - Excerto de um artigo por Adil F. Rangoonwala,
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