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Índice dos Versos
A Doutrina Taoísta
Lao Tsé, o Pai do Taoísmo
Lao Tsé e o Tao Te Ching
Palestras
Verso 11 - A Virtude do Vazio (Versão Original)

"trinta raios convergem para o meio, mas é o"
vazio do centro que faz avançar o carro".

Lao Tsé



tao

Trinta raios convergentes unem-se formando uma roda
Mas é o vazio entre os raios que facultam o seu movimento.
Modelai o barro para fazer um jarro.
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila.
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.
Recortai no espaço vazio das paredes portas e janelas
a fim de que um quarto possa ser usado.
Paredes são massas com portas e janelas
mas somente os vazios entre as massas
lhes dá utilidade.
Desta forma o ser produz o útil
mas é o não-ser que o torna eficaz.

...
Tao Te King.



Recomendamos ler a palestra: Tema 0.787: MEDITANDO SOBRE O VAZIO Publicado neste Site em Palestras.



Nossa Interpretação para Mestres e Discípulos



Neste verso o Mestre Lao Tsé refere-se à importância do vazio e usa como exemplo ou a roda ( moinho de vento - hélice ), ou um jarro ou uma porta ou janela.

Assim são as coisas físicas, acredita-se que elas só agem quando pela presença do "vazio".

O mestre deve saber que, enquanto pronuncia as palavra não há ação, esta só ocorre depois do diálogo.

O discípulo deve entender que é no silêncio introspectivo que se compreende o verdadeiro sentido de um ensinamento.

O discípulo pode escutar com atenção as palavras do Mestre, mas para progredir necessita de refletir e interiorizar o que foi transmitido. Só desta forma o processo de aprendizagem pode se desenvolver eficientemente.

Mais importante que as palavras é o silêncio; quando nada parece estar a acontecer nele manifesta-se o conhecimento.

O Mestre vê no silêncio o clima e a receptividade dos seus discípulos.

O silêncio prepara a ação permitindo o aparecimento de novas idéias e situações; do mesmo modo, a forma de um copo, de um jarro, ou das paredes de uma casa, apenas têm utilidade pelo vazio que possibilitam.

O Mestre deve saber que é no vazio que as coisas se realizam.

O Mestre sabe que o invisível age pelo visível.

É na creação que o Uno se revela.

"O Todo que "É" age pelo Nada, que não "É" - então algo começa a existir" - Rhoden.

O Mestre não deve avaliar o discípulo pelo silêncio e sim pelos seus atos.

O Mestre sabe que a utilidade das coisas está no vazio. O cheio, o acabado, não tem mais utilidade para o Mestre, pois não tem mais como e o que receber. Por isto o mestre vê no discípulo um projeto a ser terminado, por isto não deve esperar dele a plenitude do conhecimento recebido. Agindo assim sempre haverá Mestre e discípulo[1].

Se o Universo estivesse totalmente cheio coisa alguma poderia acontecer nele e o Uno não se manifestaria em ação.

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José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br




Notas:
[1] - Vale aqui uma das estórias do Budismo Zen: " Nan-in, um Mestre Zen japonês, que viveu na época Meiji (1868-1912 ), certa vez foi visitado por um professor que desejava conhecer o Zen. Nan-in convidou-o a sentar-se e começou a servir o chá. A xícara do visitante já estava cheia, mas Nan-in continuava imperturbável derramando o chá na xícara, que já principiava a escorrer pelo chão. O professor observando o transbordamento, e não podendo mais conter-se exclamou: " A xícara já está cheia! Ao que Nain-in retrucou: " Assim como esta xícara, também estás cheio de conceitos e especulações. Como poderei mostrar-te o Zen, se não te esvaziares primeiramente?".

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